domingo, 22 de novembro de 2009

Nacionalização de dívidas



No ano de 1802, Thomas Jefferson, disse: “As instituições bancárias são mais perniciosas para as nossas liberdades que o levantamento de exércitos. Se o povo americano alguma vez permitir que os bancos privados controlem a emissão da moeda, primeiro pela inflação e depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão á sua volta, despojarão o gozo de toda a propriedade até que seus filhos acordarem sem abrigo na terra que seus pais conquistaram!”
Tem-se vindo a provar que foram palavras premonitórias e sábias, porque os bancos são uma espécie de gangrena que, creio, nem a amputação conseguira sanar.
Há cerca de dois meses, o BPN saltou para o primeiro plano. Como? Com a sua nacionalização pelo governo socialista. Banco Português de Negócios, nome adequado às suas práticas. Como é fácil compreender o descalabro do BPN, que há muito se previa, e, independentemente de toda e qualquer crise (a panaceia de hoje quanto aos mercados), essa dita a propalada crise que foi originada pelo chamado subprime americano.
Que teremos nós a ver com o assunto? Porque razão propôs o governo de Portugal, a 14 de Outubro, entrar no capital dos bancos endividados e galopou sobre as ondas da intervenção do estado na banca, em toda ela, para poder justificar, tão-somente, aquela tão contestada nacionalização?
Então, porque não nacionalizou toda a Sociedade Lusa de Negócios, passando a controlar as cerca de duzentas empresas que possui, evitando aumentar o número de desempregados com mais perto de cinco mil pessoas?
Também a Caixa Geral de Depósitos forneceu, para além de todos aqueles milhões de euros, cerca de 200, e foi nomeado como administrador aquele que em tempos foi secretário de estado de Durão Barroso?
A CGD é o chamado banco público, de todos nós; logo, foi ao nosso bolso que foram buscar todas aquelas verbas, desmesuradas quantias, mesmo sabendo-se ser falsa toda a teoria de salvaguarda do dinheiro dos depositantes, que, em teoria, foi a justificação dada para tal nacionalização.
Para poder valer aos novos ricos/pobres, ou pobres/ricos, o governo colocou à sua disposição 20 biliões de euros, apesar de saber que, com tal atitude iria prejudicar milhões de portugueses, o que se reflectia de imediato nos aumentos salariais e das pensões de reforma, sobretudo as do regime Geral da Segurança Social, que ficavam por pouco mais de seis euros/mês, essa vergonha.
O governo usou de inúmeros argumentos e um deles foi o do perigo duma crise sistémica, desmentida pelo ministro das Finanças quando afirmou que a banca nacional era das mais sólidas da Europa. Todos sabemos, todavia, que a solidez da nossa banca é fictícia. O que o governo fez, ao pôr à disposição desses senhores os tais biliões de euros foi, nem mais nem menos que financiar aqueles que, uma vez que não confiam na solidez da economia e dos bancos portugueses, vão aplicar o seu capital nos offshores. O mesmo, doutra forma, se passou com o BPP, que se dedica ao negócio de gestão de fortunas bem particulares. Apenas isso, canalizando para essas offshores dinheiro dos seus clientes para aplicação nas bolsas internacionais.
Por tudo isto, e muito mais, de que adiantará pensarmos que estamos a ser governados, quando o que realmente se passa é que estamos a ser completamente desgovernados por quem se faz apregoar socialista.

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