quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Casa Pia: Vítima conta em livro como foi violada


O antigo aluno da Casa Pia e testemunha neste processo judicial, Bernardo Teixeira, que recentemente lançou o livro Porquê a mim?


Um ex-casapiano, testemunha do processo de pedofilia, escreveu um livro a relatar como foi violado.

Bernardo Teixeira, ex-casapiano e testemunha no processo de pedofilia, escreveu um livro em que conta como alegadamente foi violado. É um relato brutal que acaba como a sua vida começou: sem esperança, principalmente na Justiça.
"Bernardo, não podes falar disto a ninguém. É o nosso segredo". Desta forma, o autor conta como foi violado pela primeira vez pelo motorista da instituição.
Nas páginas seguintes, Bernardo Teixeira partilha o sofrimento que sentiu após a violação e os tempos de solidão que se seguiram. Recorda ainda como tentou contar à psicóloga da instituição o que lhe estava acontecer, sem que conseguisse.



"Amigo famoso"
A meio do livro, escreve sobre o seu "amigo famoso", que lhe terá sido
apresentado pelo "motorista da Casa Pia".
"Ele é tal e qual como aparece na televisão: tem uma cara sorridente.
Estende-me a mão; eu aperto-a por impulso, ainda meio incrédulo com o que está a acontecer". É desta forma que a autor do livro "Porquê a Mim?" relata o primeiro encontro com o seu "amigo famoso".

Este "amigo famoso" terá violado Bernardo Teixeira uns tempos depois. "No calor abafado do carro, no meio de uma rua deserta, iluminada apenas pela luz ténue de um candeeiro, o meu amigo famoso, sempre tão simpático e prestável, tratava-me como lixo".
O autor descreve mais adiante como soube do escândalo Casa Pia e o que
sentiu quando a televisão passou imagens de um alegado pedófilo, precisamente quem o tinha violado: o motorista da instituição.
"Como era possível que ele tivesse feito o que fez comigo a centenas
de miúdos? E quem eram eles? Comecei a lembrar-me dos rostos dos meus colegas, um a um", conta, sublinhando a conclusão a que chegou quando soube das notícias: "Eu fui violado. Eu sou um dos miúdos violados pelo Caetano (nome fictício)".
A partir daqui, o autor descreve como se tornou uma das testemunhas
do processo, mas principalmente do medo que sentiu nos tempos seguintes e que, segundo o próprio, tiveram razão de ser, uma vez que terá sido ameaçado, espancado e até raptado.
Adeus aos sonhos
Esta testemunha foi ouvida pela Polícia Judiciária, a quem terá apresentado uma queixa. Nesse dia, pensou: "Por momentos senti que estava prestes a fazer a maior burrice da minha vida. Se calhar devia era ficado caladinho".
O "adeus aos sonhos" chegou pouco depois. Bernardo Teixeira abandonou o Colégio Santa Catarina, deixando para trás o sonho de ser "advogado" e "alguém na vida".
Como justificação para abandonar o colégio, contou a verdade. À frente da mãe - a quem acusa de o ter abandonado no colégio aos 11 anos - mas também dos profissionais da instituição que o acompanharam nos últimos anos e que alegadamente não sabiam do que se passava.
"Como é possível que isto vos tenha passado tudo ao lado?! Prometeram-me que aqui eu ia tornar-me um homem decente e com futuro. Na realidade o que aconteceu é que fui violado mais do que uma vez por mais do que uma pessoa", questionou.
Seguiu-se a "descida ao inferno". O autor passou pela prostituição, consumiu drogas, foi agredido várias vezes. Teve a protecção do Estado e deixou de contar com esta. E deixou de acreditar.
Quando escreveu a obra, publicada pela editora "A esfera dos livros", o processo Casa Pia estava na fase de alegações finais. "Não acredito nas
pessoas e muito menos na Justiça portuguesa (...) e tenho a certeza de que muitos dos arguidos vão levantar-se das cadeiras dos réus sem pena ou com uma pena muito reduzida".
Sem culpar a Casa Pia, Bernardo Teixeira identifica o réu: "O Estado português, que me via como uma vítima de violação, mas que não julgou todos os envolvidos".
José Sena Goulão/Lusa (Expresso)

O que «tira o sono» a Elisa Ferreira



Porto: «todos os dias 18 pessoas passam a ser ex-portuenses», garante ministro Teixeira dos Santos, candidato do PS à Assembleia Municipal.

Se daqui por 15 dias conseguir entrar na Câmara do Porto como presidente, Elisa Ferreira já tem a lista das prioridades: «encontrar uma solução para o problema do Parque da Cidade», onde a câmara tem uma dívida de 169 milhões de euros, entre indemnizações aos proprietários dos terrenos e custas judiciais. «Este é um daqueles problemas que me tira o sono», garante.

A par do «grande problema financeiro» há outro, «a desertificação» da cidade, que lhe rouba horas ao descanso. Os indicadores já tinham sido avançados minutos antes pelo ministro da Economia e Finanças, agora na pele de candidato à Assembleia Municipal:

«Nos últimos oito anos, o Porto perdeu 41 mil habitantes», ou dito de outra forma, «todos os dias 18 pessoas passam a ser ex-portuenses», anunciou Teixeira dos Santos.

Via-verde na habitação

Elisa Ferreira apresentou 183 medidas concretas incluídas num grupo de sete grande propostas relacionadas com o trabalho, habitação, vida, partilha, dinamismo, valorização e afirmação.

Assegurar actividade para dois mil desempregados ou beneficiários do Rendimento Social de Inserção, lançar uma via-verde para o licenciamento na reabilitação urbana, criar uma bolsa de casas para arrendamento e constituir um novo fundo para o arrendamento, «de modo a promover e aumentar a oferta», adequando-a à procura são apenas algumas das medidas mais importantes, a par do projecto casas «low cost» em parceria com as cooperativas de habitação.

«Vamos limpar o Porto e fazer as pazes com a Avenida dos Aliados»

«O Porto está sujo» pelo que se impõe «uma acção de emergência para limpeza de fachadas e espaços públicos». «Vamos limpar o Porto», promete Elisa, ao mesmo tempo que se propõe «fazer as pazes com a Avenida dos Aliados», oferecendo-lhe «animação, árvores e flores».

A criação de uma rede de ciclovias não limitada a objectivos de lazer e de manutenção, a par da segurança, com o reforço da presença policial em zonas e horários especiais, e da recuperação imediata do Mercado do Bolhão são outras medidas a que vêm juntar-se, na área educativa, «o alargamento da oferta pública pré-escolar dos 4 meses ate aos 3 anos» ou na área social, a criação de mini-lojas do cidadão para idosos.

Prioridade às ligações Lisboa-Porto e Porto-Galiza no TGV/CAV

O Porto de Elisa vai dar prioridade às ligações Lisboa-Porto e Porto-Galiza no TGV/CAV, bem como criar um gabinete de acolhimento empresarial «para atrair e facilitar a instalação de empresas».

«Um festival das 4 estações» que associe ao S.João (Verão), a festa da Literatura (Outono), da Gastronomia (Inverno) e da Música (Primavera) encerram o ciclo de propostas, juntamente com a dinamização cultural.

«Cultura não é só La Feria»

Cultura no Porto não pode resumir-se a um nome . . .La Feria. Elisa nada tem contra o produtor dos maiores sucessos de bilheteiras, mas quer «recuperar o estatuto de espaço de diversidade» para o teatro municipal Rivoli» e também quer um Museu da Cidade.

Cara-a-Cara com Rio e o efeito legislativas

Elisa tem dormido pouco nos últimos meses e visitado muito a cidade, mas a recente campanha para as legislativas negou-lhe o palco mediático de que precisava. «Retirou-me muita visibilidade», confessa em declarações ao tvi24.pt. Restam agora 15 dias para recuperar os «dez pontos» que a separam do actual presidente.

Rui Rio «recusou liminarmente a sua proposta de debates dois a dois», mas Elisa renova o desafio e recusa a política dos recados pela Comunicação Social.

«Espero que o Porto seja coerente com o voto de domingo»

Se a recente vitória socialista nas legislativas a pode prejudicar ou beneficiar é coisa que a candidata desconhece. Já Teixeira dos Santos não hesita em invocar a recente vitória de «um projecto inovador» encabeçado por Sócrates, e que levou vantagem no Porto, para deixar o apelo: «Espero que o Porto seja coerente com o voto de domingo».
(Portugal Diário, 29/9/2009)

A declaração de Cavaco Silva



Presidente da República falou da polémica das escutas.

