segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Santa Maria: Doentes foram informados de que cegueira é definitiva




Doentes que ficaram cegos no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, já foram informados pelos médicos de que a cegueira é definitiva e sem qualquer hipótese de recuperação.
Maria das Dores, uma das doentes, que ficou cega dos dois olhos, disse hoje, segunda-feira, à Agência Lusa, que soube na semana passada que não ia voltar a ver nada, tendo sido reencaminhada, por parte do Hospital de Santa Maria, para o centro de reabilitação de cegos.
Já depois de ter sido submetida ao tratamento que a cegou, Maria das Dores ainda chegou a recuperar ligeiramente e "a ver umas sombras", mas neste momento está completamente cega.
"Por fora, os olhos estão bonitos. Os médicos têm feito uns tratamentos para as infecções, mas já me disseram que não vou voltar a ver", contou.
Na mesma situação está Maria Antónia Martins, que perdeu a visão num olho. "Eu deixei de ver depois das injecções, mas na altura não sabia que ia ficar cega. Só na quinta-feira é que soube com certeza. Disseram-me que a vista está queimada por dentro e que não há nada a fazer", disse.
Walter Lago Bom ficou cego dos dois olhos e nunca alimentou a esperança de voltar a ver, mas da parte dos clínicos essa verdade só lhe chegou há pouco tempo: "Desde o início, a sensação que tive nos meus olhos foi a de uma lâmpada que se funde. Vi logo que tinha cegado. Ainda se falou na hipótese de ir aos Estados Unidos tentar um tratamento, mas a verdade é que não havia nada a fazer e recentemente é que os médicos acabaram por ter de confirmar isso".
Segundo este doente, que chegou a ser operado, as células do olho direito estão queimadas. O olho esquerdo tem uma inflamação que não permite aos médicos verem com clareza a dimensão das lesões.
Contudo, Walter Lago Bom, que continua internado em Santa Maria, não tem esperança e está convicto de que os médicos "vão acabar por confirmar a cegueira definitiva do olho esquerdo também".
Outro doente, que ficou cego do olho esquerdo, falou igualmente da esperança de voltar a ver, que entretanto já foi completamente afastada. Américo Palhota diz que neste momento está a fazer tratamento para debelar uma infecção, mas não para a cegueira porque já sabe que tem "os olhos queimados por dentro".
O Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN) constituiu no final de Agosto uma comissão de acompanhamento para avaliar os "eventuais danos e respectivo ressarcimento" dos seis doentes que perderam a visão na intervenção oftalmológica ocorrida a 17 de Julho.
Até hoje não houve ainda desenvolvimentos, lamentam os doentes, que apenas foram contactados "logo no início" para recolha dos depoimentos.

13h58m
(JN – 9/11/2009)

domingo, 8 de novembro de 2009

Desfalque de 200 mil euros nos Sapadores do Porto

Funcionária dos bombeiros suspeita de desviar dinheiro e enganar Câmara. Está suspensa.


Uma funcionária dos Sapadores Bombeiros do Porto é suspeita de um desfalque de 200 mil euros dos cofres da instituição. O dinheiro era proveniente de serviços prestados a particulares. Ministério Público e PJ vão investigar.



A mulher já está a braços com um processo disciplinar, instaurado pela Câmara Municipal do Porto, e foi suspensa preventivamente de funções durante 90 dias, enquanto decorrem as averiguações dos factos. O escândalo foi descoberto quando a funcionária se encontrava de férias, por ter havido necessidade de colocar outra pessoa a fazer o mesmo trabalho. Nessa altura, o substituto percebeu que existiam irregularidades nos documentos de receita enviados para a Autarquia - que tutela o serviço dos Sapadores.


Em concreto, foi detectado que os clientes da corporação pagavam os serviços prestados de acordo com o valor da tabela, mas a informação enviada para a Câmara indicava valores inferiores aos montantes inscritos nos recibos passados aos particulares. Os serviços financeiros do Município não terão recebido cópias desses recibos. Os serviços, feitos pela corporação, consistem, por exemplo, em vistorias, verificação e enchimento de extintores ou abertura de portas.




Todavia, até às recentes férias da funcionária ninguém dos bombeiros nem da Autarquia deu conta das discrepâncias entre os valores pagos por cidadãos e os recebidos nos cofres públicos.


De acordo com informações recolhidas pelo JN, há suspeitas de que os desvios de dinheiro terão perdurado cerca de 10 anos. Rui Rio foi informado do sucedido e a Câmara está a averiguar.

