sábado, 6 de março de 2010

A cigarra e a formiga

Versão universal: “A formiga trabalha duramente todo o Verão. Constrói a sua casa e prepara as provisões para o Inverno. A cigarra pensa que a formiga é estúpida, ri-se, dansa e brinca, sempre cantarolando. Uma vez chegado o Inverno, a formiga fica no quentinho e bem alimentada. A cigarra, tremendo de frio, não tem alimentação nem abrigo e morre de frio.”


Outra versão: A formiga trabalha duramente todo o Verão. Constrói a sua casa e prepara as provisões para o Inverno. A cigarra pensa que a formiga é estúpida, ri-se, dansa e brinca, sempre cantarolando. Uma vez chegado o Inverno, a formiga fica no quentinho e bem alimentada. A cigarra, com frio e com fome, orgniza uma conferência de imprensa e pergunta qual a razão de a formiga ter o direito a uma casa confortável e alimentação, enquanto os outros, com menos sorte que ela, têm frio e fome.



A televisão organiza emissões em directo que mostram a cigarra tremendo de frio, e passam extractos de vídeos da formiga bem quentinha na sua casa confortável, com uma mesa cheia de provisões.


O povo fica chocado porque, num país tão rico, se deixa sofrer esta pobre cigarra enquanto outros vivem na abundância.

Algumas associações contra a pobreza e a fome, manifestam-se em frente à casa da formiga.
 

Os jornalistas organizam entrevistas, perguntam como pôde a formiga tornar-se tão rica enquanto a cigarra mendiga, e interpelam o governo para aumentar os impostos à formiga a fim de que ela pague a sua justa parte.


As centrais sindicais e alguns partidoss revolucionários organizam manifestações em frente à casa da formiga. Os funcionários decidem fazer greve de solidariedade, de uma hora diária com duração ilimitada.

Um “filósofo” em moda, escreve artigos e dá entrevistas demonstrando as ligações da formiga com os torcionários de Auschewitz.


Em resposta às sondagens, o governo redige uma lei sobre a igualdade económica e uma outra (retroactiva ao Verão) de anti-discriminação. Os impostos da formiga são aumentados e ela recebe também uma multa por não ter dado emprego á cigarra, como ajuda.


A casa da formiga é arrestada pelas autoridades, pois não tem dinheiro suficiente para pagar a multa e os impostos. A televisão faz uma reportagem sobre a cigarra, agora bem gordinha. Está a ponto de terminar as últimas provisões da formiga, embora a Primavera esteja ainda longe.

Manifestações de artistas e escritores acontecem regularmente na casa da formiga. Um cantor compõe uma canção: “Formiga, fora daqui…”



A antiga casa da formiga, tornada alojamento social para a cigarra, deteriora-se já que ela nada faz para a manter em boas condições. São feitas críticas ao governo por falta de meios. Uma comissão de inquérito é posta em prática, o que custará mais de dez milhões de euros e a cigarra morre de overdose.


Alguns jornais comentam o falhanço do governo no que diz respeito ao problema das desigualdades sociais. A casa saqueada por um gang de imigrantes, que organizam uma rede de tráfico de marijuana e aterroriza a comunidade.


O governo felicita-se pela diversidade multicultural daquele país e apresenta um Orçamento de Estado no mínimo bizarro.


sábado, 20 de fevereiro de 2010

A gestão estratégica


1 – Um indivíduo dirige-se para o quarto de banho quando a mulher acaba de sair. Está a secar-se quando toca a campainha. Após alguns segundos para ver quem iria abrir a porta, a mulher desiste, envolve-se numa toalha e desce as escadas. Quando abre a porta vê o Alfredo, seu vizinho. Antes que possa dizer qualquer coisa, ele diz: “dou-lhe quinhentos euros se deixar cair essa toalha. Depois de pensar alguns segundos, ela deixa cair a toalha… Então, Alfredo enrega-lhe os quinhentos euros prometidos e vai embora. Confusa mas excitada com a sua sorte, ela volta a embrulhar-se na toalha e volta para o quarto. Ao entrar, o marido grita desde debaixo do chuveiro. «Quem era?» “Era o nosso vizinho Alfredo.” Óptimo. Deu-te os quinhentos euros que me devia?»


