segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Autárquicas: Quatro debates televisivos entre os candidatos ao Porto



Os candidatos à Câmara do Porto nas próximas eleições autárquicas vão estar em confronto em quatros debates televisivos. O primeiro está agendado para a próxima quarta-feira, dia 30 de Setembro, às 22 horas, na SIC Notícias. Segue-se, depois um outro no dia 6 de Outubro, no Porto Canal. O última debate deverá acontecer no dia 8, na RTP.
Está ainda agendado um confronto na TVI, que será gravado na próxima sexta-feira, mas que só depois irá para o ar, em data a designar

Na rádio, está previsto apenas um debate, também entre todos os candidatos, na Antena 1, no dia 6 de Outubro.

Parece, assim gorada, a possibilidade de um frente-a-frente com Rui Rio que Elisa tantas vezes reinvindicou, mas que o actual presidente da Câmara do Porto sempre recusou. Rio chegou inclusivamente a mostrar-se disponível para fazer apenas um debate com todos os cabeças-de-lista.

Segundo revelou ao GRANDE PORTO o director de informação do Porto Canal, Fernando Tavares, a estação televisiva regional vai promover, a partir de terça-feira, mais seis debates entre os candidatos a algumas das autarquicas da Região Norte.

O ciclo de debates arranca com o encontro entre os candidatos à Câmara de Matosinhos, seguindo-se, depois, dia 30, a Maia. Vila de Conde (dia 1 de Outubro), Vila Nova de Gaia (dia 2), Gondomar (dia 7) e Valongo (dia 8) são os outros concelhos qu estarão em debate na estação televisiva por cabo.

Autor : João Queiroz

Grandeportoonline

Foto : António Rilo

A dor na vida


Já alguém parou uns instantes para pensar na razão da existência da dor, do sofrimento nas nossas vidas?
Talvez que, num daqueles momentos de extrema angústia, em que o coração parece fortemente apertado, alguém tenha pensado na vida e gritado intmamente: porquê?
Os considerados especialistas, benfeitores espirituais, tentam esclarecer-nos que a dor é uma lei de equilíbrio e educação.
Léon Denis, reconhecido escritor francês, na sua obra “O Problema de Ser, do destino e da Dor”, esclarece-nos que o génio não é somente o resultado de trabalhos seculares; é também a apoteose, a coroação do sofrimento.
De Homero a Dante, a Camões, a Tasso, a Milton…, todos os grandes homens têm sofrido.
A dor fez-lhes vibrar a alma, inspirou-lhes a nobreza, a intensidade da emoção que souberam traduzir com os acentos do génio, o que os imortalizou.
É na dor que mais sobressaem os cânticos. Quando ela atinge as profundezas do ser, faz de lá sair os gritos sinceros, os poderosos apelos que comovem e arrastam multidões.
Pobres dos que tentam ignorar a dor alheia…
Dá.se o mesmo com todos os heróis, com todas as pessoas de grande carácter, com os corações generosos, com os espíritos mais eminentes. A sua elevação mede-se pela soma dos sofrimentos que viveram.
Ante a dor e a morte, a alma do herói revela-se em toda a sua beleza comovedora, na sua grandeza trágica que toca, às vezes, o sublime e o ilumina duma luz inextinguível.
A história do mundo não é outra coisa mais que a sagração do espírito zelador. Sem ela, não pode haver virtude completa nem glória perene.
Se, nas horas de provação, soubessemos observar o trabalho interno, a acção misteriosa da dor em nós, no nosso “eu”, na nossa consciência, compreenderíamos melhor a obra da natureza e a sublime educação e aperfeiçoamento.
A dor é um dos meios para nos chamar a determinados lugares e, ao mesmo tempo, tornar-nos mais rapidamente acessíveis à felicidade.
Ferem-nos, corrigem-nos como a mãe corrige o filho para o educar e melhorar; trabalham incessantemente para nos tornar sempre mais dóceis, para nos martirizar dizendo, no entanto, ser para purificar a vida e embelezar a nossa, porque não podemos ser felizes como eles, talvez apenas na medida correspondente às suas perfeições. (!?)
Muitos perguntam: para que serve a dor? Poderia servir para polir a pedra e esculpir o mármore, fundir o vidro e martelar o ferro.
A dor física é, em geral, um aviso da natureza que procura preservar-nos dos excessos. Sem ela, abusaríamos dos nossos órgãos até ao ponto de os destruirmos antes de tempo. E quando é o tempo? Quando um mal perigoso se vai insinuando em nós, que aconteceria se não sentíssemos os efeitos desgradáveis? Invadir-nos-ia cada vez mais, terminando por secar em nós as fontes da vida. É assim que, no nosso mundo, para o nosso crescimento, a dor ainda se torna necessária. Talvez não tanta…

