domingo, 15 de novembro de 2009

O exemplo da Finlândia




A Finlândia não tem muitos recursos naturais. O hino nacional até diz: “… somos um país pobre, que não tem ouro. O recurso que temos é o nosso povo. Assim, investimos no nosso povo. Toda a pessoa tem de receber formação e educação, para ir tão longe quanto a sua capacidade permitir”.
Não basta a uma sociedade possuir algumas pessoas muito capazes. Toda a sociedade tem de ter a possibilidade de formação durante toda a vida. Não basta que uma criança pobre receba alguma formação quando pequena. Tem de poder estudar quanto quiser.
E a Finlândia tem sido, e é, um dos países mais competitivos, nas estatísticas internacionais, com apenas cinco milhões de habitantes.
Se Portugal procura inspiração para enfrentar dois dos seus principais problemas (educação e corrupção), dificilmente poderíamos deixar de visitar um lugar tão apropriado como a Finlândia.
A presidente finlandesa adianta algumas dicas: “investimento maciço na educação” (6% do PIB, sem contar com a pesquisa); transparência no governo e fidelidade partidária.
É muito importante ter a coragem para aplicar os recursos na educação básica.
Um povo educado elegerá dirigentes honestos e competentes. Estes, escolherão os melhores assesores. Um povo educado não tolera a corrupção.
Um povo educado sabe diferenciar um discurso sério duma falácia demagógica.
Um povo ignorante, desperdiça os seus recursos e empobrece. Um povo ignorante vive na ilusão e na alienação consentida.
Um povo educado prospera mesmo em condições adversas.
A Finlândia possui uma economia de mercado altamente industrializada, com uma produção per cápita maior que o Reino Unido, França, Alemanha e Itália.
O sector chave da sua economia é a indústria, principlamente a mdeireira, metalurgia, engenharia, telecomunicações – com destaque para a Nókia – e produtos electrónicos.
O comércio externo é importante, representando cerca de um terço do PIB.
Com excepção da madeira e de vários minérios, a Finlândia depende de importações de matérias primas, energia e alguns componentes de bens manufacturados.
Mas, como há educação e não há corrupção, o seu povo vive bem e feliz.

Do céu ao inferno



À noite, cansado, o Zé resolve ir dormir. Dá a boa noite à mulher e de seguida adormece. Nem jantou…

Quando acordou, o Zé sente-se leve de mais; olha á su volta e dá de caras com um indivíduo de barbas, vestido de maneira esquisita e pergunta:


- Eh! Quem é você? Que está a fazer no meu quarto? Olha para o lado e não vê a mulher…


- Eu sou o S. Pedro e tu não estás no teu quarto: estás no céu.

O Zé fica desesperado.

- Não é possível, eu não posso ter morrido. Por favor, S. Pedro, faça com que eui volte à Terra.

- Meu filho, só poderás voltar se fores sob a forma duma galinha ou duma cadela.

O Zé fica pensativo…


“Cadela, nunca. Na época do cio, vários cães correm atrás dela… já a galinha, nunca vi pintos de galo; deve ser pequeno…” e responde apressadamente:


- Quero voltar como galinha!



Num piscar de olhos, BUUUUMMMM!!! O Zé vê-se no galinheiro, olha para si e tem a confirmação:


- Porra!!! Tornei-me galinha!


Quando olha em frente, o Zé vê o galo vir na sua direcção.
 

O galo pergunta:


- És nova cá no galinheiro; certo?

- Sssim! Sou sim!

- Bom, aqui tens duas opções; ou vais para a ala das reprodutoras ou para a das poedeiras.

O Zé pensa…


“Se for para a ala da reproduçao, esse tipo vai querer galar-me… Mas também não sei pôr ovos…”


- Bom, ó galo… não sei pôr ovos!

E o galo, prontamente, dispõe-se a ensinar o Zé (galinha) a pôr ovos:

- A coisa é assim… sentas-te ai, levantas a asa esquerda duas vezes e fazes cocorócóóóó!!

O Zé segue os passos que o galo lhe diz e…ploc, sai um ovo.