Fonte próxima do caso garante que existem indícios de que, pelo menos, uma grande empresa de construção civil pode ter sido beneficiada neste caso de irregularidades nos Sapadores. É uma situação ainda em averiguação por um jurista nomeado pela Autarquia no âmbito do processo disciplinar, assim como o possível envolvimento de outros funcionários. Podem estar em causa crimes de peculato, falsificação de documentos ou corrupção.

A suspensão preventiva da funcionária foi decidida a 13 de Outubro. O argumento para o afastamento de funções por 90 dias incidiu na necessidade de não prejudicar a averiguação do caso.




Até ao momento, há já certeza de que o desfalque ultrapassou largamente os 100 mil euros. Fonte conhecedora da situação refere, ao JN, um desvio na ordem dos 200 mil euros. Porém, o montante só será exacto quando terminar a investigação interna e das autoridades judiciais.


Contactado pelo JN, Manuel Sampaio Pimentel, vereador responsável pelo pelouro da Protecção Civil, Controlo Interno e Fiscalização, confirmou o caso sem adiantar pormenores, dizendo apenas que ordenou a participação ao Ministério Público.

"As suspeitas existem e fizemos o que tínhamos a fazer. Accionámos todos os instrumentos para o mais rápido apuramento da verdade e abrimos um processo disciplinar. Foi decidida a suspensão preventiva da funcionária para não perturbar o bom andamento do processo. Não é agradável, mas quem gere a coisa pública tem de tomar medidas", sublinhou.

Segundo o vereador, o Ministério Público foi alertado. Mas a situação é demasiado recente, pelo que só agora deverão ser efectuadas diligências. A investigação caberá à Polícia Judiciária.

CARLA SOFIA LUZ E NUNO MIGUEL MAIA

(JN – 8/11/2009)


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sócrates: «Este processo entristece-me porque envolve um amigo»




Primeiro-ministro admite ter ligado a Armando Vara porque «faz chamadas para os amigos»

O primeiro-ministro admitiu esta sexta-feira ter ligado a Armando Vara, um «amigo» e confessou mesmo que o processo «Face Oculta» o «entristece» na medida em que envolve um amigo.

Questionado, à saída do hemiciclo, onde decorreu o debate sobre o programa de Governo, sobre o facto de a investigação ter interceptado chamadas do chefe do Governo para o administrador suspenso do BCP, José Sócrates desvalorizou:

«Com certeza que telefonei ao dr. Armando Vara que é meu amigo», referiu, acrescentando: «faço chamadas para os meus amigos e vou continuar a fazer».
Mais adiante, o PM confessou: «este processo é para mim triste porque envolve um amigo meu de há muitos anos».

Sobre o processo, o PM faz votos de que «a justiça funcione, os envolvidos se defendam e os tribunais julguem».

Em relação ao presidente da REN, José Penedos, igualmente arguido no processo, mas que se mantém à frente da Redes Energéticas Nacionais, Sócrates sublinhou que está em curso uma auditoria e que o visado é apenas arguido no processo de corrupção e tráfico de influências, não tendo sido acusado ou condenado.


«O Governo não mantém a confiança em quem está acusado», precisou o PM, lembrando que o processo ainda está em fase de inquérito.

(Portugal Diário – 6/11/2009)

“Face Oculta”: Sócrates confirma telefonemas ao “amigo” Vara




Primeiro-ministro confirma telefonemas com Armando Vara, apanhados nas escutas do processo “Face Oculta”. Questionado sobre a confiança do Governo no presidente da REN, José Sócrates sublinha que “as pessoas em causa são arguidas, não acusadas”.


“Fiz uma chamada (para Armando Vara). Faço chamadas para os meus amigos e vou continuar a fazê-las”, declarou o primeiro-ministro, José Sócrates, à saída do debate sobre o Programa do Governo, no Parlamento.

O semanário “Sol” escreve na sua edição de hoje, sexta-feira, que várias conversas entre o líder socialista e Armando Vara foram interceptadas nas escutas do processo “Face Oculta”.

Questionado sobre se acha que o querem envolver neste processo contra a corrupção, o primeiro-ministro respondeu: “Com certeza”.

“Espero que a justiça funcione”, frisou José Sócrates, referindo: “Entristece-me porque (é um processo) envolve um amigo de há muitos anos”, referindo-se mais uma vez a Armando Vara.

Sobre a legitimidade de José Penedos continuar à frente da REN, sendo arguido do processo, o chefe de Governo sublinhou: “as pessoas em causa são arguidas e não acusadas. Compete a cada uma decidir o que deve ou não fazer”.