domingo, 27 de setembro de 2009

O esvaziamento



Equivocam-se os que dizem que a política não se desfará. É toda a sociedade portuguesa que se desfaz se não houver uma rápida mobilização dos cidadãos honrados a fim de impôr o mínimo de sensatez aos actos públicos. Não podemos desculpar-nos com a cise mundial do sistema democrático. Se a cada dia basta o seu cuidado, a cada povo cabe a sua responsabilidade.
Quando se revelou a queda de Wall Street, em consequência da roubalheira continuada pelos que se lembraram que a globalização neoliberal da economia fora engendrada, em Washington e Londres para garantir a exploração dos recursos dos países periféricos. Durante algum tempo, em Portugal, o governo hesitou em acatar ordenes neoliberais, codificadas pelos economistas num manual a que se deu o nome de “Consenso de Washington”.
Mas, como os “sábios” costumam ouvir outros “sábios”, os génios nacionais da economia, senhores de cátedras em Coimbra, Lisboa e Porto, empenharam-se em fazer “os trabalhos de casa”. Agiram sem ouvir ninguém, como se não houvesse vida inteligente no país.
O Consenso de Washington complicou-se no famoso Acordo Multilateral de Investimentos, que se frustrou graças ao bom senso dos cidadãos franceses e canadianos, que o denunciaram. Frustrou-se de modo geral, mas chegou a ser cumprido, nas suas cláuslas isoladas, de forma unilateral, pelos governos dos países do hemisfério sul.
A forte reacção de muitos sectores da vida nacional conseguiu impedir que tudo fosse entregue: salvou-se o essencial de algumas empresas públicas, hoje declaradas quase na falência para, na próxima legislatura serem privatizadas.
Enquanto isso ocorria, a maioria dos homens de bem cuidava, em primeiro lugar, do seu próprio quintal, da sua própria economia, do seu próprio emprego. Se houvesse tempo, dedicavam-no, como obrigação, à família e – mais como hábito que convicção – à sua fé, frequentando os templos.
Há uma frase de Disraeli, o poderoso e controverso primeiro-ministro britânico, que deveria servir de meditação: «O filho de judeus convertidos ao cristianismo atribuiu a grandeza da Inglaterra ao facto de que, naquele país, os homens de bem tê (ou tinham naquele tempo) tanta ousadia quanto os canalhas.»
Falta essa ousadia à maioria dos homens de bem em Portugal, além de informação mais honesta. Muitos dos que, hipocritamente berram na AR e no governo, pelas televisões e rádios, as suas virtudes, não podem ser considerados homens honrados: basta examinar a sua vida conhecida.
Devemos ver a ética como um acto de inteligência, de sabedoria. O apodrecimento da política é, sobretudo, resultado de essencial idiotice. É sempre bom lembrar que idiota em grego significa egoísta.
O egoísmo – antítese de solidariedade, da ética – conduz ao abandono de todos os cuidados no comportamento dalguns homens públicos. O Parlamento que temos é resultado do balançar de ombros dos cidadãos, que vão às urnas todos os quatro anos, mas só se preocupam com a eelição do chefe do poder executivo. Não aprenderam, ainda, que, numa República, não há mais soberanos que o povo, que o Parlamento deve representar.

Primeiro hotel de praia renasce após demolição

Já foi Pensão Viola, Grande Hotel da Rocha e, 103 anos depois, renasceu como Hotel da Rocha. A primeira unidade hoteleira a receber os turistas que há um século descobriram a pequena Biarritz algarvia voltou este Verão a encher-se de banhistas, após uma demolição.




