Inesperadamente, vivemos na era do papel. Ninguém o tinha previsto; nem os antigos nem os modernos. Chegou-se à apoteose após uma longa história, que dizem ter começado na China há cerca de dois mil anos.
Foi um processo lento. Até ao século VII, o papel sofreu um grande avanço no Japão, mas a sua expansão deve-se aos árabes – esses mauzões – que trouxeram o papel pelo Mediterrâneo até à Península Ibérica.
Demoraria ainda a inventar-se a imprensa, que se tornou decisiva para o êxito. Mas, o triunfo do papel produziu-se há uns duzentos anos, ao descobrir-se a possibilidade do seu fabrico mecânico.
Os moinhos papeleiros, instalados junto ao caule dum rio, tem hoje em dia um valor histórico, tendo alguns sido convertidos em museus.
E quando se acreditava que o papel seria rotundamente vencido pela informática, pelos computadores, pelo progresso da tecnologia da comunicação, surge-nos a surpresa: gasta-se mais em papel que nunca.
Por toda a parte se vêm as caixas do correio cheias de papéis, pelas mesas de cafés… Verdadeiras montanhas dele na Administração Pública… Os correios electrónicos amontoam-se consideravelmente. E ao terem todos o mesmo formato, a confusão é inevitável.
Antes, as cartas diferenciavam-se pela letra, pelo nome destacado no cabeçalho, pela assinatura. Tudo se tornava muito prático; com um simples olhar já se tinha uma informação básica.
Agora, a tecnologia da transmissão de cartas e documentos é muito boa, mas o sistema de identificação é péssimo. O destinatário perde muito tempo e a atenção exigida pelo volume de cartas electrónicas é muito cara.
Pela primeira vez na história se enviam mensagens sem assinatura. Não se pode chamar-lhes anónimas, porque o remetente figura nos e-mails recebidos, mas os nomes ficam mascarados por dezenas de papeis que têm o mesmo aspecto.
Suponho que algum dia esta dificuldade seja superada. Talvez alguém faça um estudo sobre quantas horas mensais se dedicam, numa empresa, a decifrar esses papéis.
Juntemos a isto mais o papel invasivo. O dos cartões de crédito, os de multibanco, extractos bancários, os das máquinas registadoras de cafés e restaurantes…
Nem falo dos panfletos publicitários, mas de papeis que nasceram da nossa actividade quotidiana. Quem diria. A modernidade sem uma invenção tão antiga como o papel.
Será por isso e para lhe dar saúde e mais vigor que nunca, que nos põem a todos a andar aos papeis?






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