O Governo decidirá após a conclusão da auditoria que foi lançada às empresas com capitais públicos envolvidas no processo, acrescentou.

"O único desejo que um político deve expressar é que a justiça funcione e que se persiga a corrupção, se a houve. Aqueles que devem velar pelo cumprimento da lei, combatendo as ilegalidades e a corrupção, devem agir", declarou o primeiro-ministro.

"E a lei deve ser aplicada doa a quem doer. Espero que a investigação e o desenvolvimento do processo se faça, que a justiça funcione, que quem deve acusar que acuse e quem se deva defender se defenda e que os tribunais julguem", frisou ainda José Sócrates.

12h10m

(JN – 6/11/2009)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

E… Deus criou o Mundo



Ao criá-lo, recordou-se de algo importante e deu existência ao BURRO, dizendo:



«Trabalharás incansavelmente de sol a sol, carregando fardos no lombo. Comerás erva fresca e seca, não terás inteligência alguma, e viverás sessenta anos e serás o BURRO.»

Então, o BURRO respondeu:

“Serei BURRO, mas viver sessenta anos é muito. Dá-me apenas trinta de vida.”

Deus deu-lhe os anos pedidos.

Então, Deus criou o CÃO, dizendo:




«Vigiarás a casa dos homens e seráso seu melhor amigo. Comerás os ossos que ele te der e viverás vinte anos. Serás o CÃO.»


O CÃO respondeu:

“Senhor; comerei ossos, mas viver vinte anos é obra. Dá-me apenas dez anos de vida.”

Deus deu-lhe os dez anos.

Deus criou então o MACACO e disse:



«Saltarás de galho em galho, fazendo macaquices; serás divertido e viverás vinte anos. Serás o MACACO.»


O macaco respondeu:

“Senhor, farei macaquices engraçadas, mas viver vinte anos é demasiado. Dá-me apenas dez anos de vida.”

Deus deu-lhe os anos pedidos.


Deus criou o HOMEM e disse:



«Serás o único ser racional sobre a face da Terra. Usarás a tua inteligência para te sobrepores aos demais animais e à Natureza. Dominarás o Mundo e viverás trinta anos.»


O HOMEM respondeu:

“Senhor, serei o mais inteligente dos animais, mas viver trinta anos é muito pouco. Dai-me os trinta que o BURRO recusou, os dez que o CÃO não quis, e também os dez que o MACACO dispensou.”

E assim, Deus fez o HOMEM.

«Está bem… Viverás trinta anos como HOMEM. Casarás e passarás a viver trinta anos como BURRO, trabalhando para pagar as contas e carregado de fardos. Serás aposentado pela SS, vivendo dez anos como CÃO, vigiando a casa.

Depois ficarás velho e viverás mais dez anos como MACACO, saltando de casa em casa, dum filho para o outro, fazendo macaquices para divertires os teus netos.»



Satisfeito, o HOMEM, ignorando as palavras de Deus, logo se organizou em grupos políticos, graças a Deus ter criado também a MULHER, que seria a sua submisa companheira e ao mesmo tempo escrava.


Ao ser criada, pelo HOMEM, a classe política, de imediato se foram apercebendo os outros homens de que a coisa só iria resultar para alguns enriquecerem e eles ficarem cada vez mais pobres e humilhados.





Foram criados os impostos e também os cofres públicos para os guardar depois de arrecadados pelos HOMENS aos homens.



Verificou-se que, a partir de então, a maioria dos homens e das mulheres trabalhava arduamente em benefício dos HOMENS e das MULHERES, que começavam a imaginar-se deuses e deusas, caparzes de, por eles e elas dominarem o MUNDO e também os seus semelhantes inferiores da espécie, chegando assim aos dias de hoje.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

As áreas da polémica na mão do Parlamento



Programa do Governo deixa espaço à negociação mas também deixa antever confrontos


00h30m

Ajudar a economia a sair da crise é objectivo que o Governo quer atingir através de um grupo de promessas, copiadas à palavra do programa eleitoral.

Assim, compromete-se a manter ou criar ajudas financeiras para apoiar 30 mil micro, pequenas e médias empresas, por ano. O crédito bonificado continuará ao nível actual e o fundo para reforçar capitais próprios das empresas será alargado para 1,6 mil milhões de euros. Por criar está um fundo de 250 milhões para apoio à exportação, com a ajuda da rede diplomática. Os estágios para jovens quadros continuarão, em empresas, no Estado ou em entidades de solidariedade social. O Executivo promete também criar uma compensação de impostos, para que os contribuintes façam acertos de contas com o Estado, e começar a pagar dívidas no prazo de 30 dias. Nas obras públicas nada de novo: a ferrovia de alta velocidade será construída nos prazos já previstos, Lisboa terá um novo aeroporto em Alcochete e três auto-estradas da região Norte passarão a pagar portagem. A.F.


entendimentos



Todos os grupos parlamentares concordam com a importância de apoiar as micro, pequenas e médias empresas.