Moral da história: “Se partilha informações a tempo, pode prevenir exposições desnecessárias.”



2 – Um padre conduz o seu carro por uma estrada quando vê uma freira, de pé na berma. Pára o carro e oferece uma boleia, que a freira aceita. Entra no carro, cruza as pernas, revelando toda a sua beleza feminina. O padre descontrola-se e quase bate com o carro. Depois de conseguir controlá-lo e evitar o acidente, não resiste e coloca a mão na perna da freira. Esta olha-o e diz: “Padre, lembre-se do salmo 129” Sem graça, o padre desculpa-se: «Desculpe, irmã: a carne é fraca…» E retira a mão da perna da freira. Mas esta diz: “Padre, lembre-se do salmo 129.”


Chegando ao seu destino, a freira agradece e, com um sorriso enigmático, desce do carro e entra no convento.

Quando chega a casa, o padre corre para as Escrituras, para ler o salmo 129, que diz: «Vai em frente, persiste; mais acima encontrarás a glória do paraíso.»

Moral da história: “Se não estamos bem informados sobre o nosso trabalho, podemos perder excelentes oportunidades.”


3 – Dois funcionários e o gerente duma empresa saem para almoçar. No passeio encontram uma antiga lamparina de azeite. Esfregam-na e de dentro sai um génio, que diz: “Só posso conceder três desejos. Então,concederei um a cada um de vós.”


Um dos funcionários, grita: “Eu primeiro. Quero estar nas bahamas a conduzir um barco, sem qualquer preocupação na vida…” O outro, diz excitado: “Quero estar no Hawai com o amor da minha vida e uma bela conta bancária.” E…puf, desapreceram os dois.

O gerente, sendo a sua vez, diz: “Quero ver esses dois no escritório daqui a meia hora.”

Moralidade: “Deixe que seja o chefe a falar primeiro.”


4 – Em África, todas as manhãs um veadinho acorda a saber que deverá conseguir correr mais que o leão se quiser manter-se vivo. Todas as manhãs o leão acorda a saber que deverá correr mais que o veadinho se não quiser morrer de fome.


Moralidade: “Não faz diferença se somos o veadito ou o leão: quando o sol nascer temos que começar a correr!”


5 – Um corvo está pousado numa árvore todo o dia sem fazer nada. Um pequeno coelho vê o corvo e pergunta-lhe: “Posso sentar-me ao teu lado e não fazer nada o dia inteiro?” “Claro, porque não?” O coelho senta-se debaixo da árvore. De repente, aparece uma raposa e come-o.


Moralidade: “Para ficar sentado sem fazer nada, tem que se estar no topo!”




6 – Um lavrador resolve colher alguns frutos na sua propriedade; pega num balde e segue rumo às árvores do seu pomar. No caminho, ao passar junto auma presa, ouve vozes femininas que, provavelmente invadiram as suas terras. Aproxima-se lentamente e observa quatro raparigas a tomarem banho. Quando se apercebem da sua presença, nadam para a parte mais funda e gritam: “Vá-se embora e deixe de nos olhar!” «Não vim aqui para as olhar. Vim dar de comer ao crocodilo.»


Moralidade: “A criatividade é quem faz a diferença no momento de atingir-mos os nossos objectivo mais rapidamente.”

