

Saboreio cada momento, mesmo aqueles que me são adversos, porque me sinto livre, minha amiga.
Antigamente, preocupava-me quando os outros diziam mal de mim. Por vezes, fazia o que queriam e a minha consciência censurava-me.
Entretanto, apesar do meu esforço para ser bem educado, nem sempre podia ser bem sucedido, porque havia alguém que me impedia.
Como agradeço a essas pessoas, que me ensinaram que a vida é apenas um cenário. A partir desse momento, comecei a ser como sou.
A árvore anciã ensinou-me que somos todos iguais. Sou o guerreiro; a minha espada é a amizade, o meu escudo o humor, o meu espaço a coerência, o meu texto a liberdade.
Perdoem-me os deuses se a minha felicidade é insuportável, mas não escolhi o bom senso comum. Prefiro a imaginação que tem embutida a inocência.
É possível que tenhamos de ser apenas humanos…
Sem amizade nada tem sentido; sem amizade estamos perdidos, corremos de novo o risco de estarmos a caminhar de costas para a luz.
Por essa razão, minha amiga, é muito importante que apenas a amizade inspire as nossas acções. E por mim, tudo bem!
Anseio que descubra, minha amiga, a mensagem por trás das palavras; não sou sábio algum, sou apenas um ser apaixonado pela vida, pela vida dos mais pobres e doentes.
A melhor forma de despertar é deixar de questionar se as nossas acções incomodam aqueles que dormem à nossa volta.
A chegada não importa. O caminho e a meta são a mesma coisa. Não precisamos de correr para lugar algum, apenas dar cada passo com total consciência.
Quando somos maiores que aquilo que fazemos, nada ou ninguém pode desequilibrar-nos. Porém, quando permitimos que as coisas sejam maiores que nós, está garantido o desequilíbrio.
É possível que sejamos apenas água a fluir; o caminho terá de ser feito por nós.
Porém, minha amiga, não permita que o leito escravize o rio, ou então, em vez dum caminho, terá uma prisão.
Adoro a minha loucura, que me vacina contra a estupidez. Adoro o amor, que me imuniza contra a infelicidade que prolifera, infectando almas e atrofiando corações.
As pessoas estão tão acostumadas à infelicidade, que a sensação contrária lhes parece estranha. As pessoas estão tão reprimidas, que a ternura espontãnea as incomoda, e a amizade inspira-lhes desconfiança.
A vida é um cântico á beleza, uma chamada á transparência.
Peço-lhe perdão, minha amiga, mas declaro-me vivo!

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