- Porra! Estou a ficar bom no assunto!!
Quando o Zé começa a pôr outro ovo, ouve o grito da sua mulher:


- Porra Zé!!! Acorda, sua besta, bêbado dum raio… estás a cagar a cama toda!!!



É assim, hoje em dia. Os Zés já nem podem sonhar à vontade.

A gripe A, de que tanto de fala…



Os vírus gripais são transmitidos de pessoa para pessoa, através de gotículas de muco expelidas pelos portadores, o que faz com que se propaguem rapidamente, podendo chegar a afectar 28% duma população, dependendo da sua resistência ao agente etiológico específico. Específico!
Existem, como se sabe, três tipos de vírus e de gripes: A, B e C, sendo este último o mais benígno. Os anticorpos produzidos pelo organismo são incapazes de combater os desenvolvidos por mutação.
Os primeiros sintomas aparecem um ou dois dias depois da infecção das vias respiratórias: febre alta e súbita, garganta inflamada, cefaleia aguda, dores musculares e cansaço. O diagnóstico correcto depende de análises do sangue testado com anticorpos contra o vírus da gripe, e de material retirado da garganta.
Deve ter-se em conta que a gripe intestinal, processo inflamatório dos intestinos, muito comum em determinadas estações do ano. A inflamação dos intestinos é provocada por vírus e afecta principalmente o estômago e o intestino delgado; nalguns casos, são afectados apenas alguns órgãos, como o estômago, o fígado, o íleo ou o intestino grosso. Os sintomas desta afecção são: dor abdominal, caimbras, vómitos e diarreia, febre, sonolência, cansaço e falta de apetite.
Há tempos que em Portugal se fala da gripe A, da venda de Tamiflu e agora, duma vacina própria para o H1N1, que começou por ser gripe suina mexicana, passando depois, por determinação da OMS a designar-se por Gripe A-H1N1, atribuindo-se muitas mortes a esse vírus, pretenso único causador, talvez em obediência a uma propaganda orquestrada nesse sentido para a venda daquele medicamento.
Depois duma ampla propaganda nos órgãos de informação, nomeada e particularmente a Internet e a televisão, alguns jornais como é óbvio, com relatos de mortes aqui e acolá, tendo em vista – muito possivelmente – levar a OMS a declarar uma situação de pandemia.
Foi-nos dito há dias, logo desmentido no dia seguinte, que aconteceu um cso de morte por gripe A no Hospital de Santo António, dum emigrante em Lyon e natural de Vieiera do Minho, que havia sido transplantado dum rim há 14 anos e que sofria de insufici~encia renal. Os problemas renais provocam, em muitos casos assepticémias graves para as quais dificilmente há cura. Mas aquele doente sofria também dos intestinos. Subitamente surgiu uma nova morte, desta vez no Curry Cabral, em Lisboa, afirmando as autoridades sanitárias que desta vez sim, a morte se devia á gripe A. Tratava-se dum candidato do CDS à Câmara de Ourém e, curiosamente, também apresentava problemas renais e uma pneumonia, estava internado naquele hospital desde o dia 25 de Agosto e, enquanto o do Santo António havia morrido “com” gripe A, não tinha morrido “de” gripe A. Mas este, do Curry Cabral, afirma-se, morreu mesmo de gripe A, tudo num momento em que se anunciam duas vacinas para esta estirpe de gripe, Focetria (Novartis) e Pandemrix (GlaxoSmithKline) que, por sua vez podem dar origem a sintomas em tudo similares aos sentidos com a síndrome Guillian-Barré, sabendo-se que não foram devidamente testadas e que se pretende fazer dos portugueses uma espécie de cobaias.
Por outro lado, o vírus H1N1 é o da Influenza humana, devendo as autoridades responsáveis pela Saúde ser mais moderadas nas suas afirmações. O vírus da Influenza só pode conduzir à morte se houver outras complicações que, no fundo, são as suas causadoras. Da morte.

Dieta de emagrecimento

Ele falou ao país. Falo, como é evidente, do donairoso primeiro-ministro de Portugal, que veio trazer-nos a sua “receita” para o emagrecimento a que a conjuntura internacional nos obriga.


