segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A dor na vida


Já alguém parou uns instantes para pensar na razão da existência da dor, do sofrimento nas nossas vidas?
Talvez que, num daqueles momentos de extrema angústia, em que o coração parece fortemente apertado, alguém tenha pensado na vida e gritado intmamente: porquê?
Os considerados especialistas, benfeitores espirituais, tentam esclarecer-nos que a dor é uma lei de equilíbrio e educação.
Léon Denis, reconhecido escritor francês, na sua obra “O Problema de Ser, do destino e da Dor”, esclarece-nos que o génio não é somente o resultado de trabalhos seculares; é também a apoteose, a coroação do sofrimento.
De Homero a Dante, a Camões, a Tasso, a Milton…, todos os grandes homens têm sofrido.
A dor fez-lhes vibrar a alma, inspirou-lhes a nobreza, a intensidade da emoção que souberam traduzir com os acentos do génio, o que os imortalizou.
É na dor que mais sobressaem os cânticos. Quando ela atinge as profundezas do ser, faz de lá sair os gritos sinceros, os poderosos apelos que comovem e arrastam multidões.
Pobres dos que tentam ignorar a dor alheia…
Dá.se o mesmo com todos os heróis, com todas as pessoas de grande carácter, com os corações generosos, com os espíritos mais eminentes. A sua elevação mede-se pela soma dos sofrimentos que viveram.
Ante a dor e a morte, a alma do herói revela-se em toda a sua beleza comovedora, na sua grandeza trágica que toca, às vezes, o sublime e o ilumina duma luz inextinguível.
A história do mundo não é outra coisa mais que a sagração do espírito zelador. Sem ela, não pode haver virtude completa nem glória perene.
Se, nas horas de provação, soubessemos observar o trabalho interno, a acção misteriosa da dor em nós, no nosso “eu”, na nossa consciência, compreenderíamos melhor a obra da natureza e a sublime educação e aperfeiçoamento.
A dor é um dos meios para nos chamar a determinados lugares e, ao mesmo tempo, tornar-nos mais rapidamente acessíveis à felicidade.
Ferem-nos, corrigem-nos como a mãe corrige o filho para o educar e melhorar; trabalham incessantemente para nos tornar sempre mais dóceis, para nos martirizar dizendo, no entanto, ser para purificar a vida e embelezar a nossa, porque não podemos ser felizes como eles, talvez apenas na medida correspondente às suas perfeições. (!?)
Muitos perguntam: para que serve a dor? Poderia servir para polir a pedra e esculpir o mármore, fundir o vidro e martelar o ferro.
A dor física é, em geral, um aviso da natureza que procura preservar-nos dos excessos. Sem ela, abusaríamos dos nossos órgãos até ao ponto de os destruirmos antes de tempo. E quando é o tempo? Quando um mal perigoso se vai insinuando em nós, que aconteceria se não sentíssemos os efeitos desgradáveis? Invadir-nos-ia cada vez mais, terminando por secar em nós as fontes da vida. É assim que, no nosso mundo, para o nosso crescimento, a dor ainda se torna necessária. Talvez não tanta…

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