sábado, 26 de setembro de 2009

A segunda vida de Roberto Bolaño



Depois do assombro causado entre críticos e leitores de língua inglesa, é amanhã posto à venda em Portugal o romance "2666", do chileno Roberto Bolaño. Para muitos, uma obra-prima ao nível da melhor literatura do século XX. Há quem já fale em "Bolañomania".
Quando nos últimos meses do ano passado os suplementos literários dos jornais de referência americanos - e no início deste ano, também os dos periódicos ingleses - começaram a dar destaque a uma obra com cerca de mil páginas acabada de publicar, com um título enigmático - "2666" -, de um escritor chileno praticamente desconhecido, o público leitor ficou curioso e as vendas excederam em muito as melhores expectativas.
O "The New York Times Book Review" fez capa com uma foto de Roberto Bolaño (1953-2003) e abria com um extenso artigo sobre o malogrado autor e uma análise crítica ao monumental romance que havia pouco tempo chegara às livrarias.
O "Washington Post", por sua vez, compara "2666" às obras mais ambiciosas do século XX, saídas do génio de Proust, Musil ou Joyce. Diz ainda que com este livro Bolaño se "juntou aos imortais". Daí até que tivesse sido considerado o "livro do ano" por várias publicações (para algumas mesmo até "livro da década", ou então "o primeiro grande romance do século XXI"), não passou muito tempo. E o novo ano começou com a atribuição a "2666" do prestigiado "National Book Critics Circle Award".
Menos de quatro por cento da literatura publicada em língua inglesa é traduzida. Para um livro originalmente escrito em castelhano, um sucesso desta dimensão - o "The Economist" publicou um texto intitulado "Bolaño-Mania" - é capaz de trazer de novo à vida, e isto um pouco por todo o mundo, a obra de qualquer autor ("2666" fora publicado por uma editorial de Barcelona havia quatro anos). É o que está a acontecer e, provavelmente, assim continuará com os manuscritos de romances que só muito recentemente foram encontrados pelo agente e pela viúva no espólio deixado pelo escritor aquando da sua morte em 2003, em Barcelona, por falência hepática - quando o seu nome quase chegava ao topo da lista de espera para se sujeitar a um transplante de fígado.
A vida aventurosa
Mas quem foi e o que fez este chileno genial que só começou a publicar prosa aos 40 anos de idade? Nascido em Santiago do Chile, filho de um camionista (antigo campeão de boxe amador - são várias as referências ao boxe nos livros de Bolaño) e de uma professora, passou a infância e a adolescência assombrado pelo tormento da dislexia, o que o levou a isolar-se e a ler tudo o que lhe vinha parar às mãos, com um apetite especial pela poesia.
Aos 15 anos emigrou com os pais para a Cidade do México, e segundo o que o próprio contava, voltou ao Chile poucos dias antes do golpe que depôs Salvador Allende e esteve preso durante uma semana pelos militares, tendo sido libertado porque dois guardas tinham sido seus companheiros de escola. (Aqui a sua biografia turva-se, pois são vários os colegas e amigos mexicanos que dizem que nessa altura ele se encontrava no México, que nunca mais voltou ao Chile. Uma amiga, escritora e crítica, diz que esse episódio fora inventado por ele por sentir vergonha de não ter estado lá. O pai confirma a versão de Roberto.)
No México fundou o "Infrarrealismo", movimento poético punk-surrealista cujo manifesto dizia ser pela provocação e pelo "apelo às armas" contra as grandes figuras da literatura latino-americana, com algumas excepções que não eram referidas: Borges, Bioy Casares e Córtazar. (De García Marquez, por exemplo, diz que é "um homem deslumbrado por ter conhecido tantos presidentes e arcebispos".) No final dos anos 70, a caminho de uma promessa de emprego na Suécia, passou por Espanha para visitar a mãe doente e acabou por ficar. Subsistiu com trabalhos mal remunerados mas que lhe deixavam algum tempo para a literatura, sobretudo poesia: lavou pratos em restaurantes, guarda-nocturno num parque de campismo, apanhador de lixo. Levou uma vida de vagabundagem.
