domingo, 15 de novembro de 2009

Dieta de emagrecimento

Ele falou ao país. Falo, como é evidente, do donairoso primeiro-ministro de Portugal, que veio trazer-nos a sua “receita” para o emagrecimento a que a conjuntura internacional nos obriga.


Podia ter dado início à sua alocução aconselhando à não menos donairosa ex-presidente da DREN a receita que nos prescreveu a nós, já que a dama se apresenta com muitas reservas físicas, esperando para ver se psíquicas também. Para já demonstra ser uma “brincalhona” que colabora com as brincadeiras e acha piada – diga-se que de mau gosto, havidas com alunos duma escola do Porto. E, talvez porque a brincadeira aconteceu pouco antes do Natal, como é evidente, não se pode levar a mal. Nem ela…



Ora, vivendo-se num país de brincalhões, também o nosso primeiro-ministro não podia ficar atrás e, vai daí, dedicou a sua comunicação aos portugueses, feita de pé, à crise que o mundo atravessa e à repercussão dos seus efeitos entre nós, que não ficamos impunes nem imunes.



Uma crise que nos demonstrou que não se pode suportar os efeitos do capitalismo mais selvagem que as feras, que os povos – o português na vanguarda – não podem suportar essa forma de estar na política e muito menos os seus efeitos.


Mas, será tão grande e grave a crise? Se assim é, porque razão teimam, os nossos governantes, em levar por diante as obras faraónicas que se propõem? Aeroporto de Lisboa, nova ponte sobre o Tejo, a linha do TGV, novas auto-estradas… A crise é, efectivamente, só para alguns – nós, como habitualmente.

Maldita conjuntura internacional, que paga as favas dos rombos causados pelo selvático capitalismo… O que é engraçado, sem graça alguma, é que tenha afirmado que se o ano 2008 foi difícil e se tivemos – sempre nós – que fazer sérios esforços – ainda me doem as costas – então o de 2009 vai ser ainda pior, é e foi, mas não difícil nem exigente para todos, porque há sempre aquele grupo do costume que não fará esforço algum a não ser, talvez, o de procurar a melhor forma de mandar para o desemprego mais uns milhares…

Nós sabemos com o que podemos contar. Ou ainda não? E conhecemos de perto a forte determinação do governo em ajudar a economia nacional, ou seja, os grupos económicos e financeiros, como por exemplo banqueiros e afins.




Face a um cenário tão negro e tão macabro – diga-se – como podemos nós manter a confiança solicitada? Em quê? Em quem? Porque ninguém quer reconhecer-nos nem o talento nem o empenho no trabalho, ou fora dele, e, por tal motivo, não podemos superar os efeitos dessa tal crise internacional lusitana.


Passou o Natal 2008 e deixou a sua marca. Foram mais uns milhares a passá-lo na rua. Depois de terem comido uma ceia oferecida por algumas associações que dedicam o seu tempo e trabalho, o seu empenho e a sua carolice a ajudar os mais pobres e carenciados espalhados pelo país.


País nobre e pobre que tem em si quem se vista de rico e quem encarne o papel de vítima das circunstâncias importadas pela globalização.


O que a maioria dos portugueses não consegue compreender é como, estando o mundo em crise se pode manter o discurso sobre os aumentos salariais da função pública que, durante mais de sete anos perdeu poder de compra, vendo diminuir, por isso, o seu magro salário.
 


Todos os portugueses são iguais perante a lei (afirmação do Procurador-Geral da República) e perante Deus, mas não perante os homens. E se alguns há que podem ser considerados “gente de boa vontade”, há também os que nunca a tiveram em relação aos seus irmãos de “raça”, como diria o nosso presidente da República.


Quo vadis Portugal???



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