Em 1871, Antero de Quental definiu “socialismo” como “o protesto dos que sofrem contra a organização social que os faz sofrer. É a reclamação da justiça e da igualdade das relações dos homens; dos homens que a natureza criou livres e iguais e de que a organização social fez com que duas raças inimigas, uma que manda, goza e oprime; outra que obedece, trabalha e sofre; dum lado, senhores, aristocratas, capitalistas; do outro, escravos, servos, proletários!”, dizendo ainda que o socialismo pretende “nivelar”, não todos os indivíduos, mas as condições de desenvolvimento de todos os indivíduos.
O surto de ideais socialistas, naquela data, tem como principal ponto de influência os acontecimentos decorrentes da Comuna de Paris. Tal como hoje, do (des)socialismo tem como principal fonte a (des)comuna de Bruxelas, Londres e Washington; ou seja, o neoliberalismo capitalista e sua globalização.
Já antes, em 1833, Leroux utilizou semelhante definição, em oposição ao individualismo, definindo “socialismo” como a luta dos proletários contra a burguesia; dos que não possuem instrumentos de trabalho contra os que os possuem.
Desde 1848, com efeito, as delegações operárias exigem a abolição da exploração do homem pelo homem, organizando-se, para tanto, em associações operárias ou associações do trabalho.
A Revolução dos Cravos, a exemplo da revolução Francesa, proclama os Direitos do Homem e do cidadão e o povo português saiu à rua festejando junto dos militares, a libertação de meio século de jugo salazarista, também conhecido pela era do meio século de fascismo em Portugal. E os movimentos socialistas e operários, mesmo diferindo entre si por concepções ou princípios, tiveram em comum a rejeição do sistema capitalista e da sociedade de classes profundamente diferenciadas.
As diversas propostas socializantes dos meios de produção e de distribuição da riqueza variaram: o cooperativismo pretende ir substituindo a empresa capitalista por uma organização em que os trabalhadores sejam os consumidores, confundindo o salário e o lucro; o sindicalismo vela pela garantia dos direitos dos trabalhadores na distribuição da riqueza que eles próprios produzem; o municiplaismo pretende reforçar a propriedade pública.
Mas, os reformistas, defendendo a legalidade democrática – o funcionamento regular das instituições, que devem ir sendo modificadas no sentido de favorecerem cada vez mais o bem-estar dos indivíduos. O socialismo deve, tanto numa concepção como na outra, contribuir para criar as condições económicas, sociais e culturais de igualdade de oportunidades que garantam a liberdade e a plena realização de si próprio.
Tudo isto, no entanto, desapreceu e as dissidências não mostram tendência para se atenuarem. De resto, é assim um pouco por todo o mundo, com especial incidência na europa, onde os movimentos operários e socialistas são cada vez mais raros, dando lugar a cada vez mais desemprego que só em portugal atingiu mais de 510 mil pessoas, das quais os mais afectados são os homens.





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