Em 1990, com o nascimento do primeiro filho, instalou-se com a família numa localidade da Costa Brava e escreveu apenas prosa para poder concorrer a prémios literários regionais com o fim de ganhar dinheiro. Depois de algumas recusas por parte das editoras, conseguiu publicar os primeiros livros de ficção. Durante os últimos dez anos de vida escreveu febrilmente como se soubesse que não chegaria a velho. À data da morte, em Julho de 2003, tinha quase pronta a sua obra-prima, "2666", na qual trabalhara arduamente para a deixar pronta. Contrariando o que dissera durante anos, expressou então a vontade de que esse livro fosse transformado em cinco, as suas partes publicadas de maneira independente. Os herdeiros, o editor e o executor testamentário não o fizeram pois sabiam não ter sido essa a sua vontade inicial, e que apenas a alterara por recear pelo futuro económico dos filhos.
Ciudad Juárez
As cinco partes em que "2666" está dividido têm dois pontos em comum: um homem e um lugar. O homem é um escritor alemão recluso que nunca ninguém viu, apenas se lhe conhecem os livros. O lugar é a cidade ficcional de Santa Teresa - no deserto mexicano de Sonora, na fronteira com os Estados Unidos -, onde centenas de corpos de mulheres de todas as idades, barbaramente violentadas e assassinadas, são encontrados ao longo de anos nas lixeiras e nos campos baldios em redor das fábricas de montagem de componentes, conhecidas como "maquiladoras". A quarta parte do romance, a mais longa e a mais descritiva, intitulada "a parte dos crimes", dá conta desse horror.
Santa Teresa é na realidade Ciudad Juárez, onde nos anos 90 estes estranhos homicídios começaram a ocorrer. (O jornal "El Mundo", na edição de dia 15 deste mês, dá conta de que os crimes ainda não terminaram.) Logo a partir dessa altura, Roberto Bolaño interessou-se por eles, queria muito entender as circunstâncias do que acontecera, e com todos os pormenores. Mas durante algum tempo o seu conhecimento resumia-se ao que os jornais publicavam. Entretanto, um dos vários amigos mexicanos a quem começou a escrever para pedir pormenores deu-lhe o contacto de um jornalista do "Reforma", Sérgio González Rodriguéz, que tinha começado a investigar os macabros acontecimentos. Rodriguéz publicara já artigos em que afirmava que polícias, políticos e narcotraficantes estavam juntos para proteger os assassinos. E contava várias histórias, entre as quais a da prisão de um "bode expiatório", um tal Sharif, árabe-americano, que estava no México havia menos de um ano e que nem tão-pouco falava castelhano. Em 1999, na Cidade do México, o jornalista foi raptado, assaltado e espancado por desconhecidos quando apanhava um táxi. Escapou à morte anunciada por ter sido atirado para fora de um táxi quando um carro-patrulha se aproximava do veículo que o transportava. (Este jornalista é uma das muitas personagens de "2666", mas é morto pelos raptores.) Na correspondência trocada entre ambos, Bolaño inquiria-o sobre tipos de armas utilizadas, modelos, calibres dos projécteis, marcas de carros suspeitos, descrições físicas de presumíveis implicados, tudo o que pudesse caracterizar os crimes.
Em 2002, aquando do lançamento em Espanha do livro de González Rodriguéz, "Huesos en el Desierto" (Anagrama), em que o jornalista dá conta de todo o seu trabalho sobre o caso, os dois homens encontraram-se frente a frente pela primeira vez. Rodriguéz visitou Bolaño na sua casa em Blanes - isto conta Marcela Valdés num ensaio sobre "2666" - e sabendo que devido à doença o escritor não podia beber álcool, levou-lhe um pacote de meio-quilo de café da casa "La Habana", na Cidade do México, tantas vezes referida no romance "Detectives Selvagens". Mas o fígado de Bolaño também já não suportava o café, de maneira que apenas pode enfiar o nariz dentro do pacote e aspirar o aroma. Meses depois, Roberto Bolaño publicou um ensaio intitulado "Sérgio Rodriguéz debaixo do tornado" em que lhe agradecia a ajuda dada e a informação sobre os atrozes crimes de Ciudad Juárez e dizia que o livro do jornalista "não é apenas uma fotografia do mal e da corrupção; transforma-se numa metáfora do México e de um futuro incerto para a América Latina".
"2666" permanecerá um título obscuro, a menos que entre os muitos apontamentos de Bolaño ainda por classificar, se encontre uma explicação. O executor testamentário e amigo do escritor, Ignacio Echevarría, assinala numa nota à edição do livro uma referência encontrada num anterior livro de Bolaño a uma avenida que se assemelha a um "cemitério de 2666". Outros referem incorrectamente o número apocalíptico da Besta, mas esse é apenas "666". 2666 é, segundo a tradição e calendário judaico, o ano do Êxodo, quando os judeus deixaram de estar sob o jugo do faraó. E um novo tempo iria começar.