Podia ter dado início à sua alocução aconselhando à não menos donairosa ex-presidente da DREN a receita que nos prescreveu a nós, já que a dama se apresenta com muitas reservas físicas, esperando para ver se psíquicas também. Para já demonstra ser uma “brincalhona” que colabora com as brincadeiras e acha piada – diga-se que de mau gosto, havidas com alunos duma escola do Porto. E, talvez porque a brincadeira aconteceu pouco antes do Natal, como é evidente, não se pode levar a mal. Nem ela…



Ora, vivendo-se num país de brincalhões, também o nosso primeiro-ministro não podia ficar atrás e, vai daí, dedicou a sua comunicação aos portugueses, feita de pé, à crise que o mundo atravessa e à repercussão dos seus efeitos entre nós, que não ficamos impunes nem imunes.



Uma crise que nos demonstrou que não se pode suportar os efeitos do capitalismo mais selvagem que as feras, que os povos – o português na vanguarda – não podem suportar essa forma de estar na política e muito menos os seus efeitos.


Mas, será tão grande e grave a crise? Se assim é, porque razão teimam, os nossos governantes, em levar por diante as obras faraónicas que se propõem? Aeroporto de Lisboa, nova ponte sobre o Tejo, a linha do TGV, novas auto-estradas… A crise é, efectivamente, só para alguns – nós, como habitualmente.

Maldita conjuntura internacional, que paga as favas dos rombos causados pelo selvático capitalismo… O que é engraçado, sem graça alguma, é que tenha afirmado que se o ano 2008 foi difícil e se tivemos – sempre nós – que fazer sérios esforços – ainda me doem as costas – então o de 2009 vai ser ainda pior, é e foi, mas não difícil nem exigente para todos, porque há sempre aquele grupo do costume que não fará esforço algum a não ser, talvez, o de procurar a melhor forma de mandar para o desemprego mais uns milhares…

Nós sabemos com o que podemos contar. Ou ainda não? E conhecemos de perto a forte determinação do governo em ajudar a economia nacional, ou seja, os grupos económicos e financeiros, como por exemplo banqueiros e afins.




Face a um cenário tão negro e tão macabro – diga-se – como podemos nós manter a confiança solicitada? Em quê? Em quem? Porque ninguém quer reconhecer-nos nem o talento nem o empenho no trabalho, ou fora dele, e, por tal motivo, não podemos superar os efeitos dessa tal crise internacional lusitana.


Passou o Natal 2008 e deixou a sua marca. Foram mais uns milhares a passá-lo na rua. Depois de terem comido uma ceia oferecida por algumas associações que dedicam o seu tempo e trabalho, o seu empenho e a sua carolice a ajudar os mais pobres e carenciados espalhados pelo país.


País nobre e pobre que tem em si quem se vista de rico e quem encarne o papel de vítima das circunstâncias importadas pela globalização.


O que a maioria dos portugueses não consegue compreender é como, estando o mundo em crise se pode manter o discurso sobre os aumentos salariais da função pública que, durante mais de sete anos perdeu poder de compra, vendo diminuir, por isso, o seu magro salário.
 


Todos os portugueses são iguais perante a lei (afirmação do Procurador-Geral da República) e perante Deus, mas não perante os homens. E se alguns há que podem ser considerados “gente de boa vontade”, há também os que nunca a tiveram em relação aos seus irmãos de “raça”, como diria o nosso presidente da República.


Quo vadis Portugal???



sábado, 14 de novembro de 2009

O triunfo do papel



Inesperadamente, vivemos na era do papel. Ninguém o tinha previsto; nem os antigos nem os modernos. Chegou-se à apoteose após uma longa história, que dizem ter começado na China há cerca de dois mil anos.



Foi um processo lento. Até ao século VII, o papel sofreu um grande avanço no Japão, mas a sua expansão deve-se aos árabes – esses mauzões – que trouxeram o papel pelo Mediterrâneo até à Península Ibérica.



Demoraria ainda a inventar-se a imprensa, que se tornou decisiva para o êxito. Mas, o triunfo do papel produziu-se há uns duzentos anos, ao descobrir-se a possibilidade do seu fabrico mecânico.