domingo, 14 de fevereiro de 2010

É necessário mudar a receita




A nossa democracia nasceu há muito pouco e, no seu breve tempo de vida, esta criatura faminta e enferma, não recebeu nada além de bofetadas. Era ainda recém-nascida em 1974, quando tentaram assassiná-la. Três anos depois, ressuscitou.
Depois de terem colocado e retirado uns quantos de cirdculação activa, fizeram e impuzeram-nos uma espécie de governo do que foi o primeiro eleito pelo voto popular na história recente de Portugal, que teve a louca aspiração de querer um país menos injusto. Obrigaram-no a meter os seus ideais numa profunda gaveta, que fecharam a sete chaves, deitando-as depois ao mar para que jamais pudessem ser encontradas.
Para apagar as nódoas de certas participações estrangeiras, os infantes do novo regime levaram cento e sessenta mil páginas de arquivos secretos. Alguns ficaram acorrentados e outros bem livres.
Deram-nos permissão de votar, mas proibiram-nos de participar na vida activa da política nacional; algum burocrata de quarta categoria do FMI ou do Banco Mundial, tinha mais poder que qualquer presidente ou governo português.
Mais que o voto, pode o veto. Veto às reformas: cada vez que algum dos ministros solicitava créditos internacionais, para poder dar pão aos famintos, instrução aos analfabetos ou terra aos camponeses, não recebia respostas ou contadiziam-no, ordenando-lhe: “Faça os trabalhos de casa”. E, como o governo português nunca aprendeu que devia desmantelar os poucos serviços públicos que ainda restam, últimos pobres amparos para um dos povos mais desamparados e sacrificados no passado século no mundo, os professores – éramos os bons alunos – acabavam por reprovar.
Portugal começou a ser visitado por políticos de toda a Europa. Assim que chegavam, a miséria do povo atingia-os frontalmente. E um deles chegou a dizer: “Qual é o problema?” “Este país tem demasiada população. A mulher portuguesa quer e o português pode sempre.” E riu-se…
Os políticos portugueses calaram-se. Numa noite, algum deles consultou os números e comprovou que Portugal é o país mais super-povoado da Península Ibérica, tanto como a Alemanha, nas devidas proporções, já que tinha e tem a mesma quantidade de habitantes por quilómetro quadrado. Na sua passagem por Portugal, alguns estrangeiros de vulto foram atingidos pela miséria, ficando também deslumbrados pela capacidade de expressar a beleza dos fadistas populares, e chegou á conclusão de que o nosso país está super-povoado… de artistas.
Na realidade, o alibi demográfico é mais ou menos recente. Até há alguns anos, as potências ocidentais falavam mais claro. Alguns estrangeiros consideram os portugueses incapazes de singrar na vida,, bons apenas para trabalhar duramente como imigrantes nos seus países.
Portugal fora a pérola da coroa europeia: navegadores, colonizadores, vendedores de escravos, que espalharam pelo mundo, porque se torna impensável que Deus tenha dado uma alma, sobretudo boa, a um corpo inteiramente negro, mesmo se colocou um chicote na mão do feitor.
A história de assédio contra os portugueses, que nos nossos dias tem dimenssões de tragédia, é também uma história do racismo e da xenofobia ocidental.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Do nascimento à reforma

Com amizade, eis os veículos da vida.

Desde o espreguiçar do amanhecer, a aurora abraça o sol, acordando homens e mulheres para os exercícios no arrebol.


Todos correm para os campos da vida, na diversidade das suas diferenças.


Com as mãos no arado, trabalham duramente toda a vida.


Valentes, erguem nos seus braços bandeiras,ferramentas e, na consciência responsabilidades.

No uso da sua função que alenta, seja caneta ou bisturi, enxada ou mesmo num liberal, não importa o instrumento, todos trabalham por igual, mas recebendo muito desigualmente.


Dignificando o tempo, marcham ao encontro do promissor.


Prosperidade para o amanhã, recompensa do labor.

Abençoadas são as mãos de quem trabalha.



Após todos os anos vividos a trabalhar e dado que prolongam cada vez mais a idade da reforma, acaba-se por ter de se arranjar «esta maravilha» para nos transportar ao local de trabalho.


Gasta pouca gasolina mas reune todas as necessidades.

Lembrem-se de que «As pessoas estão primeiro!!!»


Os reformados são preciosos!


Mais preciosos que não importa quais novas gerações!

Têm dinheiro no cabelo!

Têm ouro nos dentes!

Têm pedras nos rins e na vesícula!

Têm chumbo nos pés e...