25.09.2009 - José Riço Direitinho – Público

Primeiras cargas policiais na Cimeira do G20




Polícia dispersa marcha não autorizada de duas mil pessoas com gás e balas de borracha


A cimeira do G20, que reúne os países mais ricos e os emergentes na cidade norte-americana de Pittsburgh (Pensilvânia) motivou esta manhã confrontos entre a polícia e manifestantes, noticia a «Reuters».
Cerca de duas mil pessoas marchavam contra o capitalismo e a globalização, no centro da cidade, horas antes do arranque das reuniões, marcadas para as 9:30 da manhã, (14:30 em Lisboa), quando se registaram cargas policiais contra o protesto não autorizado.
Os agentes dispararam gás lacrimogéneo e balas de borracha para dispersar a multidão.
Vários manifestantes quebraram montras de lojas e de restaurantes, assim como de uma concessionária de veículos e de um banco, numa zona a escassos quilómetros do centro de convenções onde decorrem as reuniões do G20.
O centro de Pittsburgh está sob fortes medidas de segurança. Milhares de efectivos, entre soldados, polícias e forças de segurança locais, apoiados por helicópteros e blindados, protegem o palco da cimeira.

(Portugal Diário)

Líderes determinam bases para «crescimento sustentável»

Os líderes do G-20, reunidos quinta e sexta-feira em Pittsburgh, Estados Unidos da América, comprometeram-se hoje a «definir as bases para um crescimento vigoroso, sustentável e equilibrado para o século XXI»

Na declaração final da cimeira, as 20 economias mais desenvolvidas e as emergentes concluíram que é preciso deixar para trás «uma era de irresponsabilidade» para suportar uma recuperação económica que já se iniciou mas que está ainda «incompleta».




«Comprometemo-nos hoje a manter a nossa resposta vigorosa até que esteja assegurada uma recuperação duradoura. Actuaremos para nos assegurarmos de que quando voltar o crescimento, voltem também os empregos», lê-se no documento final.



«Vamos evitar a retirada prematura dos estímulos. Ao mesmo tempo, vamos preparar as nossas estratégias de saída e, quando for oportuno, vamos retirar os nossos apoios extraordinários de forma cooperante e coordenada, mantendo os nossos compromissos de responsabilidade fiscal», acrescenta.



Outra das resoluções que saiu de Pittsburgh foi a «reforma da arquitectura global para atender às necessidades do século XXI», em termos económicos e financeiros.



«Designamos o G-20 como o centro principal da nossa cooperação económica internacional. (…) Comprometemos-nos (no Fundo Monetário Internacional) a transferir como quota aos mercados emergentes dinâmicos e aos países em desenvolvimento pelo menos cinco por cento, utilizando a fórmula de atribuição de quotas actuais como ponto de partida para trabalhar».

As 20 potências do G-20 acordaram ainda «levar a cabo novas medidas que incrementem o acesso a alimentos, produtos energéticos e finanças aos (países) mais pobres do mundo, uma vez que ponham fim aos fluxos ilícitos».


Do ponto de vista ambiental e energético, os líderes do G-20 decidiram «racionalizar e finalizar no médio prazo os subsídios ineficazes para o consumo de combustíveis fósseis», bem como «manter a abertura exterior até (que se alcance) um crescimento mais sustentável e verde».

«Lutaremos contra o protecciones. Estamos empenhados em encerrar a Ronda de Doha com sucesso em 2010», refere ainda a declaração final do encontro de Pittsburgh. O G-20 agendou ainda dois encontros para o próximo ano, esperando que a partir de 2011 possa reunir-se apenas anualmente.


(Lusa/Sol)


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Furto de palha embaraça candidatos


Ontem

Dois candidatos à Câmara e Assembleia Municipal de Moura, Alentejo, nas listas do CDS/PP, nas autárquicas de 11 de Outubro, são acusados de terem participado num furto de palha, mas, segundo o JN apurou, não vão ser substituídos.


Os dois homens, ambos de raça cigana, foram surpreendidos em flagrante delito, na companhia de um terceiro, por militares do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da GNR de Moura, quando furtavam palha, numa propriedade privada.

Guilherme R., de 68 anos e João B., de 28, fazem parte das listas do CDS/PP, à Câmara e Assembleia Municipal. O primeiro pode mesmo ser eleito vereador, caso o CDS/PP ganhe as eleições no concelho.