Durante a campanha eleitoral foram produzidas dezenas de declarações e notícias sobre escutas, ligando-as ao nome do Presidente da República. E, no entanto, não existe em nenhuma declaração ou escrito do Presidente, qualquer referência a escutas ou a algo com significado semelhante. Desafio qualquer um a verificar o que acabo de dizer.
E tudo isto sendo sabido que a Presidência da República é um órgão unipessoal e que só o Presidente fala em nome dele ou então os seus chefes da Casa Civil ou da Casa Militar. Porquê toda esta manipulação?
Transmito-vos, a título excepcional, porque as circunstâncias o exigem, a minha interpretação dos casos. Outros poderão pensar de forma diferentes, mas os portugueses têm o direito de saber o que pensou e o que continua a pensar o Presidente da República.
Durante o mês de Agosto, na minha casa no Algarve, quando dedicava boa parte do meu tempo à análise dos diplomas que levei comigo para efeitos de promulgação, fui surpreendido com declarações de destacadas personalidades do partido do Governo, exigindo do Presidente da República que interrompesse as férias e viesse falar da participação de membros da sua Casa Civil na elaboração do programa do PSD, o que, de acordo com informação que me foi prestada, era mentira.
E não tenho conhecimento, de que no tempo dos Presidentes que me antecederam no cargo, os membros das respectivas casas civis tenham sido limitados na sua liberdade cívica, incluindo contactos com os partidos a que pertenciam.
Considerei graves aquelas declarações: um tipo de ultimato ao Presidente da República.
A leitura pessoal que fiz dessas declarações foi a seguinte. Normalmente não revelo a leitura pessoal que faço de declarações de políticas, mas, nas presentes circunstâncias sou forçado a abrir uma excepção.
Pretendia-se, quanto a mim, alcançar dois objectivos, com aquelas declarações: primeiro, puxar o Presidente para a luta político-partidária, encostando-o ao PSD, apesar de todos saberem que eu, pela minha maneira de ser, sou particularmente rigoroso na isenção em relação a todas as forças partidárias; segundo, desviar as atenções do debate eleitoral das questões que realmente preocupavam os cidadãos.
Foi esta a minha leitura. E, nesse sentido, produzi uma declarações durante a visita à aldeia de Querença, no concelho de Loulé, no dia 28 de Agosto. Muito do que depois foi dito ou escrito envolvendo o meu nome, interpretei-o como visando aqueles dois objectivos. Incluindo as interrogações que qualquer cidadão pode fazer sobre como aqueles políticos sabiam dos paços dados por membros da Casa Civil da Presidência da República. Incluindo mesmo as interrogações atribuídas a um membro da minha casa Civil, de que não tive conhecimento prévio e que tenho dúvidas, que naqueles termos exactos, tenham sido produzidas.
Mas, onde está o crime de alguém, a título pessoal, se interrogar sobre a razão das declarações políticas de outrem? Repito, para mim tudo não passava de tentativas de consolidar os dois objectivos já referidos: colar o Presidente ao PSD e desviar as atenções.
A mesma leitura fiz da publicação num jornal diário de um mail, velho de 17 meses, trocado entre jornalistas de um outro diário sobre um assessor do gabinete do primeiro-ministro, que esteve presente durante a visita que efectuei à Madeira em Abril de 2008. Desconhecia totalmente a existência do conteúdo do referido e-mail e, pessoalmente, tenho sérias dúvidas, repito, tenho sérias dúvidas da veracidade das declarações nele contidas.
Não conheço o assessor do primeiro-ministro nele referido, não sei com quem falou, não sei o que viu ou ouviu na visita à Madeira. Se disso fez ou não relatos a alguém. Sobre mim próprio teria pouco a revelar, que não fosse de todo explícito e, por isso, não atribui qualquer importância à sua presença quando soube que tinha acompanhado a minha visita à Madeira.
«A primeira interrogação que fiz a mim próprio quando tive conhecimento da publicação do e-mail foi a seguinte: Porque é que é publicado agora, a uma semana do acto eleitoral, quando já passaram 17 meses?
Liguei imediatamente a publicação do e-mail aos objectivos visados pelas declarações produzidas em meados de Agosto. E, pessoalmente, confesso que não consigo ver bem onde está o crime de um cidadão, mesmo que seja membro do staff da Casa Civil do Presidente , ter sentimentos de desconfiança ou de outra natureza em relação a atitudes de outras pessoas, mas o e-mail publicado deixava dúvida na opinião pública sobre se teria sido violada uma regra básica que funciona na Presidência da República.
Ninguém está autorizado a falar em nome do Presidente da República, a não ser os seus chefes da Casa Civil e Militar. E embora me tenha sido garantido que tal não aconteceu, eu não podia deixar que a dúvida permanecesse. Foi por isso, e só por isso, que procedi a alterações na minha Casa Civil.
A segunda interrogação que a publicação do referido e-mail me suscitou foi a seguinte: será possível alguém do exterior entrar no meu computador e conhecer os meus e-mails? Estará a informação confidencial contida nos computadores da Presidência da República suficientemente protegida? Foi para esclarecer esta questão que hoje, precisamente hoje, que ouvi várias entidades com responsabilidade na área da segurança.
Fiquei a saber que existem vulnerabilidades e pedi que se estudasse a forma de as reduzir.
O Presidente da República tem, às vezes, de enfrentar problemas bem difíceis. Assistir a graves manipulações, mas tem de ser capaz de resistir, em nome do que considera ser o superior interesse nacional. Mesmo que isso lhe possa causar custos pessoais. Para mim Portugal está primeiro.
O Presidente da República não cede a pressões, nem se deixa condicionar seja por quem for. Foi por isso que entendi dever manter-me em silêncio durante a campanha eleitoral. Agora, passada a disputa eleitoral, e porque considero que foram ultrapassados os limites do tolerável e da decência, espero que os portugueses compreendam que fui forçado, fui forçado a fazer algo que não costumo fazer: partilhar convosco, em público, a interpretação que fiz sobre um assunto que inundou a comunicação social durante vários dias sem que alguma vez, sem que alguma vez a ele me tenha referido directa ou indirectamente.»
(Portugal Diário, 30/9/2009)

Caso Submarinos: buscas a escritório de advogados



Investigadores do Departamento Central de Investigação e Acção Penal tentam obter informações.

Investigadores do Ministério Público, dirigidos pelo juiz Carlos Alexandre, estão desde as 10:30 na sede da Vasco Vieira de Almeida & Associados, no âmbito de uma investigação relacionada com um concurso público.
Rita Varão, daquele escritório de advogados, confirmou à agência Lusa as diligências do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), afirmando quem estão a ser ouvidos todos os advogados que prestaram assessoria jurídica a um cliente que integrou um consórcio internacional participante num concurso público.
Não foi revelado o nome do cliente nem o concurso público, até porque a investigação à empresa que integrou o consórcio está a decorrer simultaneamente em vários escritórios de advogados. «Estão apenas a recolher documentos e a ouvir os advogados», acrescentou.
A notícia foi avançada pela revista «Sábado», segundo a qual a operação do Ministério Público decorre também no escritório de advogados Sérvulo & Associados. Fonte ligada disse ao processo acrescenta à agência Lusa que estão decorrer em quatro escritórios de advogados.
Num desses escritórios de advogados - Vasco Vieira de Almeida e Associados - estão cerca de 10 investigadores, acompanhados por um magistrado e por um representante da Ordem dos Advogados.
A operação estará relacionada com «suspeitas de corrupção, tráfico de influências e financiamento ilegal de partidos políticos no processo de aquisição dos dois submarinos U-214 adquiridos pelo Estado português ao Germain Submarine Consortium (GSC)». Refira-se que as suspeitas levantam a hipótese destes dois escritórios de advogados terem intervido no negócio de 875 milhões de euros assinado, em Abril de 2004, pelo então ministro da Defesa Paulo Portas.
(Portugal Diário 30/9/2009)

Dádivas e mimos



Interessa-me muito o universo semântico da prenda. Segndo o diccionário, trata-se duma dádiva que se faz voluntariamente, e uma dádiva é uma coisa que se faz de forma gratuita, uma festa… um mimo.

E um mimo é uma amostra de afecto ou consideração expressiva e carinhosa. Quer dizer, este universo desliza pelos parâmetros da mais pura desafeição. O diccionário, às vezes é assim, tem tanto de ingénuo como de simpárico.

O certo é que quando oferecemos quelquer coisa, consideramos que quem a recebe se renda à exibição do nosso carinho. Com que motivo? O principal. Para que nos apreciem mais.
Desejamos oferecer uma alegria e isso é muito bonito. Mas, dar de maneira gratuita não implica não se gastar mais nada com o oferecido, pelo contrário, gastamos para que percebam que não nos importa o dinheiro, mas a sua felicidade. O facto de se conseguir que gostem mais de nós – objectivo primeiro da prenda – é adulação?

De maneira nenhuma. Se nos apreciam mais e em nós votam, certamente que também se recordarão de nós no momento de nos “agasalharmos”, quando nos toque a vez, de maneira gratuita e carinhosa.

Quer dizer que, participamos todos na roda das prendas. Os pais, as mães, os filhos, as mulheres e os homens, aquele a quem se deve um favor ou de quem queremos recebê-lo: todos andamos como hamsteres dentro da roda. O mundo açucarado e rosa, pois na beatitude do diccionário e não na egoísta realidade do que dá para mais tarde receber.

Um mundo maravilhoso em que nos dedicamos a oferecer e a organizar festas e passeios com o único benefício da gratuitidade do afecto. Um mundo em que uns trajes não pagam um contrato milionário – passe a ordinarice. Um mundo no qual os do contrato milionário se levantam de suas camas com a ideia fixa de oferecer a felicidade na forma de bolsas, diamantes.., sem pensar que os destinatários das suas dádivas serão mais amáveis com eles por semelhantes miudezas. Sinceramente, é tudo muito bonito, uma beleza rara e comovente.

Se me fosse permitido recomendaria a leitura de D. Quixote a alguns, particularmente na Madeira: “Se por acaso dobrares a vara da justiça, que não seja com o peso da dádiva, mas com o da misericórdia.”, como a recomendaria a diversos autarcas e demais políticos.