Estão repletos de gás natural!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A luta pela afirmação


Os adolescentes são conhecidos pela necessidade de ensaiar a sua independência e os seus direirtos. No entanto, as investigações sobre este assunto demonstram que os pais e os adolescentes, na sua maioria, se relacionam surpreendentemente bem. Isso pode dever-se ao facto de, na maior parte, os pais, pelo menos nas sociedades ocidentais, já estarem à epera que os filhos adolescentes desafiem os seus costumes e valores tradicionais.


Durante a adolescência, é natural que o jovem tenha dúvidas sobre a sua identidade própria e os seus objectivos na vida, inclusive os sexuais. Estas questões, embora nem sempre conscientemente formuladas, exprimem as preocupações sentidas quanto à sua futura adaptação ao mundo dos adultos.



As amizades podem ser muito positivas ou devastadoras, pois revelam relidades sobre si próprios e o seu lugar no mundo. Os adolescentes com fraca auto-estima são, geralmente, filhos de pais indiferentes aos seus sucessos ou fracassos. Sem orientação nem objectivos claros, estes jovens têm dificuldade em desenvolver capacidades de iniciativa. Por outro lado, alguns pais adoptam uma atitude excessivamente protectora, que destrói todo o esforço dos filhos para crescerem e serem autónomos. Um dos mitos da adolescência é a convicção de que sabem mais do que o suficiente acerca de sexo.


Apesar da sexulidade explícita hoje revelada no cinema, na televisão, nos vídeos e até na Internet, muitos adolescentes continuam completamente ignorantes em múltiplos aspectos da vida sexual. Muita dessa ingenuidade pode dever-se ao facto de estarem ainda a adquirir o raciocínio abstracto e não entenderem claramente as leis da probabilidade.


Os adolescentes têm de qprender que podem controlar o seu impulso sexual. Esta questão é particularmente importante, pois é comum pensar-se que a excitação sexual dos adolescentes é tão avassaladora que não podem ser culpados de perder a cabeça e dee se esquecerem de que do coito pode resultar uma gravidez.


No dia 8 do mês de Janeiro de 2010, foi aprovado na Assembleia da República um projecto de lei que pretende legalizar os «casamentos» entre pessoas do mesmo sexo, projecto com o qual não posso estar de acordo, uma vez que a ideia de desdramatizar e desmistificar o sexo não é, de forma alguma, através da homossexualidade.



Segundo Sigmund Freud, “os jovens podem experimentar sentimentos eróticos pelos dois sexos, mas, na idade adulta, o impulso sexual é mais regularmente dirigido ao sexo oposto. Os homossexuais não seguem este padrão, porque nalguns casos a sua ligação excessiva ao progenitor do sexo oposto os faz temerem a violação dos tabus do incesto. A homossexualidade pode resultar da ligação excessiva da criança ao progenitor do mesmo sexo, de que resulta uma fixação narcisista que a criança, mais tarde, tenta reproduzir numa relação homossexual.”


Num estudo recente, verificou-se que certos homossexuais, durante toda a vida, reagem à hormona estrogénio de forma diferente dos heterossexuais, mas não se chegou a conclusões definitivas sobre uma posível ligação deste facto com as tendências sexuais.


Embora as opiniões de Freud sejam, de certo modo ambíguas, as suas teorias têm sido interpretadas como significado de que a homossexualidade é um estado patológico, mas tratável pela terapia psicanalítica.



Em Portugal, uma vez mais, optou-se pela solução mais fácil e, ao mesmo tempo, aquela que pode render votos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