Quem compra um carro vai deixar de ter que pagar IVA sobre o imposto automóvel, promete o Governo, acabando assim com uma dupla tributação já declarada ilegal pela União Europeia. Para as famílias, o regime de deduções e benefícios fiscais no IRS será alterado e passará a ser possível a um casal entregar declarações em separado, se com isso sair beneficiado. Também o imposto sobre os imóveis será alterado, para penalizar quem mantém imóveis devolutos ou mal conservados e para "contrariar o crescimento acelerado da receita" que as autarquias têm obtido, por esta via. Já as mais-valias obtidas na Bolsa passarão a pagar impostos. Mas no cômputo geral, o Executivo diz rejeitar o aumento de impostos. Em matéria de actividade económica, pretende apoiar a criação de empresas ligadas a áreas científicas, dando-lhes um regime fiscal mais favorável. Tudo somado, o Executivo quer chegar ao fim da legislatura com o défice público controlado. A.F.

entendimentos
 


Extinguir o pagamento especial por conta é bandeira do PSD e do PP (para todas as empresas) e da CDU (para as micro e pequenas empresas). Todos os partidos querem mudar o regime do IVA.


A avaliação dos professores e o Estatuto da Carreira Docente poderão deixar isolado o Governo, que mantém as posições enunciadas no programa eleitoral. Compromete-se "acompanhar e a monitorizar a aplicação (...) do segundo ciclo de avaliação" e a "garantir o futuro de uma avaliação efectiva", ao mesmo tempo que acompanhará e avaliará a aplicação do Estatuto. Mas as bancadas da oposição, pelo contrário, estão todas amarradas ao compromisso eleitoral de suspender a avaliação e de rever o estatuto.

Entre outras linhas-força recuperadas para o Programa do Governo estão a prestação de um novo apoio social às famílias, com a atribuição, aos beneficiários dos dois primeiros escalões, de uma bolsa de estudos equivalente ao dobro do abono; o reforço do combate ao insucesso escolar, com aposta nos currículos alternativos, como os cursos de educação e formação; e a criação de condições para que as escolas dos ensinos Básico e Secundário funcionem em regime normal e turno único. A.M.

entendimentos
 


A universalização do pré-escolar recolhe o consenso parlamentar. Será possível o apoio do PSD e CDS sobre a contratação directa de docentes.


Em matéria social, a palavra de ordem é ajudar famílias com filhos: dando uma espécie de complemento solidário, não só aos idosos mas também a famílias trabalhadoras com filhos cujos rendimentos estejam abaixo do limiar de pobreza (o mesmo para pessoas inválidas), aumentar o abono a famílias monoparentais e a famílias com dois ou mais filhos. No rendimento mínimo, pretende-se que os beneficiários há mais de três meses assinem um contrato de "inserção profissional". No que toca a trabalho, pretende reduzir desigualdades entre trabalhadores "com diferentes tipos de contratos", como os contratados sem termo e os a prazo. Ainda, quer-se a aplicação prática da adaptabilidade do tempo de trabalho, a definição de linhas mestras de médio e longo prazo para as políticas salariais, incluindo o salário mínimo, e o reforço da formação profissional. Está também previsto permitir que quem recebe subsídio de desemprego possa trabalhar a tempo parcial e que 25 mil pessoas sem direito a subsídio possam frequentar estágios ou "empregos de transição". A.F.

entendimentos
 


Alterações às regras do subsídio de desemprego são reclamadas por todos os grupos parlamentares.


Uma aposta do Governo é a expansão das unidades de saúde familiar a todo o o território até 2013. Outra a antecipação para esse ano dos objectivos fixados para 2016 na cobertura com a rede de cuidados continuados. Outra ainda é o reforço do apoio do Estado aos grupos mais vulneráveis para a aquisição de medicamentos. Com mais ou menos diferenças, poderão ter o apoio da oposição.

Depois da polémica do encerramento de urgências, o Governo quer prosseguir a concentração, integração e racionalização de recursos com a oferta de cuidados em centros hospitalares e unidades locais de saúde, reforçando o ambulatório e desenvolvimento o conceito de "clínica de um dia". No domínio da gestão, promete melhorar os instrumentos das parcerias público-privadas.