Há os que, na sua leitura cervantina não se deixam corromper por esse peso desinteressado, senão que apostavam pela misericórdia de dar a quem necessita, de se colocar no lugar do próximo. Não pensaram, alguns, que com uma oferta se comprava um presidente. E não pensaram os outros, que seriam premiados pelo presidente por falta duma prenda. Uns e outros dedicam-se ao nobre desporto da amizade, que, no melhor dos mundos possível, como pensava o Cândido de Voltaire, não tem preço.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Portugal regressa ao crescimento em 2010


Para este ano, Vítor Constâncio estima uma contracção inferior a 3,5%

O Banco de Portugal anunciou que vai rever em alta as estimativas de evolução da economia, prevendo um crescimento ligeiramente positivo já em 2010.

O governador do Banco de Portugal , Vítor Constâncio, afirmou que "o desempenho da economia portuguesa deverá ser "um pouco superior ao previsto para a área do euro".


Para 2009, o supervisor estima uma contracção inferior a 3,5%, apontando para um crescimento positivo já em 2010.

"Em Abril passado prevíamos uma recessão de menos 3,5% este ano e um crescimento negativo de menos 0,6% no próximo ano. Neste momento, as perspectivas apontam para uma recessão inferior neste ano e um crescimento ligeiramente positivo em 2010", disse Vítor Constâncio , durante uma reunião de representantes de bancos centrais dos PALOPS (países africanos de língua oficial portuguesa).

O responsável afirmou ainda que o Banco Central Europeu (BCE) não tem qualquer compromisso prévio quanto à evolução das taxas de juro.

"Nós não temos nenhum compromisso prévio em relação às taxas de juro. Estamos sempre dependentes do que for a evolução (dos indicadores económicos)", garantiu.

Vítor Constâncio defendeu que os estímulos orçamentais e monetários devem manter-se, uma vez que a recuperação económica continua frágil e não há risco de inflação.

(Alberto Frias – Expresso – 29/9/2009)

Maria João Avillez lança novas suspeitas


No mesmo dia em que Cavaco Silva afastou Fernando Lima da Presidência da República, Maria João Avillez lançou na segunda- feira à noite novas suspeitas no caso das alegadas escutas em Belém.

No mesmo dia em que Cavaco Silva afastou Fernando Lima da Presidência da República, Maria João Avillez lançou na segunda- feira à noite novas suspeitas no caso das alegadas escutas em Belém. No "Jornal das Nove" da SIC Notícias, a jornalista – que é amiga pessoal do Presidente da República há mais de 20 anos – assegurou que o agora ex-assessor para a comunicação social de Cavaco não terá sido o único elemento da Casa Civil a falar aos jornalistas do "Público".


Em entrevista a Mário Crespo, Maria João Avillez assegurou que teve conhecimento de que um outro elemento da Presidência daRepública terá "reflectido em voz alta" com jornalistas do "Público" sobre as acusações de deputados do PS de que o programa eleitoral do PSD contava com a ajuda de assessores de Cavaco Silva.

"Sei que em Agosto deste ano, uma outra fonte que não é o Fernando Lima – mas que pertence à Casa Civil – manifestou a sua perplexidade face a quatro deputados do PS (Vitalino Canas, VítorRamalho, Francisco Assis e José Junqueiro) terem dito que gente da Casa Civil estava a colaborar no programa do PSD", referiu Maria João Avillez, sublinhando, contudo, que "esta outra fonte nunca referiu a palavra escuta".

Segundo afirmou a jornalista a Mário Crespo, perante estas acusações, esta fonte "reflectiu em voz alta com alguém do 'Público', questionando 'como é que eles sabem? vêem através das paredes?'", revelou, frisando que a reflexão não terá sido formulada "nestas palavras exactas".

Falou mas não diz mais nada

Contactada pelo 24horas, Maria João Avillez escusou-se a adiantar mais pormenores acerca deste episódio, frisando que "já disse tudo o que tinha a dizer sobre o caso".

A jornalista sublinhou ainda que "ninguém pode dizer mais nada sobre o caso enquanto o Presidente não se pronunciar sobre o caso", remetendo assim para as declarações de Cavaco Silva em que o Presidente referiu que iria analisar o caso apenas depois das eleições do próximo dia 27 de Setembro.

Tendo em conta os novos elementos apresentados por Maria João Avillez, o 24horas tentou ainda obter um comentário do director do "Público" a estas declarações.

Contudo, e apesar de ter sido contactado telefonicamente e por e-mail, José Manuel Fernandes não deu qualquer resposta às questões colocadas pelo nosso jornal.



(24 Horas – 29/9/2009)

Só para recordar...


Relembrando:

Voltando atrás…

Evocando...

Determinadas abordagens

Do que se passou em determinada Instituição



http://videos.sapo.pt/aWCBzS2SIhahWzoftzgZ




É uma boa altura para recapitular e tentar descobrir onde estará o

erro grosseiro.


Já agora, façam o favor de ler esta mensagem; não é para dar sorte, é para

que todos saibam e para eles saberem que nós nos lembramos e

sabemos!!!!

E que é necessário dar continuidade ao assunto e que a Justiça deixe de ser «cega».

Investigadores do Freeport em Londres


Ministério Público indefere reclamações de Lopes da Mota

Magistrados e elementos da Polícia Judiciária que estão envolvidos na investigação ao processo Freeport estão em Londres, na sede do Serious Fraud Office (SFO) a tentar recolher a documentação que está para ser enviada desde a última deslocação, em Abril passado. Trata-se de elementos considerados fundamentais, já que permitirão detectar o rasto das eventuais luvas, possibilitando até a constituição de novos arguidos no processo. Esta poderá não ser a última viagem, acreditando as autoridades que poderão ainda ter de voltar a Londres no âmbito da mesma investigação.


Entretanto, ontem, o Conselho Superior do Ministério Público indeferiu as duas reclamações apresentadas pelo procurador Lopes da Mota no âmbito do processo disciplinar de que foi alvo por suspeita de pressões sobre os investigadores do caso Freeport. O magistrado, que preside ao Eurojust, pretendia que o seu processo fosse tornado público, e ainda afastar o instrutor, Vítor Santos Silva. Ambas as reclamações foram indeferidas, apurou o CM, apesar de a Procuradoria-Geral da República, numa atitude inédita, ter recusado divulgar oficialmente a informação.

(A.L.N. e T.L. Correio da Manhã)

Presidente da República marca declaração para hoje às 20h00


A declaração acontece apenas dois dias depois das eleições legislativas

O Presidente da República convocou a comunicação social para o Palácio de Belém, para hoje ao início da noite, às 20h, para fazer uma comunicação ao país.




O assunto sobre que versará a comunicação do Presidente da República não foi anunciado no comunicado emitido pelo Palácio de Belém. Mas devido ao momento político que se vive, tudo indica que Cavaco Silva vai debruçar-se sobre os resultados eleitorais das legislativas que decorreram no domingo e que foram vencidas pelo PS com maioria relativa.



A comunicação deverá também fazer luz sobre o que o Presidente pensa e sabe sobre a existência de suspeitas entre os seus assessores de que estavam a ser vigiados. A expectativa é grande, porque por duas vezes o Presidente se recusou a comentar o assunto e remeteu as suas palavras para depois das eleições.



Recorde-se que o PÚBLICO noticiou a 18 de Agosto que existiam entre membros da Casa Civil do Presidente da República suspeitas de que estavam a ser vigiados. Perante esta notícia, Cavaco nada disse e afirmou que só falaria depois das eleições.



Já a 18 de Setembro, o Diário de Notícias publicou integralmente um mail que, alegadamente, terá sido trocado entre dois jornalistas do PÚBLICO em que era referida uma fonte do jornal no processo de investigação deste caso. Perante o trabalho do DN, Cavaco acabou por afastar Fernando Lima da chefia do gabinete de imprensa de Belém. Mas quando ouvido pelos jornalistas no dia 18 de Setembro voltou a insistir que só comentaria o assunto depois das eleições. O que deverá, assim, acontecer hoje.



Jornal Público

Major acusado de usar Tony Carreira para cativar votos


Valentim oferece convites para espectáculo do cantor

Valentim Loureiro está, desde ontem, segunda-feira, a dar convites para um concerto de Tony Carreira. É o autarca quem os entrega em mão a cada munícipe. Para a rival do PS, Isabel Santos, é a "sul-americanização absoluta da política".


Ao longo do dia de ontem, chegaram a fazer-se filas enormes à porta da Câmara de Gondomar, com munícipes interessados em ver o espectáculo de sexta-feira de Tony Carreira, inserido nas festas do concelho. Cada um era recebido por Valentim Loureiro, no seu gabinete, a quem entregava o número de convites solicitados.

"Está tudo louco pelo Tony Carreira. É uma loucura!", reconhece, o próprio autarca, enquanto entregava seis convites a uma mulher que lhe garantia ser gondomarense. A Autarquia mandou fazer cerca de dez mil convites mas, segundo o major, deverão ser insuficientes para satisfazer todas as solicitações. "Começa a ser impensável manter o concerto no pavilhão multiusos", confessa Valentim, admitindo alterar o local do espectáculo.

Para a candidata socialista à Câmara de Gondomar, a iniciativa de Valentim Loureiro revela "uma sul-americanização absoluta da política, fazendo de Gondomar uma república das bananas".

"É bem evidente que isto representa uma mexicanização da política", reforça Isabel Santos, questionando um programa das festas do concelho que inclui ainda um concerto de Paulo Gonzo, no dia 9, último dia de campanha eleitoral para as autárquicas. Daí que, quando questionada se considera que Valentim poderá estar a tentar cativar votos com a iniciativa, responda: "Está à vista de todos".