Os moinhos papeleiros, instalados junto ao caule dum rio, tem hoje em dia um valor histórico, tendo alguns sido convertidos em museus.

E quando se acreditava que o papel seria rotundamente vencido pela informática, pelos computadores, pelo progresso da tecnologia da comunicação, surge-nos a surpresa: gasta-se mais em papel que nunca.




Por toda a parte se vêm as caixas do correio cheias de papéis, pelas mesas de cafés… Verdadeiras montanhas dele na Administração Pública… Os correios electrónicos amontoam-se consideravelmente. E ao terem todos o mesmo formato, a confusão é inevitável.


Antes, as cartas diferenciavam-se pela letra, pelo nome destacado no cabeçalho, pela assinatura. Tudo se tornava muito prático; com um simples olhar já se tinha uma informação básica.

Agora, a tecnologia da transmissão de cartas e documentos é muito boa, mas o sistema de identificação é péssimo. O destinatário perde muito tempo e a atenção exigida pelo volume de cartas electrónicas é muito cara.

Pela primeira vez na história se enviam mensagens sem assinatura. Não se pode chamar-lhes anónimas, porque o remetente figura nos e-mails recebidos, mas os nomes ficam mascarados por dezenas de papeis que têm o mesmo aspecto.

Suponho que algum dia esta dificuldade seja superada. Talvez alguém faça um estudo sobre quantas horas mensais se dedicam, numa empresa, a decifrar esses papéis.

Juntemos a isto mais o papel invasivo. O dos cartões de crédito, os de multibanco, extractos bancários, os das máquinas registadoras de cafés e restaurantes…

Nem falo dos panfletos publicitários, mas de papeis que nasceram da nossa actividade quotidiana. Quem diria. A modernidade sem uma invenção tão antiga como o papel.

Será por isso e para lhe dar saúde e mais vigor que nunca, que nos põem a todos a andar aos papeis?



quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A morte de Nietzche




Ironicamente, esta seria a resposta de Deus a Nietzche. Estou a falar dum dos filósofos que mais influenciou o pensamento e a filosofia contemporânea.
Embora a maioria das pessoas saiba mais que uma frase de Friedrich Nietzch: “Deus está morto”, uma marca do mundo moderno, céptico, cientificista. Poder-se-ia dizer que Deus está tão morto como o filósofo, que se tornou imortal ao afirmar a morte daquele que nunca nasceu. No filme e no livro “Quando Nietzche Chorou”, é-lhe perguntado: “Porque afirma que Deus morreu e não que ele nunca existiu?”
E, se Deus morreu, porque seguir princípios éticos? Quem vai organizar a sociedade? São boas perguntas, que podem ser feitas por todos aqueles que apenas ouviram a declaração obituária do mortal imortal.
Até mesmo por preconceito, muitos não folheiam com mais atenção as obras do autor em questão; afinal, se não concordo com os seus postulados mais populares, porquê dar-me ao trabalho de querer entender a lógica deste pensador?
O facto de pensar de forma diferente de alguém, deveria ser já um grande motivo para ir ao seu encontro… Afinal, que ganhamos apreciando apenas os nossos iguais?
Nietzche nasceu a 15 de Outubro de 1844 na Saxónia Prússica; morreu a 25 de Agosto de 1900. Seu pai e seus avós eram pastores protestantes luteranos e, aos 5 anos de idade, “Deus levou seu pai e seu irmão mais novo.
De imediato a sua família se transferiu para Maumburgo, onde viveu na companhia de sua mãe, avós e tias. Em 1858 ganhou uma bolsa de estudo…
Estudou grego, teologia, filologia e filosofia. Por recomendação dum professor amigo (Ritschl), em 1869, torna-se professor de Filosofia Clássica na Universidade de Basileia, Suiça, onde permaneceu dez anos.
Numa revista de 2000 pode ler-se um artigo de Carlos Graieb, “Um Filósofo Esplosivo”:
«Eu não sou um homem, sou dinamite»; assim falou Friedrich Nietzch, e tinha plena razão. De todos os filósofos modernos, ele foi, de longe, o mais explosivo. Política e psicanálise, teologia e literatura, teatro e música popular… Assim como é possível encontrar referências a ele dedicadas em tratados obscuros sobre a metafísica, é também possível vê-lo citado em filmes.
Afinal de contas, quais são as causas de tanto fascínio por Nietzche?
De bastante esquemática, talvez se pudesse dizer que identificou a crise que se fazia sentir no seu tempo e ainda hoje não se esgotou: o desprezo pelas tradições e crenças ancestrais.., Nietzche não deixou repousar nenhum fundamento da moral pública, derrubando a noção da verdade absoluta, o filósofo propõe uma mudança de pensar do homem ocidental, de tal forma que começa a ver o título “Crepúsculo dos Ídolos” como uma crítica a Sócrates (o grego), como crítica à base lógica ocidental e a forma como a sociedade se estruturou.
Ao declarar a “Morte de Deus”, Nietzche está a declarar a morte dum sistema, duma forma de pensar o mundo. E nós, simples mortais, podemos afirmar que “Deus não está morto, mas que foi assassinado” – pelos sacerdotes, pelos teólogos, pelos políticos: assassinado pelos supostos santos, a suposta gente santa.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A saúde ou a asfixia