Noutras políticas, destaca-se o fim progressivo dos hospitais psiquiátricos, o alargamento do acesso aos cuidados de saúde oral e dos programas para a diabetes, a oncologia, as dependências e o vírus VIH/Sida. A.M.

entendimentos
 


Na política do medicamento, destaque-se o consenso sobre o incremento dos genéricos e a prescrição pela denominação internacional


O combate à corrupção é um dos compromissos comuns a todas as bancadas. O Governo propõe-se combater a existência de paraísos fiscais e criar, nos serviços públicos, códigos de conduta e medidas de prevenção de riscos, para "reduzir ocasiões e circunstâncias propiciadoras da corrupção". A oposição tem posições como a criminalização do enriquecimento ilícito no exercício de cargos públicos e o levantamento do sigilo bancário. Enquanto quase todos os partidos pretendem encetar uma nova reforma das leis penais, o Governo quer concluir a avaliação da aplicação do Código de Processo Penal. Mas propõe-se aumentar a celeridade processual, com a redução dos prazos para a decisão e prevendo compensações aos cidadãos quando se verificar o seu incumprimento injustificado; reforçar o orçamento dedicado à investigação criminal; redefinir a figura do defensor oficioso; criar uma linha telefónica "Justiça Aberta" para atendimento aos cidadãos; e requalificar as prisões. A.M.

entendimentos
 


O alargamento da rede de julgados de paz e até o reforço das suas competências marecem o consenso de quase todos os partidos.





(JN - 3/11/2009)

O sonho




O sono já foi definido por Shashespeare como “a morte da vida em cada dia”, ou como “estupfacção irresistível”. No entanto, os cientistas descobriram que, pelo contrário, o cérebro fervilha de actividade durante o sono.

É durante o sono que surge o sonho. Todas as noites, depois de apagadas as luzes, é como se subisse o pano do teatro dentro da nossa cabeça. Como actores ou como público, ou como ambos, revivemos fragmentos dos acontecimentos do dia ou experiências e emoções mais antigas.

Os cenários do sonho vão do trivial ao maravilhoso e ao macabro. A nossa mente adormecida, aceita sempre como normais estas alucinações, por muito exageradas que sejam: são apenas sonhos e, ao sonharmos, habitamos um mundo interno e subjectivo, onde a razão e a realidade já não são soberanas.

Então, um indivíduo adormeceu e começou a sonhar com colheres de pau compridas e, a dada altura, um anjo convidou-o a visitar o céu e o inferno. Foram primeiro ao inferno. Ao abrirem a porta, o homem viuuma sala que tinha no centro um caldeirão com substanciosa sopa e, à sua volta estavam sentadas pessoas famintas e desesperadas. Cada uma delas segurava uma colher de pau de cabo comprido, eu lhe possibilitava alcançar o caldeirão, mas não permitia que levassem á boca a sopa. Era um grande suplício, um grande sofrimento.

Seguidamente, o anjo levou-o a conhecer o céu. Entraram numa sla idêntica à anterior: havia um mesmo caldeirão, as pessoas à volta e as colheres de pau de cabo comprido. A diferença é que todas estavam satisfeitas. Não havia fome nem sofrimento.

“Não compreendo, disse o homem ao anjo, porque razão aqui as pessoas estão felizes, enquanto na outra morrem de aflição, se é tudo igual:” O anjo sorriu e respondeu: «ão percebeste? É porque aqui, as pessoas aprenderam a dar comida umas às outras.»

Moral: nesta história temos três situaçõs que merecem profunda reflexão:

Egoismo – No inferno, as pessoas estavam apenas preocupadas com a sua própria fome, impedindo que se pensasse em alternativas para equacionar a situação;

Criatividade – Como todos queriam desenrascar-se da crítica situação em que se encontravam, não tiveram a iniciativa de buscar alternativas que pudessem resolver o problema;

Equipa – Se tivesse havido o espírito solidário e ajuda mútua, a situação teria sido rapidamente resolvida.

Como conclusão, dificilmente o individualismo consegue transpor barreiras.
O espírito de equipa é essencial para se alcançar o sucesso. Uma equipa participativa, homogénea e coesa, vale mais que um batalhão de pessoas isoladas.
Isto é válido para todas as áreas da vida, especialmente a profissional e a social. É preciso lembrarmo-nos sempre que a alegria faz bem à saúde e que estar triste é morrer aos bocados.