O presidente da Câmara de Gondomar nega, porém, todas as acusações. "Não tenho culpa que as festas coincidam com as eleições. Não fui que que marquei as eleições. Que culpa tenho?", alega, garantindo que só decidiu dar convites para um concerto gratuito por razões de segurança. "É preciso controlar o número de pessoas que vão estar no pavilhão", diz.

Valentim Loureiro nega, assim, que esteja a tentar cativar apoios com um espectáculo de Tony Carreira. "Já cá esteve há dois anos. Ninguém se vai iludir aqui com umas festas. O que conta são as obras de quatro anos", argumenta, adiantando estar prestes a entregar mais de 200 casas e que só o faz agora porque "o Tribunal de Contas se atrasou com o visto".

Quem procurava ontem obter um convite, batia palmas à iniciativa do autarca. "Acho muito bem. Todos fazem o mesmo, só que às escondidas. Ele (Valentim Loureiro) não é hipócrita", considera Teresa Moura, assegurando que o presidente da Câmara de Gondomar "já dava muitas coisas antes das eleições". "Ele tem o espírito de dar", acrescentou.

Ao lado, Artur Santos sublinha que o autarca "recebe toda a gente e fala com toda a gente". E reforça: "Já fui a muitos passeios dele (Valentim). Já fui a Fátima e a Lisboa de avião". "A minha mãe também", remata Teresa Moura.

Convites já são vendidos na Net

Alguns dos convites que a Câmara de Gondomar está a oferecer para o concerto de Tony Carreira já estão à venda na Internet. Em vários anúncios do site OLX, de classificados gratuitos, pede-se entre 10 a 25 euros por cada "bilhete", alegando-se "indisponibilidade para ir ao concerto". Valentim refere que já alertou a empresa do cantor. "Vamos enviar convites para o clube de fãs. Não quero que andem para aí a ser vendidos", diz.

HERMANA CRUZ (Jornal de Notícias 29/9/2009)

A Europa perdida

Desta vez não parece ter sido o touro quem a raptou. Antes, foi ela mesma quem se perdeu na selva duma democracia que acaba por não funcionar ao nível da sonhada Europa. Daquela europa que começou como uma necessidade para evitar de novo crueis guerras no seu território, que se foi desenvolvendo a partir da necessidade de encontrar soluções para problemaas concretos, sem um marco competencial claramente delimitado, passando por expansões sucessivas até chegar a contar com 27 membros, e com a intenção, por agora falida, para se dotar duma espécie de Constituição, complexa, demasiado extensa, repetitiva e que, mais que uma Constituição, era a refundição de leis e directivas em vigor, se chegou a uma Europa que se perdeu a si mesma, porque perdeu os seus cidadãos; não conseguiu atraí-los. A Europa é uma realidade como mercado único, como moeda única.


A Europa vem da liberdade, como algo evidente e que parece não estar totalmente em perigo, sendo assim que, a preservação da paz e da liberdade foi o motor do desenvolvimento da unidade europeia.

É certo que a maioria das actuais gerações europeias não teve que conquistar a liberdade e a paz com sacrifício próprio. Mas não é suficiente. Melhor seria recordar que a União Europeia foi mais um projecto das elites políticas e intelectuais que um projecto para o cidadão. É certo que, a princípio, a cidadania pôde acompanhar as suas elites com certa ilusão. Mas, o edifício resultante cresceu até se tornar irreconhecível, além de que a maioria dos cidadãos europeus seriam – melhor, seríamos – incapazes de dizer quais são as competências da Comissão, do Conselho de Ministros, do Parlamento, quem possui a iniciativa legislativa, quando actuam os órgãos europeus, quando funciona o princípio da subsidariedade. A quase todos se apresentaria o problema que forçou a reforma da ordem federal na Alemanha, a quem se podem pedir responsabilidades, em que caso e por que razão.

Sem essa adjudicação de responsabilidades, sem a possibilidade de pedir contas claras por actos concretos, em casos também concretos, a democracia sofre e aos cidadãos torna-se difícil identificar-se com determinadas instituições. E nesta situação, de nada serve proclamar que a Europa deve avançar para uma verdadeira federação de Estados. Tão-puco acredito que sirva de muito reclamar a eleição popular dum presidente europeu nem queixar-se de que o Conselho de Ministros europeu não conte com suficiente legitimidade democrática, porque não foi eleito: não o foi a nível europeu, como nenhum dos que se sentam no dito Conselho; apenas o foi no seu país de origem. Seria muito mais conveniente considerar duas questões básicas: uma simplificação da estrutura europeia, com clara atribuição de competências e de responsabilidades, transferindo-as a nível europeu só quando fosse necessário e não perder de vista que o horizonte possível dos humanos não pode ser um horizonte universal, mas sempre concreto, visível e conhecido e se, em Portugal há queixas porque não se fazem esforços em todo o território para ter um conhecimento mínimo das línguas minoritárias, pobre Europa! O que faz que o discurso que acompanhou o projecto de união política europeia, um discurso baseado na crise dos Estados nacionais, está a ser desmentido pelos cidadãos.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Autárquicas: Quatro debates televisivos entre os candidatos ao Porto



Os candidatos à Câmara do Porto nas próximas eleições autárquicas vão estar em confronto em quatros debates televisivos. O primeiro está agendado para a próxima quarta-feira, dia 30 de Setembro, às 22 horas, na SIC Notícias. Segue-se, depois um outro no dia 6 de Outubro, no Porto Canal. O última debate deverá acontecer no dia 8, na RTP.
Está ainda agendado um confronto na TVI, que será gravado na próxima sexta-feira, mas que só depois irá para o ar, em data a designar

Na rádio, está previsto apenas um debate, também entre todos os candidatos, na Antena 1, no dia 6 de Outubro.

Parece, assim gorada, a possibilidade de um frente-a-frente com Rui Rio que Elisa tantas vezes reinvindicou, mas que o actual presidente da Câmara do Porto sempre recusou. Rio chegou inclusivamente a mostrar-se disponível para fazer apenas um debate com todos os cabeças-de-lista.

Segundo revelou ao GRANDE PORTO o director de informação do Porto Canal, Fernando Tavares, a estação televisiva regional vai promover, a partir de terça-feira, mais seis debates entre os candidatos a algumas das autarquicas da Região Norte.

O ciclo de debates arranca com o encontro entre os candidatos à Câmara de Matosinhos, seguindo-se, depois, dia 30, a Maia. Vila de Conde (dia 1 de Outubro), Vila Nova de Gaia (dia 2), Gondomar (dia 7) e Valongo (dia 8) são os outros concelhos qu estarão em debate na estação televisiva por cabo.

Autor : João Queiroz

Grandeportoonline

Foto : António Rilo

A dor na vida


Já alguém parou uns instantes para pensar na razão da existência da dor, do sofrimento nas nossas vidas?
Talvez que, num daqueles momentos de extrema angústia, em que o coração parece fortemente apertado, alguém tenha pensado na vida e gritado intmamente: porquê?
Os considerados especialistas, benfeitores espirituais, tentam esclarecer-nos que a dor é uma lei de equilíbrio e educação.
Léon Denis, reconhecido escritor francês, na sua obra “O Problema de Ser, do destino e da Dor”, esclarece-nos que o génio não é somente o resultado de trabalhos seculares; é também a apoteose, a coroação do sofrimento.
De Homero a Dante, a Camões, a Tasso, a Milton…, todos os grandes homens têm sofrido.
A dor fez-lhes vibrar a alma, inspirou-lhes a nobreza, a intensidade da emoção que souberam traduzir com os acentos do génio, o que os imortalizou.
É na dor que mais sobressaem os cânticos. Quando ela atinge as profundezas do ser, faz de lá sair os gritos sinceros, os poderosos apelos que comovem e arrastam multidões.
Pobres dos que tentam ignorar a dor alheia…
Dá.se o mesmo com todos os heróis, com todas as pessoas de grande carácter, com os corações generosos, com os espíritos mais eminentes. A sua elevação mede-se pela soma dos sofrimentos que viveram.
Ante a dor e a morte, a alma do herói revela-se em toda a sua beleza comovedora, na sua grandeza trágica que toca, às vezes, o sublime e o ilumina duma luz inextinguível.
A história do mundo não é outra coisa mais que a sagração do espírito zelador. Sem ela, não pode haver virtude completa nem glória perene.
Se, nas horas de provação, soubessemos observar o trabalho interno, a acção misteriosa da dor em nós, no nosso “eu”, na nossa consciência, compreenderíamos melhor a obra da natureza e a sublime educação e aperfeiçoamento.
A dor é um dos meios para nos chamar a determinados lugares e, ao mesmo tempo, tornar-nos mais rapidamente acessíveis à felicidade.
Ferem-nos, corrigem-nos como a mãe corrige o filho para o educar e melhorar; trabalham incessantemente para nos tornar sempre mais dóceis, para nos martirizar dizendo, no entanto, ser para purificar a vida e embelezar a nossa, porque não podemos ser felizes como eles, talvez apenas na medida correspondente às suas perfeições. (!?)
Muitos perguntam: para que serve a dor? Poderia servir para polir a pedra e esculpir o mármore, fundir o vidro e martelar o ferro.
A dor física é, em geral, um aviso da natureza que procura preservar-nos dos excessos. Sem ela, abusaríamos dos nossos órgãos até ao ponto de os destruirmos antes de tempo. E quando é o tempo? Quando um mal perigoso se vai insinuando em nós, que aconteceria se não sentíssemos os efeitos desgradáveis? Invadir-nos-ia cada vez mais, terminando por secar em nós as fontes da vida. É assim que, no nosso mundo, para o nosso crescimento, a dor ainda se torna necessária. Talvez não tanta…