Como diria Pablo Neruda, “também eu confesso que bebi, mas não está o organismo para o maltratar nem a noite para a prolongar.” As horas felizes às vezes chegam na solariedade duma manhã, quando a consciência é o sumo da experiência e os pequenos gestos acabam por ser uma exaltação á vida. Não penso defender a canga selvagem, porque viemos a este mundo para a domesticar. Tão-pouco negarei que o tabaco é nocivo, mas defenderei o direito dos fumadores a serem tratados como pessoas adultas.




Não parece que seja o caso dos nossos parlamentares ou autarcas, empenhados uma vez mais em proibir em vez de prevenir, em multar em vez de solucionar. E pergunto-me se seria necessária uma disposição da saúde pública, com direito à categoria de lei, ou se bastaria uma norma inferior. Por acaso a lei vai acabar com a irreverência juvenil?




Os que podem pagar-se uns copos não vão sentir-se afectados por essa lei. Os comerciantes, pelo cotrário, deverão aumentar a sua actividade.


Em Portugal, ter um estabelecimento público está tornar-se difícil. Todos os perigos do mundo, pelos vistos, são cozinhados nas discotecas e bares. O tabaco, a política linguística, a iluminação excessiva, a ocupaçao da via pública, os desmandos dos paroquianos.

Tudo depende do senhor que está por trás do balcão. Um proprietário honesto e bom contribuinte que doravante já não poderá pronunciar aquela antiga frase hospitaleira, que dizia: «a casa convida para esta rodada.»




Com as curiosas unanimidades está a converter-se o português numa personagem suspeita. E como suspeito, cairá sobre a sua condição de pervertedor de maiores todo o peso da lei em forma de multas.


Uma nova proibição acaba de ser aprovada, dizem que para o nosso bem. E pergunto-me se a política é isto. Porque, quando se apresentam ás eleições, os votantes pensaram que lhe estavam a oferecer serviços. Muitos cidadãos acreditaram que vinham administrar melhor os recursos públicos. Muitos estavam convencidos de que a actividade legislativa repondia aos critérios de igualdade e duma política participativa e social. Mas, na hora da verdade, a participação confunde-se com a nova submissão. Não foram eleitos para isto. Nem para levarem as nossas cidades a uma asfixia de internado, qenquanto os temas importantes se desenlaçam em escãndalos e malversações.

Ah, já agora, queiram permitir que o José Saramago continue um cidadão português.

Não é estranho que o governo trate os seus cidadãos como meros súbditos e estes se refugiem na pura desafeição. De que serve encher-se a boca de liberdade, quando a coação das pequenas liberdades quotidianas é o grande pretexto para encobrir uma política errática, sobretudo no que toca ao social, débil com os fortes e forte com os débeis?

Já alguém se perguntou porque razão caiu mais que 14 lugares a liberdade de imprensa nacional?