Segundo o major José Candeias, do Comando Territorial de Beja da GNR, a detenção dos dois homens aconteceu quando, na sequência de um "patrulhamento inopinado", os militares os surpreenderam a "furtar palha, que carregavam para uma carrinha"

O caso ocorreu na última sexta-feira, cerca das 18. 30 horas, no sítio da Forca, à entrada de Moura. Quando os militares detectaram a situação, "os indivíduos já tinham cerca de meia centena de fardos de palha", revela José Candeias.

Na sequência da queixa feita pelo proprietário da palha, e por se tratar de um crime semi-público, "os dois indivíduos foram interrogados e constituídos arguidos, passando o inquérito a processo comum", explicou o oficial.

Sílvia Ramos, presidente da Distrital do CDS/PP, e cabeça-de -lista à Câmara de Moura, mostrou-se "surpreendida com a novidade" que lhe foi dada a conhecer pelo JN, e referiu que "iria averiguar o caso e tomar uma decisão".

Posteriormente, a responsável que hoje recebe Paulo Portas em Beja numa das últimas acções de campanha para as legislativas, confirmou a ocorrência, mas diz que envolveu apenas um dos acusados. Assegurou ainda que os dois indivíduos não vão ser substituídos nas listas do partido.

Lembrado a convicção democrata-cristã, Sílvia Ramos foi categórica: "Não vou atirar a primeira pedra" e justificou esta posição com o facto do CDS/PP estar "a fazer um processo de integração". Refira-se que os dois acusados são de etnia cigana. A concluir, a responsável sublinhou que "meia dúzia de fardos de palha", não representa nada comparado com os casos "Freeport, Felgueiras e Apito Dourado".

TEIXEIRA CORREIA (JN)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O que as televisões mundiais escondem





Há algumas semanas, uma jovem pacifista perdeu a vida, Rachel Corrie, de 23 anos. Era uma estudante da Universidade de Olympia (Washington), e pertencia ao Movimento Pela Justiça e Pela Paz.

Com a sua Associação pacifista organizou iniciativas por ocasião do aniversário do 11 de Setembro, em memória das vítimas do desastre e da Guerra do Afeganistão.

Este ano, Rachel decidiu passar da teoria à acção; foi para israel, onde se uniu ao grupo palestiniano Movimento Internacional de Solidariedade.

Com esta Associação participava em acções para bloquear as escavadoras israelitas, que tentavam deitar abaixo as casas dos Kamikazes e dos seus familiares nos territórios palestinianos.

Aos amigos, em diferentes e-mails, escreveu: «Destroem as casas mesmo com gente lá dentro; não têm respeito por nada nem por ninguém.»

A 15 de março, numa acção em Rafah, na fronteira de gaza, Rachel encontrava-se com seus amigos para tentar impor-se ás demolições.

“Estava sentada na trajectória do Bulldozer, o condutor viu-a, continuou e passou-lhe por cima”, declarou Joseph Smih, militante pacifista dos Estados Unidos.

A escavadora deitou-lhe terra em cima e depois pisou-a”, testemunhou Nicholas Dure, outro companheiro.

Os amigos tentaram por todas as maneiras parar a escavadora, e depois prestaram ajuda, mas já nada havia a fazer.

Rachel Corrie, de apenas 23 anos perdeu a vida, quando defendia com o próprio corpo as suas ideias, o direito dos cidadãos palestinianos a terem um tecto e uma terra.

As autoridades israelitas deram diferentes versões do sucedido, todas elas desmentindo a documentação fotográfica e os testemunhos. A jovem foi morta a sangue frio de forma bárbara, quando se manifestava pacificamente.

Rachel e os seus companheiros denunciaram que todos os dias dezenas e dezenas de casas são destruídas na fronteira de gaza, que os bombardeamentos danificam os poços de água doce nos campos de refugiados de rafah e que os mesmos não podem ser reparados pelos trabalhadores palestinianos sem se exporem ás balas israelitas.

Muitas foram as iniciativas em olympia e em todos os estados Unidos para recordar rachel.

Esta exposição quer ser um testemunho para não esquecer Rachel, uma jovem pacifista que, com a sua coragem queria parar as injustiças que todos os dias são cometidas na Palestina.

Actualmente existem acções contra a guerra. Aquele movimento pacifista, o maior que a história já conheceu, tem em rachel Corrie o seu símbolo, uma jovem que foi morta na lógica absurda e brutal da guerra que todos os pacifistas tentam parar.