domingo, 27 de setembro de 2009

O esvaziamento



Equivocam-se os que dizem que a política não se desfará. É toda a sociedade portuguesa que se desfaz se não houver uma rápida mobilização dos cidadãos honrados a fim de impôr o mínimo de sensatez aos actos públicos. Não podemos desculpar-nos com a cise mundial do sistema democrático. Se a cada dia basta o seu cuidado, a cada povo cabe a sua responsabilidade.
Quando se revelou a queda de Wall Street, em consequência da roubalheira continuada pelos que se lembraram que a globalização neoliberal da economia fora engendrada, em Washington e Londres para garantir a exploração dos recursos dos países periféricos. Durante algum tempo, em Portugal, o governo hesitou em acatar ordenes neoliberais, codificadas pelos economistas num manual a que se deu o nome de “Consenso de Washington”.
Mas, como os “sábios” costumam ouvir outros “sábios”, os génios nacionais da economia, senhores de cátedras em Coimbra, Lisboa e Porto, empenharam-se em fazer “os trabalhos de casa”. Agiram sem ouvir ninguém, como se não houvesse vida inteligente no país.
O Consenso de Washington complicou-se no famoso Acordo Multilateral de Investimentos, que se frustrou graças ao bom senso dos cidadãos franceses e canadianos, que o denunciaram. Frustrou-se de modo geral, mas chegou a ser cumprido, nas suas cláuslas isoladas, de forma unilateral, pelos governos dos países do hemisfério sul.
A forte reacção de muitos sectores da vida nacional conseguiu impedir que tudo fosse entregue: salvou-se o essencial de algumas empresas públicas, hoje declaradas quase na falência para, na próxima legislatura serem privatizadas.
Enquanto isso ocorria, a maioria dos homens de bem cuidava, em primeiro lugar, do seu próprio quintal, da sua própria economia, do seu próprio emprego. Se houvesse tempo, dedicavam-no, como obrigação, à família e – mais como hábito que convicção – à sua fé, frequentando os templos.
Há uma frase de Disraeli, o poderoso e controverso primeiro-ministro britânico, que deveria servir de meditação: «O filho de judeus convertidos ao cristianismo atribuiu a grandeza da Inglaterra ao facto de que, naquele país, os homens de bem tê (ou tinham naquele tempo) tanta ousadia quanto os canalhas.»
Falta essa ousadia à maioria dos homens de bem em Portugal, além de informação mais honesta. Muitos dos que, hipocritamente berram na AR e no governo, pelas televisões e rádios, as suas virtudes, não podem ser considerados homens honrados: basta examinar a sua vida conhecida.
Devemos ver a ética como um acto de inteligência, de sabedoria. O apodrecimento da política é, sobretudo, resultado de essencial idiotice. É sempre bom lembrar que idiota em grego significa egoísta.
O egoísmo – antítese de solidariedade, da ética – conduz ao abandono de todos os cuidados no comportamento dalguns homens públicos. O Parlamento que temos é resultado do balançar de ombros dos cidadãos, que vão às urnas todos os quatro anos, mas só se preocupam com a eelição do chefe do poder executivo. Não aprenderam, ainda, que, numa República, não há mais soberanos que o povo, que o Parlamento deve representar.

Primeiro hotel de praia renasce após demolição

Já foi Pensão Viola, Grande Hotel da Rocha e, 103 anos depois, renasceu como Hotel da Rocha. A primeira unidade hoteleira a receber os turistas que há um século descobriram a pequena Biarritz algarvia voltou este Verão a encher-se de banhistas, após uma demolição.




O investimento de 25 milhões de euros na reconstrução do hotel secular foi protagonizado pela cadeia RR Hotels, para restabelecer o fluxo de turistas dos operadores internacionais e elevar a qualidade da oferta de alojamento.

O velhinho Hotel da Rocha, de três estrelas, veio abaixo em 2006 e, dois anos depois, abriu portas o novo Hotel da Rocha, com quatro.

«Este Verão tivemos essencialmente famílias, que nunca tinham optado por este hotel devido ao estado de degradação a que chegou», observou à Lusa Fernando Rocha, administrador da cadeia RR Hotels.

A dimensão da intervenção e a sua importância para a requalificação do destino turístico mereceu que o secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, lhe tivesse reconhecido «utilidade turística».

«Quando adquirimos o hotel, em 2005, pensávamos investir cerca de 2,5 milhões de euros para o requalificar, mas rapidamente nos apercebemos que tínhamos de demolir e de multiplicar esse valor por dez, pois a estrutura não tinha sofrido quaisquer melhorias desde a ampliação que sofreu em 1969», explicou.

Construído em 1906, numa altura em que a Praia da Rocha começava a ser vista por jornalistas de turismo como «a pequena Biarritz» - uma analogia a uma das referências balneares europeias situada na costa atlântica francesa - o hotel foi crescendo ao sabor do sector que despontava na região.

À primogénita Pensão Viola, sucedeu o Hotel Viola, em 1932, e, três anos depois, para dar resposta ao número crescente de turistas que as carroças puxadas por bois - denominadas carrinhas - traziam até à estância balnear, nova ampliação abria portas ao Grande Hotel da Rocha.

«O mundo mudou e este hotel acabou por se tornar num mau exemplo da hotelaria local», disse ainda, fazendo referência ao facto de ter chegado ao século XXI com preços baixos e sem capacidade de responder às exigências de um hotel de primeira linha da costa.

Os dois edifícios que compunham o hotel de três estrelas foram demolidos em apenas dois meses (2006) e deram lugar a um único, «de design moderno e onde a predominância do vidro tenta maximizar a proximidade à praia».

Agora, com quatro estrelas, os responsáveis da RR Hotels podem gabar-se de ter visto as 158 junior suites do renovado hotel ocupadas nos meses de Julho e Agosto, período de soft opening.

«Este período permitiu-nos restabelecer contratos com operadores internacionais e apostar na venda na Internet, meio através do qual efectuámos cerca de 45 por cento das reservas», fez ainda notar Fernando Rocha.

Apesar da crise, a RR Hotels, detida pelos empresários Fernando Rocha e Renato Pereira, pretende continuar a aumentar a sua oferta no concelho de Portimão, que actualmente conta com o Hotel Júpiter e com o Aparthotel Amarilis.

Paralelamente à renovação do Hotel da Rocha, o grupo está a construir uma outra unidade hoteleira com 400 apartamentos de quatro estrelas em Alvor, um investimento de cerca de 60 milhões de euros.

Lusa / SOL

"Milagres"e orações em armazém tiram sossego


Populares pedem explicações

Culto praticado em espaço sem licença leva moradores a pedir medidas


Gritos, música, cânticos. Há um ano que moradores da Rua do Parque da República, em Vila Nova de Gaia, se queixam da falta de sossego desde que uma seita religiosa ocupou, ilegalmente, um armazém, e faz "milagres" e orações à noite.

"São gritos, são desmaios, é uma histeria. Mesmo com as portas e janelas fechadas, o barulho é tanto que não se ouve nada dentro das casas". A afirmação é de Maria da Conceição Pinto, uma das residentes na rua que tem vindo, insistentemente, a alertar as autoridades para a falta de sossego na vizinhança.

A seita religiosa, denominada"Igreja Evangélica - Assembleia de Deus e Novas da Paz", anuncia os horários das orações na porta: diariamente, a partir das 20horas, aos domingos, a partir das 17 horas.

"Começou por ser às quintas-feiras e aos domingos, mas agora é todos os dias à noite e ao domingo todo o dia", conta Fátima Pinto, outra contestatária. Para além das orações "recheadas de dramatismo" e dos "milagres" à mistura, os moradores queixam-se de outro barulho: o dos tambores. "Nós até nos assustamos. Para além dos gritos, são os bombos a tocar, eles a cantar...É pior do que uma banda", desabafam, em uníssono, os moradores.

Armindo Correia, de 70 anos, vive ainda mais de perto o "inferno". Mora por cima do armazém, antiga fábrica de confecções, e há um ano para cá, que tem sido obrigado a mudar os seus hábitos. "Tive que me privar da minha filha vir cá almoçar aos domingos com as minhas netas, porque as crianças ficam assustadas e não conseguem fazer a sesta", conta o inquilino. "A partir das 14.30 horas, começam a tocar os tambores. Fecho todas as janelas, mas mesmo assim, não há sossego", diz.

Também Maria da Conceição apresenta os seus motivos. "O meu marido é doente oncológico, chega a casa, quer descansar e não pode". A irmã, Fátima Pinto, recorda o episódio vivido há alguns meses, quando a mãe foi vítima de um Acidente Vascular Cerevral (AVC). "Fui pedir-lhes para fazerem menos barulho e eles ainda queriam vir cá tratá-la". O pedido foi acatado por uns tempos, "mas depois esqueceram-se".

O barulho prolonga-se até depois das 22 horas, pelo que a Polícia já foi chamada várias vezes ao local. "Dizem-nos que temos que recorrer à Gaiurb", refere Armindo Correia. "Fui e apresentei queixa. Eles vieram cá, disseram que tinha razão, mas a verdade é que nunca mais cá voltaram". Já passou meio ano, e, entretanto, houve novas visitas da Polícia. "Disseram-nos que a única solução é fazer um abaixo-assinado e mandar para a Câmara".