O investimento de 25 milhões de euros na reconstrução do hotel secular foi protagonizado pela cadeia RR Hotels, para restabelecer o fluxo de turistas dos operadores internacionais e elevar a qualidade da oferta de alojamento.

O velhinho Hotel da Rocha, de três estrelas, veio abaixo em 2006 e, dois anos depois, abriu portas o novo Hotel da Rocha, com quatro.

«Este Verão tivemos essencialmente famílias, que nunca tinham optado por este hotel devido ao estado de degradação a que chegou», observou à Lusa Fernando Rocha, administrador da cadeia RR Hotels.

A dimensão da intervenção e a sua importância para a requalificação do destino turístico mereceu que o secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, lhe tivesse reconhecido «utilidade turística».

«Quando adquirimos o hotel, em 2005, pensávamos investir cerca de 2,5 milhões de euros para o requalificar, mas rapidamente nos apercebemos que tínhamos de demolir e de multiplicar esse valor por dez, pois a estrutura não tinha sofrido quaisquer melhorias desde a ampliação que sofreu em 1969», explicou.

Construído em 1906, numa altura em que a Praia da Rocha começava a ser vista por jornalistas de turismo como «a pequena Biarritz» - uma analogia a uma das referências balneares europeias situada na costa atlântica francesa - o hotel foi crescendo ao sabor do sector que despontava na região.

À primogénita Pensão Viola, sucedeu o Hotel Viola, em 1932, e, três anos depois, para dar resposta ao número crescente de turistas que as carroças puxadas por bois - denominadas carrinhas - traziam até à estância balnear, nova ampliação abria portas ao Grande Hotel da Rocha.

«O mundo mudou e este hotel acabou por se tornar num mau exemplo da hotelaria local», disse ainda, fazendo referência ao facto de ter chegado ao século XXI com preços baixos e sem capacidade de responder às exigências de um hotel de primeira linha da costa.

Os dois edifícios que compunham o hotel de três estrelas foram demolidos em apenas dois meses (2006) e deram lugar a um único, «de design moderno e onde a predominância do vidro tenta maximizar a proximidade à praia».

Agora, com quatro estrelas, os responsáveis da RR Hotels podem gabar-se de ter visto as 158 junior suites do renovado hotel ocupadas nos meses de Julho e Agosto, período de soft opening.

«Este período permitiu-nos restabelecer contratos com operadores internacionais e apostar na venda na Internet, meio através do qual efectuámos cerca de 45 por cento das reservas», fez ainda notar Fernando Rocha.

Apesar da crise, a RR Hotels, detida pelos empresários Fernando Rocha e Renato Pereira, pretende continuar a aumentar a sua oferta no concelho de Portimão, que actualmente conta com o Hotel Júpiter e com o Aparthotel Amarilis.

Paralelamente à renovação do Hotel da Rocha, o grupo está a construir uma outra unidade hoteleira com 400 apartamentos de quatro estrelas em Alvor, um investimento de cerca de 60 milhões de euros.

Lusa / SOL

"Milagres"e orações em armazém tiram sossego


Populares pedem explicações

Culto praticado em espaço sem licença leva moradores a pedir medidas


Gritos, música, cânticos. Há um ano que moradores da Rua do Parque da República, em Vila Nova de Gaia, se queixam da falta de sossego desde que uma seita religiosa ocupou, ilegalmente, um armazém, e faz "milagres" e orações à noite.

"São gritos, são desmaios, é uma histeria. Mesmo com as portas e janelas fechadas, o barulho é tanto que não se ouve nada dentro das casas". A afirmação é de Maria da Conceição Pinto, uma das residentes na rua que tem vindo, insistentemente, a alertar as autoridades para a falta de sossego na vizinhança.

A seita religiosa, denominada"Igreja Evangélica - Assembleia de Deus e Novas da Paz", anuncia os horários das orações na porta: diariamente, a partir das 20horas, aos domingos, a partir das 17 horas.