As sete maravilhas do mundo




Foi pedido a um grupo de alunos que escrevessem uma lista do que pensavam ser “as sete maravilhas do mundo” dos nossos dias.
Houve algumas diferenças mas, eis as que tiveram o maior número de votos:
1.As Grande Pirâmides do Egipto; 2. O Taj Mahal; 3. O Canal do Panamá; 4. O Empire State Building; 5. A Basílica de Saint Pierre; 6. O Grande Canyon; 7. A Grande Muralha da China.
Enquanto se contavam os votos, a professora nota que dois estudantes ainda não tinham entregue os seus papeis.
Então, pergunta aos jovens se tinham alguma dificuldade em fazer as suas listas.
Um deles respondeu: “Sim, um bocado. É difícil escolher, porque existem tantas..!”
A professora diz-lhe: Diz o que já escreveste e talvez te possa ajudar.”
O jovem exitou e depois disse: “Penso que as sete maravilhas do mundo são:
I . Ver; II. Ouvir; III. Tocar; IV: Provar; V. Sentir; VI. Rir; VII. Amar…
Todos ficaram em silêncio absoluto. Estas coisas são de tal maneira simples e banais que nos esquecemos até que ponto são maravilhosas!
Então, a professora vira-se para o outro aluno indeciso, e após fazer-lhes as mesmas perguntas, obteve a seguinte resposta, com uma subtil ponta d humor:
Em tempos remotos, um primeiro-ministro foi ouvir umas baladas e, chegado ao local, é-lha barrada a entrada por um segurança da época.
“Por favor, senhor, queira identificar-se.”
«Como? Identificar-me? Eu sou o primeiro-ministro, não me está a ver?»
“Perdoe-me, senhor, mas existem muitos sósias e, por tal motivo, a ordem dos organizadores da festa é para permitir apenas a entrada mediante a apresentação do documento identificativo.”
«Bolas. Não trouxe nenhum.»
“Bem, senhor, esse tipo de situações já aconteceu com outras pessoas conhecidas. Por exemplo, O Robin dos Bosques, que também se esqueceu da documentação. Pedi-lhe que acertasse com uma flecha numa maçã a vinte metros, e ele fê-lo à primeira e ao dobro da distância. Outros também se esqueceram da documentação e pedi-lhes que dissessem algumas frases em latim e grego, e de imediato me convenceram, acabando por entrar sem apresentarem documento algum.”
«Caramba! Mas eu não sei fazer coisa nenhuma!»
“Seja bem-vindo, senhor primeiro-ministro e perdoe-me pelo transtorno.”
A professora perguntou um tanto admirada: “Qual é essa maravilha de que pretendes falar-nos?”
O aluno, responde que a honestidade do segurança, que não se deixou subornar…
Lembremo-nos: As coisas mais preciosas não se podem comprar ou serem feitas pelos simples mortais. O silêncio que se seguiu foi ainda mais profundo e admirativo.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

