Chegou a caravana entusiasmada num domingo olímpico de Setembro, à quinta do Rui mal-humorado, tão cantada, Senhor pensado do Porto.
Com gritos e risadas estridentes, que o faziam ranger os dentes, enquanto a praça se povoava de alegria: as fontes, já cansadas e dormentes, despertam para avida neste dia.
Os cimentos, onde antes havia relva, ensombrados e sozinhos, recebem mal o alarido infrene; emplumam-se os pavões, pelos caminhos, de seda e ouro, azuis com ar solene…
Em volta, casas alterosas! Que mil apoios campesinos..! Que bons ares!
Passam, depois, pelas bocas sequiosas, copos e garrafas sumarentas que se esvaziam num instante; por passeios de betão, estátuas frias, mostram ás gentes o seu olhar sem luz.
Lembrando tardes calmas,ai jesus, irão surgir “infantes e altezas” que, em jogos de etiquetas, no terreiro? Não! Mas, à tarde, entre açafatas e duquesas, dão fulgor aos serenins do paço.
E na ternura dessa hora amena, sente-se no ar indefinido. Talvez… certa pavana de açucena tocada num canto adormecida.
De brincos de princesa nas orelhas, chapéu de palha, derrubado, ao alto, caem sobre ele mil centelhas dum sol dourado.
Não era uma sécia doutras eras, de ancas e decotes rendilhados, mas tudo falava de quimeras, de senhor por suor corporizadas.
Tarde de encanto, já distante! Que bela foi e quanto mal nos fez! Lembras-te, Nela, num ar gentil, galante, percebeste que perdias pela primeira vez!
`lá adiante, nos jardins do Palácio de Cristal, outros também se divertiam, falavam e prometiam, saudavam e ninguém levava a mal. Porque este, amigos, é Portugal!
J C Menezes
domingo, 20 de setembro de 2009
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