quinta-feira, 12 de novembro de 2009

A morte de Nietzche




Ironicamente, esta seria a resposta de Deus a Nietzche. Estou a falar dum dos filósofos que mais influenciou o pensamento e a filosofia contemporânea.
Embora a maioria das pessoas saiba mais que uma frase de Friedrich Nietzch: “Deus está morto”, uma marca do mundo moderno, céptico, cientificista. Poder-se-ia dizer que Deus está tão morto como o filósofo, que se tornou imortal ao afirmar a morte daquele que nunca nasceu. No filme e no livro “Quando Nietzche Chorou”, é-lhe perguntado: “Porque afirma que Deus morreu e não que ele nunca existiu?”
E, se Deus morreu, porque seguir princípios éticos? Quem vai organizar a sociedade? São boas perguntas, que podem ser feitas por todos aqueles que apenas ouviram a declaração obituária do mortal imortal.
Até mesmo por preconceito, muitos não folheiam com mais atenção as obras do autor em questão; afinal, se não concordo com os seus postulados mais populares, porquê dar-me ao trabalho de querer entender a lógica deste pensador?
O facto de pensar de forma diferente de alguém, deveria ser já um grande motivo para ir ao seu encontro… Afinal, que ganhamos apreciando apenas os nossos iguais?
Nietzche nasceu a 15 de Outubro de 1844 na Saxónia Prússica; morreu a 25 de Agosto de 1900. Seu pai e seus avós eram pastores protestantes luteranos e, aos 5 anos de idade, “Deus levou seu pai e seu irmão mais novo.
De imediato a sua família se transferiu para Maumburgo, onde viveu na companhia de sua mãe, avós e tias. Em 1858 ganhou uma bolsa de estudo…
Estudou grego, teologia, filologia e filosofia. Por recomendação dum professor amigo (Ritschl), em 1869, torna-se professor de Filosofia Clássica na Universidade de Basileia, Suiça, onde permaneceu dez anos.
Numa revista de 2000 pode ler-se um artigo de Carlos Graieb, “Um Filósofo Esplosivo”:
«Eu não sou um homem, sou dinamite»; assim falou Friedrich Nietzch, e tinha plena razão. De todos os filósofos modernos, ele foi, de longe, o mais explosivo. Política e psicanálise, teologia e literatura, teatro e música popular… Assim como é possível encontrar referências a ele dedicadas em tratados obscuros sobre a metafísica, é também possível vê-lo citado em filmes.
Afinal de contas, quais são as causas de tanto fascínio por Nietzche?
De bastante esquemática, talvez se pudesse dizer que identificou a crise que se fazia sentir no seu tempo e ainda hoje não se esgotou: o desprezo pelas tradições e crenças ancestrais.., Nietzche não deixou repousar nenhum fundamento da moral pública, derrubando a noção da verdade absoluta, o filósofo propõe uma mudança de pensar do homem ocidental, de tal forma que começa a ver o título “Crepúsculo dos Ídolos” como uma crítica a Sócrates (o grego), como crítica à base lógica ocidental e a forma como a sociedade se estruturou.
Ao declarar a “Morte de Deus”, Nietzche está a declarar a morte dum sistema, duma forma de pensar o mundo. E nós, simples mortais, podemos afirmar que “Deus não está morto, mas que foi assassinado” – pelos sacerdotes, pelos teólogos, pelos políticos: assassinado pelos supostos santos, a suposta gente santa.

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