Alexandrina Brandão, que vive ao lado do armazém, fala em falta de informação. "Não sabemos a quem nos dirigir. As autoridades deviam ouvir-nos e o senhoria devia ter-nos consultado", critica. "Não há uma lei do ruído para cumprir?", interroga Aldina Silva.

Maria Eduarda Filipe mora em frente ao "lugar de culto", tem 80 anos e as mesmas queixas. "Nem com tudo fechado se consegue ouvir o televisor", reclama, acrescentando que no seu prédio, "os inquilinos são padeiros e levantam-se às quatro da manhã".

Recusando estarem a vetar o direito ao culto religioso, os queixosos argumentam: "Cada um é livre de ter a sua religião desde que não incomodem os outros".

00h30m

VERÓNICA PEREIRA (Jornal de Notícias 27/9/2009)

A falta de patriotismo


O português ganhou vergonha de parecer ufano, na base do “porque-me-sinto-orgulhoso-de-ser-português.” Talvez por isso, o português tenha colocado na cabeça que Portugal possui, relmente, os campos de golfe mais fantásticos do mundo.

Parece vergonhoso falar disto, mas no Alentejo, onde havia searas produtoras de trigo, hoje vêm-se magníficos campos de golfe. Pena é a água do Alqueva ser tão tóxica, não dando para uma exploração séria.

É quase um recorde mundial, sim, e que somente encontra concorrentes nos Estados unidos e talvez na Grã-Brteanha. Refiro-me aos campos de golfe.

Respiremos fundo, agora: são esses campos de golge, absolutamente fantásticos, os mais produtivos do mundo, que os governos já começaram a doar às multinacionais em dificuldades, com a ajuda de determinada imprensa.

Há tempos, numa espécie de leilão, o presidente duma agência do governo, teve a coragem (ou outra coisa qualquer), de pedir um preço simbólico de cinquenta mil a cento e cinquenta mil euros (com todas as letras e números) de euros, aos investidores dessa área. O golfe.

Usou uma desculpa para tentar justificar esses preços sórdidos: o mercado golfista mundial estaria em baixa, e o turismo também. Ah! A gripe A H1N1 pode ter contribuído para isso, de nada valendo as óptimas reservas de Tamiflu. Acontece, porém que desde Janeiro, os preços têm subido, quase duplicaram, fenómeno que merecia manchetes e que nem sequer foi noticiado pela grande imprensa. Não se faz. E se em vez de golfe, fossem campos petrolíferos?

A verdade foi escondida para que a sociedade golfista não discutisse os preços exigidos – ou o que nseria ainda mais importante - discutisse a própria política de transformação das searas em campos onde se dão umas tacadas sobre relva fresca e viçosa. Mais claramente: se os campos são os mais fantásticos do mundo , se os lucros são fabulosos, porquê, então, o responsável do governo não vende acções golfistas a todos os portugueses que, bem divulgadas em cada vez mais publicidade nos canais públicos de televisão?

Ah! Sim: no primeiro leilão, alguns campos (ex-searas) foram comprados por milhões de euros, mil vezes o preço pedido, tendo sido depois apresentado como um resultado algo fantástico. Mas não o é. É uma ninharia. Esmola a um pobre. Basta ver esses campos, que podem facturar entre dois a quatro milhões por ano.

As oposições precisam de se mobilizar e com elas a sociedade portuguesa, contra o assalto aos campos de golfe.

Dizem-nos que a economia está estável, que o pior da crise já lá vai. No entanto, a indústria recua 7%. Sectores com maior queda? Telecomunicações e equipamentos para energia eléctrica. Isto é, as multinacionais “compradas” das estatais continuam a abocanhar tudo. Desempregam e continuam a torrar dólares afundando ainda mais Portugal. As privatizações levaram o nosso país de volta ao passado. Voltou a ser uma “republiqueta” dependente. Ou será colónia?

Políticos devem "pagar" pelos erros grosseiros

Noronha do Nascimento defende responsabilização igual à dos juízes
00h30m

O presidente do Conselho Superior da Magistratura, Noronha do Nascimento, defendeu ontem, sexta-feira, que os políticos devem, como os juízes, poder ser responsabilizados por "erros grosseiros" cometidos na sua actividade.


Na abertura do VI Encontro do CSM, que hoje termina em Tomar, Noronha do Nascimento questionou por que razão não se alarga o modelo de responsabilidade civil dos juízes - que pode levar um juiz a ter de reembolsar o Estado por indemnizações pagas baseadas em decisões erradas - a "outros titulares de soberania, para além dos juízes, quando há casos de dano efectivo que atingem o cidadão".

Noronha do Nascimento afirmou que há exemplos visíveis de situações lesivas "no âmbito de manifesta inconstitucionalidade ou de opções políticas subsequentes a declarações preventivas de inconstitucionalidade".

O presidente do CSM criticou a lei que estabelece que o Estado pode ser processado por erros graves ou dolosos cometidos por magistrados no exercício da actividade dos tribunais, podendo pedir reembolso ao juiz, o chamado "direito de regresso", por ser demasiado vaga.

A Lei da Responsabilidade Extracontratual do Estado, disse, é "criticável" por dizer que um juiz pode ser responsabilizado quando comete um "erro grosseiro na apreciação dos pressupostos de facto que conduzem à prisão preventiva", mas por não tipificar quais são esses erros grosseiros, ao contrário, por exemplo, da lei italiana.

Noronha do Nascimento argumentou que a lei terá de ser alterada, afirmando que "casos recentes" confirmam-no. Atribui a "culpa" ao "sistema antigo de nomeação de juízes em início de carreira para tribunais que deviam exigir uma experiência longa".

O CSM, que segundo a lei deve dar um parecer prévio sobre o direito de regresso quando um tribunal superior determinar que houve falha grave de um magistrado, congelou uma nota de "Muito Bom" a Rui Teixeira, primeiro juiz do processo de pedofilia da Casa Pia, que ordenou a prisão preventiva de Paulo Pedroso.

Noronha do Nascimento defendeu ainda que os juízes devem ter "poderes processuais discricionários" para "parar ou evitar incidentes" que só visem atrasar os processos, ou seja, ser uma "polícia processual". Na sua opinião, os juízes devem poder fixar as regras do processo, limitar tempos de instância e número de testemunhas, recusar incidentes "inúteis e dilatórios" e fixar "prazos curtos".


(Jornal de Notícias – 26/9/2009)