"Começou por ser às quintas-feiras e aos domingos, mas agora é todos os dias à noite e ao domingo todo o dia", conta Fátima Pinto, outra contestatária. Para além das orações "recheadas de dramatismo" e dos "milagres" à mistura, os moradores queixam-se de outro barulho: o dos tambores. "Nós até nos assustamos. Para além dos gritos, são os bombos a tocar, eles a cantar...É pior do que uma banda", desabafam, em uníssono, os moradores.

Armindo Correia, de 70 anos, vive ainda mais de perto o "inferno". Mora por cima do armazém, antiga fábrica de confecções, e há um ano para cá, que tem sido obrigado a mudar os seus hábitos. "Tive que me privar da minha filha vir cá almoçar aos domingos com as minhas netas, porque as crianças ficam assustadas e não conseguem fazer a sesta", conta o inquilino. "A partir das 14.30 horas, começam a tocar os tambores. Fecho todas as janelas, mas mesmo assim, não há sossego", diz.

Também Maria da Conceição apresenta os seus motivos. "O meu marido é doente oncológico, chega a casa, quer descansar e não pode". A irmã, Fátima Pinto, recorda o episódio vivido há alguns meses, quando a mãe foi vítima de um Acidente Vascular Cerevral (AVC). "Fui pedir-lhes para fazerem menos barulho e eles ainda queriam vir cá tratá-la". O pedido foi acatado por uns tempos, "mas depois esqueceram-se".

O barulho prolonga-se até depois das 22 horas, pelo que a Polícia já foi chamada várias vezes ao local. "Dizem-nos que temos que recorrer à Gaiurb", refere Armindo Correia. "Fui e apresentei queixa. Eles vieram cá, disseram que tinha razão, mas a verdade é que nunca mais cá voltaram". Já passou meio ano, e, entretanto, houve novas visitas da Polícia. "Disseram-nos que a única solução é fazer um abaixo-assinado e mandar para a Câmara".

Alexandrina Brandão, que vive ao lado do armazém, fala em falta de informação. "Não sabemos a quem nos dirigir. As autoridades deviam ouvir-nos e o senhoria devia ter-nos consultado", critica. "Não há uma lei do ruído para cumprir?", interroga Aldina Silva.

Maria Eduarda Filipe mora em frente ao "lugar de culto", tem 80 anos e as mesmas queixas. "Nem com tudo fechado se consegue ouvir o televisor", reclama, acrescentando que no seu prédio, "os inquilinos são padeiros e levantam-se às quatro da manhã".

Recusando estarem a vetar o direito ao culto religioso, os queixosos argumentam: "Cada um é livre de ter a sua religião desde que não incomodem os outros".

00h30m

VERÓNICA PEREIRA (Jornal de Notícias 27/9/2009)

A falta de patriotismo


O português ganhou vergonha de parecer ufano, na base do “porque-me-sinto-orgulhoso-de-ser-português.” Talvez por isso, o português tenha colocado na cabeça que Portugal possui, relmente, os campos de golfe mais fantásticos do mundo.

Parece vergonhoso falar disto, mas no Alentejo, onde havia searas produtoras de trigo, hoje vêm-se magníficos campos de golfe. Pena é a água do Alqueva ser tão tóxica, não dando para uma exploração séria.

É quase um recorde mundial, sim, e que somente encontra concorrentes nos Estados unidos e talvez na Grã-Brteanha. Refiro-me aos campos de golfe.

Respiremos fundo, agora: são esses campos de golge, absolutamente fantásticos, os mais produtivos do mundo, que os governos já começaram a doar às multinacionais em dificuldades, com a ajuda de determinada imprensa.

Há tempos, numa espécie de leilão, o presidente duma agência do governo, teve a coragem (ou outra coisa qualquer), de pedir um preço simbólico de cinquenta mil a cento e cinquenta mil euros (com todas as letras e números) de euros, aos investidores dessa área. O golfe.

Usou uma desculpa para tentar justificar esses preços sórdidos: o mercado golfista mundial estaria em baixa, e o turismo também. Ah! A gripe A H1N1 pode ter contribuído para isso, de nada valendo as óptimas reservas de Tamiflu. Acontece, porém que desde Janeiro, os preços têm subido, quase duplicaram, fenómeno que merecia manchetes e que nem sequer foi noticiado pela grande imprensa. Não se faz. E se em vez de golfe, fossem campos petrolíferos?