O Mundo Inteiro Está em Guerra!!!

Que esta corra o mundo inteiro e convença todos aqueles que não querem entender que se exige que neste mundo a paz seja mais importante que qualquer outra coisa.




Uma lágrima no canto do olho

Torna-se cada vez mais triste viver em Portugal, onde já nem o fado é fado, onde a Justiça se contradiz e permite, depois, a candidatura de quem não devia poder candidatar-se, onde voltam suspeitos em plena impunidade – de darem sumisso a uma filha de quatro anos; onde se fala muito e cada vez mais de futebol – e seus casos – onde se continua a “adorar” o computador “Magalhães” – verdadeiro salvador da pátria – mas onde, e até que enfim, se erradicou o balde higiénico das prisões.
Onde um presidente amante de tabus demite um assessor sem mais explicações, onde há protestos diariamente, a condizer com os despedimentos, onde se fala da gripe A como a causadora de muitas mortes – em Portugal a primeira e também até que enfim…
Onde os políticos se insultam e acusam em vez de apresentarem soluções novas para o velho Portugal e portugueses, onde alguém diz “já só faltam quatro mil votos” para ser eleito…
Onde se vai comendo caldo de nabos – num país de nabões e de nabeiros – onde os empresários não pagam os salários aos trabalhadores…
Onde a Justiça aviltada sai “prestigiada”, onde é cada vez mais necessário um regresso ao civismo!
Onde os professores são constantemente “apedrejados” e se conduz sem carta ou seguro, onde a alta e cara joalharia continua de vento em popa nas vendas “apesar da crise”
Sobre quem Bruxelas teme que o TGV não avance
Onde se perdem ou esbanjam setenta milhões de euros para a Agricultura…
Onde a Censura abunda e avança, haja alguém que diga, com toda a clareza – de que os políticos falam refugiados no obscurantismo em que o país vive…
E transparência não opaca como de costume…
Onde a pobreza é a cada dia que passa mais gritante e se gastam milhões em campanhas que nada esclarecem…
Que poderá travar essa lágrima que teima em rolar pela face do português?
Portugal triste, acabrunhado, mísero e esfomeado, não pode evoluir pois só sabe gritar nos estádios quando deveria sair à rua e mostrar o seu descontentamento e todo o repúdio por tudo quanto se passa consigo.
Vamos permitir que a alegria nacional seja abafada pela tristeza?

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Obviamente, não se demitiu

Mas demitiu um dos seus assessores pelas trocas de e-mails, pelas “escutas” à presidência da república. Caso para se perguntar: “quais escutas?”


Havia prometido tomar posição só após as eleições do dia 27. Mas, repentinamente, a coisa tornou-se urgente, já que corre graves riscos de derrota contundente a sua candidata.

Num outro país, num outro mundo, seria ele próprio a demitir-se, a deixar um lugar que já não é o seu. A confiança do povo está mais que abalada.

O que é curioso, diga-se de passagem, é o modo de agir. Pela calada da noite, fazendo recordar outros tempos e outros tiques menos democráticos, nada mesmo tendo a ver com a democracia, eis que, na manhã seguinte, em desesperada tentativa de demonstração de salutar convívio democrático, o seu assessor surge apenas na qualidade de “já eras, já foste” e tenta-se, com semelhante atitude, passar uma esponja sobre tão grave e complicado assunto.

Sabe-se haver pelo menos um jornal diário implicado, ou dito implicado, e também pessoas desse jornal. Todavia, nada se faz, nada mais se diz, porque é melhor assim…

Talvez se calem os costumeiros faladores, talvez alguns nem se apercebam da gravidade de tudo quanto poderia ter acontecido, do que efectivamente se passou.

A realidade é bem outra, porém, pois pode ter-se tratado dum golpe de Estado vindo de dentro para fora. E se assim é ou foi, tratou-se dum movimento subversivo contra a própria essência democrática, implicando acusação a terceiros na tentativa de retirar dividendos eleitorais.

Podemos ser levados a concluir ter-se tratado dum qualquer «Gate» a merecer mesmo a atenção e cuidados das autoridades que podem e devem interferir nessa área suprema da hierarquia política nacional.

A própria demissão pode ser pena leve.

«Enquanto a energia construtiva puder suplantar a fúria destrutiva, prossegue o terrível flagelo arrastando na sua voragem povos e nações.

Mas, qualquer que seja a máquina, por mais aperfeiçoada e poderosa, o verdadeiro e essencial motor será sempre o coração humano!
J C Menezes