sábado, 26 de setembro de 2009

A segunda vida de Roberto Bolaño



Depois do assombro causado entre críticos e leitores de língua inglesa, é amanhã posto à venda em Portugal o romance "2666", do chileno Roberto Bolaño. Para muitos, uma obra-prima ao nível da melhor literatura do século XX. Há quem já fale em "Bolañomania".
Quando nos últimos meses do ano passado os suplementos literários dos jornais de referência americanos - e no início deste ano, também os dos periódicos ingleses - começaram a dar destaque a uma obra com cerca de mil páginas acabada de publicar, com um título enigmático - "2666" -, de um escritor chileno praticamente desconhecido, o público leitor ficou curioso e as vendas excederam em muito as melhores expectativas.
O "The New York Times Book Review" fez capa com uma foto de Roberto Bolaño (1953-2003) e abria com um extenso artigo sobre o malogrado autor e uma análise crítica ao monumental romance que havia pouco tempo chegara às livrarias.
O "Washington Post", por sua vez, compara "2666" às obras mais ambiciosas do século XX, saídas do génio de Proust, Musil ou Joyce. Diz ainda que com este livro Bolaño se "juntou aos imortais". Daí até que tivesse sido considerado o "livro do ano" por várias publicações (para algumas mesmo até "livro da década", ou então "o primeiro grande romance do século XXI"), não passou muito tempo. E o novo ano começou com a atribuição a "2666" do prestigiado "National Book Critics Circle Award".
Menos de quatro por cento da literatura publicada em língua inglesa é traduzida. Para um livro originalmente escrito em castelhano, um sucesso desta dimensão - o "The Economist" publicou um texto intitulado "Bolaño-Mania" - é capaz de trazer de novo à vida, e isto um pouco por todo o mundo, a obra de qualquer autor ("2666" fora publicado por uma editorial de Barcelona havia quatro anos). É o que está a acontecer e, provavelmente, assim continuará com os manuscritos de romances que só muito recentemente foram encontrados pelo agente e pela viúva no espólio deixado pelo escritor aquando da sua morte em 2003, em Barcelona, por falência hepática - quando o seu nome quase chegava ao topo da lista de espera para se sujeitar a um transplante de fígado.
A vida aventurosa
Mas quem foi e o que fez este chileno genial que só começou a publicar prosa aos 40 anos de idade? Nascido em Santiago do Chile, filho de um camionista (antigo campeão de boxe amador - são várias as referências ao boxe nos livros de Bolaño) e de uma professora, passou a infância e a adolescência assombrado pelo tormento da dislexia, o que o levou a isolar-se e a ler tudo o que lhe vinha parar às mãos, com um apetite especial pela poesia.
Aos 15 anos emigrou com os pais para a Cidade do México, e segundo o que o próprio contava, voltou ao Chile poucos dias antes do golpe que depôs Salvador Allende e esteve preso durante uma semana pelos militares, tendo sido libertado porque dois guardas tinham sido seus companheiros de escola. (Aqui a sua biografia turva-se, pois são vários os colegas e amigos mexicanos que dizem que nessa altura ele se encontrava no México, que nunca mais voltou ao Chile. Uma amiga, escritora e crítica, diz que esse episódio fora inventado por ele por sentir vergonha de não ter estado lá. O pai confirma a versão de Roberto.)
No México fundou o "Infrarrealismo", movimento poético punk-surrealista cujo manifesto dizia ser pela provocação e pelo "apelo às armas" contra as grandes figuras da literatura latino-americana, com algumas excepções que não eram referidas: Borges, Bioy Casares e Córtazar. (De García Marquez, por exemplo, diz que é "um homem deslumbrado por ter conhecido tantos presidentes e arcebispos".) No final dos anos 70, a caminho de uma promessa de emprego na Suécia, passou por Espanha para visitar a mãe doente e acabou por ficar. Subsistiu com trabalhos mal remunerados mas que lhe deixavam algum tempo para a literatura, sobretudo poesia: lavou pratos em restaurantes, guarda-nocturno num parque de campismo, apanhador de lixo. Levou uma vida de vagabundagem.
Em 1990, com o nascimento do primeiro filho, instalou-se com a família numa localidade da Costa Brava e escreveu apenas prosa para poder concorrer a prémios literários regionais com o fim de ganhar dinheiro. Depois de algumas recusas por parte das editoras, conseguiu publicar os primeiros livros de ficção. Durante os últimos dez anos de vida escreveu febrilmente como se soubesse que não chegaria a velho. À data da morte, em Julho de 2003, tinha quase pronta a sua obra-prima, "2666", na qual trabalhara arduamente para a deixar pronta. Contrariando o que dissera durante anos, expressou então a vontade de que esse livro fosse transformado em cinco, as suas partes publicadas de maneira independente. Os herdeiros, o editor e o executor testamentário não o fizeram pois sabiam não ter sido essa a sua vontade inicial, e que apenas a alterara por recear pelo futuro económico dos filhos.
Ciudad Juárez
As cinco partes em que "2666" está dividido têm dois pontos em comum: um homem e um lugar. O homem é um escritor alemão recluso que nunca ninguém viu, apenas se lhe conhecem os livros. O lugar é a cidade ficcional de Santa Teresa - no deserto mexicano de Sonora, na fronteira com os Estados Unidos -, onde centenas de corpos de mulheres de todas as idades, barbaramente violentadas e assassinadas, são encontrados ao longo de anos nas lixeiras e nos campos baldios em redor das fábricas de montagem de componentes, conhecidas como "maquiladoras". A quarta parte do romance, a mais longa e a mais descritiva, intitulada "a parte dos crimes", dá conta desse horror.
Santa Teresa é na realidade Ciudad Juárez, onde nos anos 90 estes estranhos homicídios começaram a ocorrer. (O jornal "El Mundo", na edição de dia 15 deste mês, dá conta de que os crimes ainda não terminaram.) Logo a partir dessa altura, Roberto Bolaño interessou-se por eles, queria muito entender as circunstâncias do que acontecera, e com todos os pormenores. Mas durante algum tempo o seu conhecimento resumia-se ao que os jornais publicavam. Entretanto, um dos vários amigos mexicanos a quem começou a escrever para pedir pormenores deu-lhe o contacto de um jornalista do "Reforma", Sérgio González Rodriguéz, que tinha começado a investigar os macabros acontecimentos. Rodriguéz publicara já artigos em que afirmava que polícias, políticos e narcotraficantes estavam juntos para proteger os assassinos. E contava várias histórias, entre as quais a da prisão de um "bode expiatório", um tal Sharif, árabe-americano, que estava no México havia menos de um ano e que nem tão-pouco falava castelhano. Em 1999, na Cidade do México, o jornalista foi raptado, assaltado e espancado por desconhecidos quando apanhava um táxi. Escapou à morte anunciada por ter sido atirado para fora de um táxi quando um carro-patrulha se aproximava do veículo que o transportava. (Este jornalista é uma das muitas personagens de "2666", mas é morto pelos raptores.) Na correspondência trocada entre ambos, Bolaño inquiria-o sobre tipos de armas utilizadas, modelos, calibres dos projécteis, marcas de carros suspeitos, descrições físicas de presumíveis implicados, tudo o que pudesse caracterizar os crimes.
Em 2002, aquando do lançamento em Espanha do livro de González Rodriguéz, "Huesos en el Desierto" (Anagrama), em que o jornalista dá conta de todo o seu trabalho sobre o caso, os dois homens encontraram-se frente a frente pela primeira vez. Rodriguéz visitou Bolaño na sua casa em Blanes - isto conta Marcela Valdés num ensaio sobre "2666" - e sabendo que devido à doença o escritor não podia beber álcool, levou-lhe um pacote de meio-quilo de café da casa "La Habana", na Cidade do México, tantas vezes referida no romance "Detectives Selvagens". Mas o fígado de Bolaño também já não suportava o café, de maneira que apenas pode enfiar o nariz dentro do pacote e aspirar o aroma. Meses depois, Roberto Bolaño publicou um ensaio intitulado "Sérgio Rodriguéz debaixo do tornado" em que lhe agradecia a ajuda dada e a informação sobre os atrozes crimes de Ciudad Juárez e dizia que o livro do jornalista "não é apenas uma fotografia do mal e da corrupção; transforma-se numa metáfora do México e de um futuro incerto para a América Latina".
"2666" permanecerá um título obscuro, a menos que entre os muitos apontamentos de Bolaño ainda por classificar, se encontre uma explicação. O executor testamentário e amigo do escritor, Ignacio Echevarría, assinala numa nota à edição do livro uma referência encontrada num anterior livro de Bolaño a uma avenida que se assemelha a um "cemitério de 2666". Outros referem incorrectamente o número apocalíptico da Besta, mas esse é apenas "666". 2666 é, segundo a tradição e calendário judaico, o ano do Êxodo, quando os judeus deixaram de estar sob o jugo do faraó. E um novo tempo iria começar.

25.09.2009 - José Riço Direitinho – Público

Primeiras cargas policiais na Cimeira do G20




Polícia dispersa marcha não autorizada de duas mil pessoas com gás e balas de borracha


A cimeira do G20, que reúne os países mais ricos e os emergentes na cidade norte-americana de Pittsburgh (Pensilvânia) motivou esta manhã confrontos entre a polícia e manifestantes, noticia a «Reuters».
Cerca de duas mil pessoas marchavam contra o capitalismo e a globalização, no centro da cidade, horas antes do arranque das reuniões, marcadas para as 9:30 da manhã, (14:30 em Lisboa), quando se registaram cargas policiais contra o protesto não autorizado.
Os agentes dispararam gás lacrimogéneo e balas de borracha para dispersar a multidão.
Vários manifestantes quebraram montras de lojas e de restaurantes, assim como de uma concessionária de veículos e de um banco, numa zona a escassos quilómetros do centro de convenções onde decorrem as reuniões do G20.
O centro de Pittsburgh está sob fortes medidas de segurança. Milhares de efectivos, entre soldados, polícias e forças de segurança locais, apoiados por helicópteros e blindados, protegem o palco da cimeira.

(Portugal Diário)

Líderes determinam bases para «crescimento sustentável»

Os líderes do G-20, reunidos quinta e sexta-feira em Pittsburgh, Estados Unidos da América, comprometeram-se hoje a «definir as bases para um crescimento vigoroso, sustentável e equilibrado para o século XXI»

Na declaração final da cimeira, as 20 economias mais desenvolvidas e as emergentes concluíram que é preciso deixar para trás «uma era de irresponsabilidade» para suportar uma recuperação económica que já se iniciou mas que está ainda «incompleta».




«Comprometemo-nos hoje a manter a nossa resposta vigorosa até que esteja assegurada uma recuperação duradoura. Actuaremos para nos assegurarmos de que quando voltar o crescimento, voltem também os empregos», lê-se no documento final.



«Vamos evitar a retirada prematura dos estímulos. Ao mesmo tempo, vamos preparar as nossas estratégias de saída e, quando for oportuno, vamos retirar os nossos apoios extraordinários de forma cooperante e coordenada, mantendo os nossos compromissos de responsabilidade fiscal», acrescenta.



Outra das resoluções que saiu de Pittsburgh foi a «reforma da arquitectura global para atender às necessidades do século XXI», em termos económicos e financeiros.



«Designamos o G-20 como o centro principal da nossa cooperação económica internacional. (…) Comprometemos-nos (no Fundo Monetário Internacional) a transferir como quota aos mercados emergentes dinâmicos e aos países em desenvolvimento pelo menos cinco por cento, utilizando a fórmula de atribuição de quotas actuais como ponto de partida para trabalhar».

As 20 potências do G-20 acordaram ainda «levar a cabo novas medidas que incrementem o acesso a alimentos, produtos energéticos e finanças aos (países) mais pobres do mundo, uma vez que ponham fim aos fluxos ilícitos».


Do ponto de vista ambiental e energético, os líderes do G-20 decidiram «racionalizar e finalizar no médio prazo os subsídios ineficazes para o consumo de combustíveis fósseis», bem como «manter a abertura exterior até (que se alcance) um crescimento mais sustentável e verde».

«Lutaremos contra o protecciones. Estamos empenhados em encerrar a Ronda de Doha com sucesso em 2010», refere ainda a declaração final do encontro de Pittsburgh. O G-20 agendou ainda dois encontros para o próximo ano, esperando que a partir de 2011 possa reunir-se apenas anualmente.