De Pasteur a Claude Bernard




Louis Pasteur, filho dum curtidor do Franco Condado, era um discreto professor de química. Formou-se na então generalizada crença de que as fermentações eram de carácter químico. Mas, as suas experiências indicaram-lhe que não. Em contracorrente, demontrou que tinham natureza biológica.
Revolucionou o empírico mundo da enologia, fazendo ver que o mosto se convertia em vinho, por obra duma levedura microscópica. O mesmo organismo produzia cerveja a partir de cevada macerada, wort de whisky a partir de cereais malteados, e pão a partir de farinha amassada em água.
Apercebeu-se também que o leite se tornava quijo por mecanismos parecidos, causados por outros micróbios, concretamente bactérias e fungos vários. Havia micróbios por toda a parte. Em 1862 descobriu que pequenos choques térmicos matavam os microorganismos sem danificar o produto. Essa técnica, amplamente usada, chama-se, como é evidente, pasteurização.
Todas estas surpreendentes descobertas desbodaram o ãmbito alimentar. Afectaram também a medicina. E como. Pasteur demonstrou que muitas doenças eram obra de micróbios, sobretudo bactérias. Constatou as reacções imunitárias e concebeu a astúcia da vacinação. Passaram anos, até que os quimioterápicos primeiro e os antibióticos depois, permitissem combater eficazmente os microorganismos patogénicos, mas a medicina deu um enorme salto irreversível, desde a descoberta da origem alóctone e biológica das doenças infecciosas. Irreversível e positivo, mas não isento de problemas processuais.
A partir de Pasteur, o médico de doentes começou ser deslocado para o médico das doenças.
Mais que os tuberculosos, interessava a tuberculose. Ficava de certo modo deslocada, assim, a linha iniciada pelo grande filósofo Claude Bernard, colega de Pasteur e co-inventor do processo de pasteurização. Bernard era um homem emocionalemente instável. Cometeu muitos erros de apreciação e fez-se maldizer, mas criou a medicina experimental e tornou claros muitos processos fisiológicos. Para ele, a doença não se entendia se não se compreendia o doente.
Os antibióticos, a cirurgia e as modernas técnicas de diagnóstico escoraram a medicina covencional alopática. Já não se apalpa o doente, ed raramente se ausculta. Sobretudo, não se ouve. No essencial, quero dizer. Fazem-se exames de todo o género e receita-se. Ou opera-se. Daí, o interesse crescente pelas chamadas medicinas alternativas, que por vezes são práticas empíricas mais ou menos eficazes, às vezes mero palavreado, mais raramente paradigmas médicos distintos, mas cientificamente rigorosos. É uma pena, porque a confusão dificulta a emergência duma medicina para doentes ajustados aos tempos modernos.
Ocorre o mesmo com a sustentabilidade, que vem a ser uma maneira bernardiana de melhorar a aproximação pasteuriana ao sistema produtivo e sócio-ambiental. O interesse das pessoas vê-se deslocado pela pretensa eficácia dos processos económicos. Combatem-se as crises económicas a golpe de receita bancária, prescindindo da cidadania. Pretende-se erradicar as doenças financeiras à margem da saúde sócio-económica, arteiramete equiparada ao crescimento. Jamais soubemos tanto. Nunca tiramos tão mau partido do saber.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Bons propósitos



Por mais discursos oficiais que nos caiam em cima, o fim de ano não é mais que uma convenção astronómica. Trata-se simplesmente de que a Terra se encontra, todos os anos e em relação ao sol, no mesmo lugar no qual se encontrava no ano passado. Ou seja, que a nossa sombra tem a mesma longitude sobre o solo, as árvores mantêm as poucas folhas que lhes restam, a cerveja continua a marcar a fronteira entre o líquido e a espuma e o fumo que sai pelas chaminés perfuma o ar com a mesma frgância que nos anos anteriores.



Fica, isso sim, o factor humano. Porque os anos são a medida do tempo que mais se adapta ao nosso crescimento. Os anos, os preços dos transportes e o preço das coisas e as esperanças não cumpridas.


Hoje, em vigília e novas agendas, é um bom momento para fazer uma lista de bons propósitos, sabendo que no ano novo esses bons propósitos serão tão constantes como a longitude da sombra, o sabor da cerveja ou o fumo que cega os olhos das pessoas de Inverno.


Gostaria que os ecrãs da Internet fossem realmente um invernador de pequenas sabedorias em vez de ser o jardim de infância daqueles que só sabem insultar desde o anonimato. Gostaria de deixar de entender a política como o sucedâneo de todas as proibições e não como a arte de impulsionar todas as ideias realmente construtivas.




Assinaria agora mesmo para que as pessoas voltassem a ler antes de tergiversar o que, na realidade, nunca chegaram a ler. Sentir-me-ia muito mais seguro num mundo onde a verdade contrastada valesse mais que o simples rumor.



Às vezes viveria tranquilo, deixando que os sentimentos fossem mais respeitáveis que os princípios. Tranquilizar-me-ia imaginar que os movimentos da alma humana levassem á compreensão, antes que a moral social os levassem à Inquisição.


Conformar-me-ia com sentir, durante dez minutos por dia, a vibrante sensação das plantas, esses seres que só têm vida mas que não se metem na vida dos demais.




Investigaria as últimas razões do cansaço, porque isso significaria conhecer os motivos do trabalho e a utilidade do esforço. Buscaria a beleza no fundo das coisas abjectas e faria o possível para extrair da pincelada do génio a harmonia do silêncio entre o estrépito. Quisera não querer nada e, em troca, continuar a querer.