A verdade foi escondida para que a sociedade golfista não discutisse os preços exigidos – ou o que nseria ainda mais importante - discutisse a própria política de transformação das searas em campos onde se dão umas tacadas sobre relva fresca e viçosa. Mais claramente: se os campos são os mais fantásticos do mundo , se os lucros são fabulosos, porquê, então, o responsável do governo não vende acções golfistas a todos os portugueses que, bem divulgadas em cada vez mais publicidade nos canais públicos de televisão?

Ah! Sim: no primeiro leilão, alguns campos (ex-searas) foram comprados por milhões de euros, mil vezes o preço pedido, tendo sido depois apresentado como um resultado algo fantástico. Mas não o é. É uma ninharia. Esmola a um pobre. Basta ver esses campos, que podem facturar entre dois a quatro milhões por ano.

As oposições precisam de se mobilizar e com elas a sociedade portuguesa, contra o assalto aos campos de golfe.

Dizem-nos que a economia está estável, que o pior da crise já lá vai. No entanto, a indústria recua 7%. Sectores com maior queda? Telecomunicações e equipamentos para energia eléctrica. Isto é, as multinacionais “compradas” das estatais continuam a abocanhar tudo. Desempregam e continuam a torrar dólares afundando ainda mais Portugal. As privatizações levaram o nosso país de volta ao passado. Voltou a ser uma “republiqueta” dependente. Ou será colónia?

Políticos devem "pagar" pelos erros grosseiros

Noronha do Nascimento defende responsabilização igual à dos juízes
00h30m

O presidente do Conselho Superior da Magistratura, Noronha do Nascimento, defendeu ontem, sexta-feira, que os políticos devem, como os juízes, poder ser responsabilizados por "erros grosseiros" cometidos na sua actividade.


Na abertura do VI Encontro do CSM, que hoje termina em Tomar, Noronha do Nascimento questionou por que razão não se alarga o modelo de responsabilidade civil dos juízes - que pode levar um juiz a ter de reembolsar o Estado por indemnizações pagas baseadas em decisões erradas - a "outros titulares de soberania, para além dos juízes, quando há casos de dano efectivo que atingem o cidadão".

Noronha do Nascimento afirmou que há exemplos visíveis de situações lesivas "no âmbito de manifesta inconstitucionalidade ou de opções políticas subsequentes a declarações preventivas de inconstitucionalidade".

O presidente do CSM criticou a lei que estabelece que o Estado pode ser processado por erros graves ou dolosos cometidos por magistrados no exercício da actividade dos tribunais, podendo pedir reembolso ao juiz, o chamado "direito de regresso", por ser demasiado vaga.

A Lei da Responsabilidade Extracontratual do Estado, disse, é "criticável" por dizer que um juiz pode ser responsabilizado quando comete um "erro grosseiro na apreciação dos pressupostos de facto que conduzem à prisão preventiva", mas por não tipificar quais são esses erros grosseiros, ao contrário, por exemplo, da lei italiana.

Noronha do Nascimento argumentou que a lei terá de ser alterada, afirmando que "casos recentes" confirmam-no. Atribui a "culpa" ao "sistema antigo de nomeação de juízes em início de carreira para tribunais que deviam exigir uma experiência longa".

O CSM, que segundo a lei deve dar um parecer prévio sobre o direito de regresso quando um tribunal superior determinar que houve falha grave de um magistrado, congelou uma nota de "Muito Bom" a Rui Teixeira, primeiro juiz do processo de pedofilia da Casa Pia, que ordenou a prisão preventiva de Paulo Pedroso.

Noronha do Nascimento defendeu ainda que os juízes devem ter "poderes processuais discricionários" para "parar ou evitar incidentes" que só visem atrasar os processos, ou seja, ser uma "polícia processual". Na sua opinião, os juízes devem poder fixar as regras do processo, limitar tempos de instância e número de testemunhas, recusar incidentes "inúteis e dilatórios" e fixar "prazos curtos".


(Jornal de Notícias – 26/9/2009)