Outra versão: A formiga trabalha duramente todo o Verão. Constrói a sua casa e prepara as provisões para o Inverno. A cigarra pensa que a formiga é estúpida, ri-se, dansa e brinca, sempre cantarolando. Uma vez chegado o Inverno, a formiga fica no quentinho e bem alimentada. A cigarra, com frio e com fome, orgniza uma conferência de imprensa e pergunta qual a razão de a formiga ter o direito a uma casa confortável e alimentação, enquanto os outros, com menos sorte que ela, têm frio e fome.
A televisão organiza emissões em directo que mostram a cigarra tremendo de frio, e passam extractos de vídeos da formiga bem quentinha na sua casa confortável, com uma mesa cheia de provisões.
O povo fica chocado porque, num país tão rico, se deixa sofrer esta pobre cigarra enquanto outros vivem na abundância.
Algumas associações contra a pobreza e a fome, manifestam-se em frente à casa da formiga.
Os jornalistas organizam entrevistas, perguntam como pôde a formiga tornar-se tão rica enquanto a cigarra mendiga, e interpelam o governo para aumentar os impostos à formiga a fim de que ela pague a sua justa parte.
As centrais sindicais e alguns partidoss revolucionários organizam manifestações em frente à casa da formiga. Os funcionários decidem fazer greve de solidariedade, de uma hora diária com duração ilimitada.
Um “filósofo” em moda, escreve artigos e dá entrevistas demonstrando as ligações da formiga com os torcionários de Auschewitz.
Em resposta às sondagens, o governo redige uma lei sobre a igualdade económica e uma outra (retroactiva ao Verão) de anti-discriminação. Os impostos da formiga são aumentados e ela recebe também uma multa por não ter dado emprego á cigarra, como ajuda.
A casa da formiga é arrestada pelas autoridades, pois não tem dinheiro suficiente para pagar a multa e os impostos. A televisão faz uma reportagem sobre a cigarra, agora bem gordinha. Está a ponto de terminar as últimas provisões da formiga, embora a Primavera esteja ainda longe.
Manifestações de artistas e escritores acontecem regularmente na casa da formiga. Um cantor compõe uma canção: “Formiga, fora daqui…”
A antiga casa da formiga, tornada alojamento social para a cigarra, deteriora-se já que ela nada faz para a manter em boas condições. São feitas críticas ao governo por falta de meios. Uma comissão de inquérito é posta em prática, o que custará mais de dez milhões de euros e a cigarra morre de overdose.
Alguns jornais comentam o falhanço do governo no que diz respeito ao problema das desigualdades sociais. A casa saqueada por um gang de imigrantes, que organizam uma rede de tráfico de marijuana e aterroriza a comunidade.
O governo felicita-se pela diversidade multicultural daquele país e apresenta um Orçamento de Estado no mínimo bizarro.