Gostaria de comprovar se é possível viver connosco próprios, se podemos chegar, caminhando… se podemos ser mais sábios sem informação. Se podemos e devemos aceitar sem necessidade de espelhos.


Recuperaria as emoções que algum dia ficaram escritas e pegar-lhes-ia para voar de novo sobre outros mundos, outras pessoas e outras peles. Faria o possível para dizer que não quando sinto que não. Retrocederia nos calendários até dar com o momento exacto em que comecei a errar. Faria um museu dos ódios e um viveiro dos entusiasmos, lugares justos para não esquecer as afrontas e para partilhar as alegrias.

Sentar-me-ia no interior dum templo à espera que Deus me dissesse alguma coisa…



domingo, 17 de janeiro de 2010

As mães de antigamente

Para lembrar e rir com coisas que as mães diziam e faziam… Uma forma que hoje é condenada pelos educadores e psicólogos, mas que funcionou com eficácia. Talvez que, se não tivessem mudado tanto, o nosso mundo estivesse bem melhor.


Minha mãe ensinou-me a valorizar o sorriso: “Reponde-me outra vez e vais ver para onde te vão os dentes.” A rectidão era ensinada formalmente: “Endireito-te nem que seja à pancada.”

Fui ensinado a dar valor ao trabalho dos outros: “Se tu e o teu irmão vos quereis matar, ide lá para fora, porque acabei de limpar a casa.” Também aprendi a lógica e a hierarquia: “Porque eu digo que é assim! Ponto final. Quem manda aqui?”



A motivação foi-me ensinada do seguinte modo: “Continua a chorar e dou-te uma razão a sério para o fazeres!” Curiosamente, também aprendi o que é a contradição: “Fecha a boca e come.” Penso que os do meu tempo também aprenderam, como eu, sobre a antecipação: “Espera até que o teu pai chegue a casa!” E sobre a paciência: “Calma… quando chegarmos a casa, vais ver…”


Também nos era ensinada a maneira de enfrentar desafios: “Olha para mim e responde-me quando te fizer uma pergunta!” E sobre o raciocínio lógico: “Se caires dessa árvore, vais partir o pescoço e eu ainda te prego umas chapadas para o endireitar.”




Mas, como não podia deixar de ser, também recebi lições de medicina: “Deixa-te de ficar vesgo meu menino. Se vem uma rabanada d vento, ficas assim para sempre.”


Fui também elucidado sobre o reino animal: “Se não comeres essas verduras, os bichos da tua barriga vão-te comer!” E aquelas lições de genética: “És igualzinho ao teu pai!”

Mas, a minha mãe também me educou acerca das minhas raízes: “Estás a pensar que nasceste numa família pôdre de rica?”

E sobre a sabedoria da idade: “Quando tiveres a minha idade, vais entender.”

Ah, e sobre a justiça: “Um dia também terás filhos e espero que eles te façam o mesmo que me fazes a mim. Vais ver o que é bom!”




A religião não podia faltar: “É melhor rezares a Deus e a todos os santos para que essa nódoa na carpete saia..!”


E sobre o beijo dos esquimós: “Se riscares outra vez, esfrego-te o nariz na parede até que saia o risco.” Mas também me falou do circo e do contorcionismo: “Olha-me para essas orelhas. Que nojo!” Ensinou-me também o que é a determinação: “Vais ficar aí sentado até comeres tudo o que te deitei no prato!” E sobre a arte do ventriloquo: “Não resmungues. Cala essa boca e diz-me porque fizeste isto…” Não foi fácil aprender a ser objectivo: “Ponho-te bom só com uma estalada.” Ainda não havia televisão e já me ensinou a ouvir: “Se não baixares o volume, vou aí e parto o rádio na tua cabeça.”



Ensinou-me a ter gosto pelos estudos: “se for aí e ainda não tiveres acabado a lição, já sabes.”


Fui ajudado na coordenação motora: “junta esses brinquedos. Pega um por um e vai pô-los no sítio!”

Também aprendi precocemente, os números: “Vou contar até dez. Se esse pote não aparecer, levas uma bofetada que vês mil estrelas.”