(Lusa/Sol)


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Furto de palha embaraça candidatos


Ontem

Dois candidatos à Câmara e Assembleia Municipal de Moura, Alentejo, nas listas do CDS/PP, nas autárquicas de 11 de Outubro, são acusados de terem participado num furto de palha, mas, segundo o JN apurou, não vão ser substituídos.


Os dois homens, ambos de raça cigana, foram surpreendidos em flagrante delito, na companhia de um terceiro, por militares do Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da GNR de Moura, quando furtavam palha, numa propriedade privada.

Guilherme R., de 68 anos e João B., de 28, fazem parte das listas do CDS/PP, à Câmara e Assembleia Municipal. O primeiro pode mesmo ser eleito vereador, caso o CDS/PP ganhe as eleições no concelho.

Segundo o major José Candeias, do Comando Territorial de Beja da GNR, a detenção dos dois homens aconteceu quando, na sequência de um "patrulhamento inopinado", os militares os surpreenderam a "furtar palha, que carregavam para uma carrinha"

O caso ocorreu na última sexta-feira, cerca das 18. 30 horas, no sítio da Forca, à entrada de Moura. Quando os militares detectaram a situação, "os indivíduos já tinham cerca de meia centena de fardos de palha", revela José Candeias.

Na sequência da queixa feita pelo proprietário da palha, e por se tratar de um crime semi-público, "os dois indivíduos foram interrogados e constituídos arguidos, passando o inquérito a processo comum", explicou o oficial.

Sílvia Ramos, presidente da Distrital do CDS/PP, e cabeça-de -lista à Câmara de Moura, mostrou-se "surpreendida com a novidade" que lhe foi dada a conhecer pelo JN, e referiu que "iria averiguar o caso e tomar uma decisão".

Posteriormente, a responsável que hoje recebe Paulo Portas em Beja numa das últimas acções de campanha para as legislativas, confirmou a ocorrência, mas diz que envolveu apenas um dos acusados. Assegurou ainda que os dois indivíduos não vão ser substituídos nas listas do partido.

Lembrado a convicção democrata-cristã, Sílvia Ramos foi categórica: "Não vou atirar a primeira pedra" e justificou esta posição com o facto do CDS/PP estar "a fazer um processo de integração". Refira-se que os dois acusados são de etnia cigana. A concluir, a responsável sublinhou que "meia dúzia de fardos de palha", não representa nada comparado com os casos "Freeport, Felgueiras e Apito Dourado".

TEIXEIRA CORREIA (JN)

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O que as televisões mundiais escondem





Há algumas semanas, uma jovem pacifista perdeu a vida, Rachel Corrie, de 23 anos. Era uma estudante da Universidade de Olympia (Washington), e pertencia ao Movimento Pela Justiça e Pela Paz.

Com a sua Associação pacifista organizou iniciativas por ocasião do aniversário do 11 de Setembro, em memória das vítimas do desastre e da Guerra do Afeganistão.

Este ano, Rachel decidiu passar da teoria à acção; foi para israel, onde se uniu ao grupo palestiniano Movimento Internacional de Solidariedade.

Com esta Associação participava em acções para bloquear as escavadoras israelitas, que tentavam deitar abaixo as casas dos Kamikazes e dos seus familiares nos territórios palestinianos.

Aos amigos, em diferentes e-mails, escreveu: «Destroem as casas mesmo com gente lá dentro; não têm respeito por nada nem por ninguém.»

A 15 de março, numa acção em Rafah, na fronteira de gaza, Rachel encontrava-se com seus amigos para tentar impor-se ás demolições.

“Estava sentada na trajectória do Bulldozer, o condutor viu-a, continuou e passou-lhe por cima”, declarou Joseph Smih, militante pacifista dos Estados Unidos.

A escavadora deitou-lhe terra em cima e depois pisou-a”, testemunhou Nicholas Dure, outro companheiro.

Os amigos tentaram por todas as maneiras parar a escavadora, e depois prestaram ajuda, mas já nada havia a fazer.

Rachel Corrie, de apenas 23 anos perdeu a vida, quando defendia com o próprio corpo as suas ideias, o direito dos cidadãos palestinianos a terem um tecto e uma terra.

As autoridades israelitas deram diferentes versões do sucedido, todas elas desmentindo a documentação fotográfica e os testemunhos. A jovem foi morta a sangue frio de forma bárbara, quando se manifestava pacificamente.

Rachel e os seus companheiros denunciaram que todos os dias dezenas e dezenas de casas são destruídas na fronteira de gaza, que os bombardeamentos danificam os poços de água doce nos campos de refugiados de rafah e que os mesmos não podem ser reparados pelos trabalhadores palestinianos sem se exporem ás balas israelitas.

Muitas foram as iniciativas em olympia e em todos os estados Unidos para recordar rachel.

Esta exposição quer ser um testemunho para não esquecer Rachel, uma jovem pacifista que, com a sua coragem queria parar as injustiças que todos os dias são cometidas na Palestina.

Actualmente existem acções contra a guerra. Aquele movimento pacifista, o maior que a história já conheceu, tem em rachel Corrie o seu símbolo, uma jovem que foi morta na lógica absurda e brutal da guerra que todos os pacifistas tentam parar.

O Mundo Inteiro Está em Guerra!!!

Que esta corra o mundo inteiro e convença todos aqueles que não querem entender que se exige que neste mundo a paz seja mais importante que qualquer outra coisa.




Uma lágrima no canto do olho

Torna-se cada vez mais triste viver em Portugal, onde já nem o fado é fado, onde a Justiça se contradiz e permite, depois, a candidatura de quem não devia poder candidatar-se, onde voltam suspeitos em plena impunidade – de darem sumisso a uma filha de quatro anos; onde se fala muito e cada vez mais de futebol – e seus casos – onde se continua a “adorar” o computador “Magalhães” – verdadeiro salvador da pátria – mas onde, e até que enfim, se erradicou o balde higiénico das prisões.
Onde um presidente amante de tabus demite um assessor sem mais explicações, onde há protestos diariamente, a condizer com os despedimentos, onde se fala da gripe A como a causadora de muitas mortes – em Portugal a primeira e também até que enfim…
Onde os políticos se insultam e acusam em vez de apresentarem soluções novas para o velho Portugal e portugueses, onde alguém diz “já só faltam quatro mil votos” para ser eleito…
Onde se vai comendo caldo de nabos – num país de nabões e de nabeiros – onde os empresários não pagam os salários aos trabalhadores…
Onde a Justiça aviltada sai “prestigiada”, onde é cada vez mais necessário um regresso ao civismo!
Onde os professores são constantemente “apedrejados” e se conduz sem carta ou seguro, onde a alta e cara joalharia continua de vento em popa nas vendas “apesar da crise”
Sobre quem Bruxelas teme que o TGV não avance
Onde se perdem ou esbanjam setenta milhões de euros para a Agricultura…
Onde a Censura abunda e avança, haja alguém que diga, com toda a clareza – de que os políticos falam refugiados no obscurantismo em que o país vive…
E transparência não opaca como de costume…
Onde a pobreza é a cada dia que passa mais gritante e se gastam milhões em campanhas que nada esclarecem…
Que poderá travar essa lágrima que teima em rolar pela face do português?
Portugal triste, acabrunhado, mísero e esfomeado, não pode evoluir pois só sabe gritar nos estádios quando deveria sair à rua e mostrar o seu descontentamento e todo o repúdio por tudo quanto se passa consigo.
Vamos permitir que a alegria nacional seja abafada pela tristeza?

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Obviamente, não se demitiu

Mas demitiu um dos seus assessores pelas trocas de e-mails, pelas “escutas” à presidência da república. Caso para se perguntar: “quais escutas?”


Havia prometido tomar posição só após as eleições do dia 27. Mas, repentinamente, a coisa tornou-se urgente, já que corre graves riscos de derrota contundente a sua candidata.

Num outro país, num outro mundo, seria ele próprio a demitir-se, a deixar um lugar que já não é o seu. A confiança do povo está mais que abalada.

O que é curioso, diga-se de passagem, é o modo de agir. Pela calada da noite, fazendo recordar outros tempos e outros tiques menos democráticos, nada mesmo tendo a ver com a democracia, eis que, na manhã seguinte, em desesperada tentativa de demonstração de salutar convívio democrático, o seu assessor surge apenas na qualidade de “já eras, já foste” e tenta-se, com semelhante atitude, passar uma esponja sobre tão grave e complicado assunto.

Sabe-se haver pelo menos um jornal diário implicado, ou dito implicado, e também pessoas desse jornal. Todavia, nada se faz, nada mais se diz, porque é melhor assim…

Talvez se calem os costumeiros faladores, talvez alguns nem se apercebam da gravidade de tudo quanto poderia ter acontecido, do que efectivamente se passou.

A realidade é bem outra, porém, pois pode ter-se tratado dum golpe de Estado vindo de dentro para fora. E se assim é ou foi, tratou-se dum movimento subversivo contra a própria essência democrática, implicando acusação a terceiros na tentativa de retirar dividendos eleitorais.

Podemos ser levados a concluir ter-se tratado dum qualquer «Gate» a merecer mesmo a atenção e cuidados das autoridades que podem e devem interferir nessa área suprema da hierarquia política nacional.

A própria demissão pode ser pena leve.

«Enquanto a energia construtiva puder suplantar a fúria destrutiva, prossegue o terrível flagelo arrastando na sua voragem povos e nações.

Mas, qualquer que seja a máquina, por mais aperfeiçoada e poderosa, o verdadeiro e essencial motor será sempre o coração humano!
J C Menezes