domingo, 17 de janeiro de 2010

As mães de antigamente

Para lembrar e rir com coisas que as mães diziam e faziam… Uma forma que hoje é condenada pelos educadores e psicólogos, mas que funcionou com eficácia. Talvez que, se não tivessem mudado tanto, o nosso mundo estivesse bem melhor.


Minha mãe ensinou-me a valorizar o sorriso: “Reponde-me outra vez e vais ver para onde te vão os dentes.” A rectidão era ensinada formalmente: “Endireito-te nem que seja à pancada.”

Fui ensinado a dar valor ao trabalho dos outros: “Se tu e o teu irmão vos quereis matar, ide lá para fora, porque acabei de limpar a casa.” Também aprendi a lógica e a hierarquia: “Porque eu digo que é assim! Ponto final. Quem manda aqui?”



A motivação foi-me ensinada do seguinte modo: “Continua a chorar e dou-te uma razão a sério para o fazeres!” Curiosamente, também aprendi o que é a contradição: “Fecha a boca e come.” Penso que os do meu tempo também aprenderam, como eu, sobre a antecipação: “Espera até que o teu pai chegue a casa!” E sobre a paciência: “Calma… quando chegarmos a casa, vais ver…”


Também nos era ensinada a maneira de enfrentar desafios: “Olha para mim e responde-me quando te fizer uma pergunta!” E sobre o raciocínio lógico: “Se caires dessa árvore, vais partir o pescoço e eu ainda te prego umas chapadas para o endireitar.”




Mas, como não podia deixar de ser, também recebi lições de medicina: “Deixa-te de ficar vesgo meu menino. Se vem uma rabanada d vento, ficas assim para sempre.”


Fui também elucidado sobre o reino animal: “Se não comeres essas verduras, os bichos da tua barriga vão-te comer!” E aquelas lições de genética: “És igualzinho ao teu pai!”

Mas, a minha mãe também me educou acerca das minhas raízes: “Estás a pensar que nasceste numa família pôdre de rica?”

E sobre a sabedoria da idade: “Quando tiveres a minha idade, vais entender.”

Ah, e sobre a justiça: “Um dia também terás filhos e espero que eles te façam o mesmo que me fazes a mim. Vais ver o que é bom!”




A religião não podia faltar: “É melhor rezares a Deus e a todos os santos para que essa nódoa na carpete saia..!”


E sobre o beijo dos esquimós: “Se riscares outra vez, esfrego-te o nariz na parede até que saia o risco.” Mas também me falou do circo e do contorcionismo: “Olha-me para essas orelhas. Que nojo!” Ensinou-me também o que é a determinação: “Vais ficar aí sentado até comeres tudo o que te deitei no prato!” E sobre a arte do ventriloquo: “Não resmungues. Cala essa boca e diz-me porque fizeste isto…” Não foi fácil aprender a ser objectivo: “Ponho-te bom só com uma estalada.” Ainda não havia televisão e já me ensinou a ouvir: “Se não baixares o volume, vou aí e parto o rádio na tua cabeça.”



Ensinou-me a ter gosto pelos estudos: “se for aí e ainda não tiveres acabado a lição, já sabes.”


Fui ajudado na coordenação motora: “junta esses brinquedos. Pega um por um e vai pô-los no sítio!”

Também aprendi precocemente, os números: “Vou contar até dez. Se esse pote não aparecer, levas uma bofetada que vês mil estrelas.”




A minha mãe, um muito obrigado. Hoje sou uma pessoa bem melhor, mais educada e humana que essa nova geração. Os ensinamentos eram práticos, nada de teorias…

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