A minha mãe, um muito obrigado. Hoje sou uma pessoa bem melhor, mais educada e humana que essa nova geração. Os ensinamentos eram práticos, nada de teorias…

sábado, 16 de janeiro de 2010

Apesar do bloqueio…




A existência de cerca de 146 milhões de crianças com menos de cinco anos abaixo do peso ideal no mundo em desenvolvimento, cntratsta com a realidade das crianças cubanas, que estão livres desta enfermidade social. Esses preocupantes números surgiram num recente relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), intitulado «Progresso para a Infância, Balanço sobre a Nutrição», divulgado na sede da ONU. Segundo o documento, os índices de crianças abaixo do peso são de 28% na África Subsaariana, 17% no Médio Oriente, 15% na Ásia Ocidental e Pacífico, 7% na América Latina e Caraíbas. Depois vem a Europa Central e de Leste, com 5% e outros países em desenvolvimento, com 27%.
Cuba é o único país da América latina e Caraíbas que eliminou a desnutrição infantil severa, graças aos esforços do governo para melhorar a alimentação da população, especialmente dos grupos mais vulneráveis. As duras realidades do mundo, mostram que 852 milhões de pessoas padecem de fome e que 53 milhões vivem na América Latina. Só no México há 5,2 milhões de pessoas desnutridas. No Haiti, são 3,8 milhões, enquanto que, em todo o planeta, mais de cinco milhões de crianças morrem de fome todos os anos.
Segundo estimativas da ONU, não seria custoso garantir saúde e nutrição básica para todos os habitantes dos países em desenvolvimento. Para alcançar essa meta, bastariam 13 biliões de dólares adicionais ao que se destina actualmente, um número que nunca foi atingido e que é exíguo se comparado com os biliões de dólares destinados anualmente á publicidade comercial, os 400 biliões gastos em medicamentos tranquilizantes ou mesmo os 8 biliões de dólares que são gastos em cosméticos nos Estados Unidos.
Para satisfação de Cuba, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) também reconheceu que eesta é a nação com os maiores avanços na luta contra a desnutrição na América Latina. O Estado cubano garante um cabaz básico alimentar, que permite a alimentação da sua população pelo menos em dois níveis básicos, mediante uma rede (não corrupta) de distribuição de produtos alimentares. Além disso, há instrumentos económicos noutros mercados e serviços locais para melhorar a alimentação do povo cubano e atenuar o défice alimentar. Especialmente, há uma constante vigilância sobre o sustento das crianças e adolescentes. A nutrição começa com a promoção duma melhor e mais natural forma de alimentação. Desde os primeiros dias do nascimento, os incalculáveis benefícios do aleitamento materno justificam todos os esforços realizados em Cuba, em favor da saúde e do desenvolvimento da sua infância. Isso tem permitido elevar os índices de recém-nascidos que recebem aleitamento materno até ao quarto mês de vida, e que continuam a consumir esse leite, complementado com outros alimentos, até aos seis meses de idade. Naturalmente, 99% dos recém-nasidos saem das maternidades com aleitamento materno exclusivo, índice superior à meta proposta, que é de 95%, segundo dados oficiais, nos quais se indica que todas as províncias do país cumprem essa meta.
O tema da desnutrição tem grande importância na campanha da ONU para atingir, em 2015, as Metas de Desenvolvimento do Milénio, adoptada numa reunião de chefes de Estado em 2000 e que tem entre os seus objectivos eliminar a pobreza extrema e a fome. A ONU considera que Cuba está na vanguarda do cumprimento dessas metas em matéria de desenvolvimento humano. Mesmo enfrentando deficiências, dificuldades e sérias limitações impostas pelo bloqueio económico, comercial e financeiro, imposto pelos Estados unidos há mais de quarenta anos, Cuba não mostra índices alimentares de desnutrição infantil, como ocorre noutros países. Nenhuma das 146 milhões de crianças com menos de cinco anos, com problemas de peso baixo que vivem hoje no mundo, é cubana.