Chegam, caprichosas, através do jornal, da televisão, do computador ou do rádio. Algumas, quase silenciosas, num sussurro para me recordar que existe gente que do outro lado precisa de mim. Algumas palavras chegam aos ouvidos como elogios, outras, maliciosas, de forma a querer ceifar as minhas energias… Ora, como se tivesse nascido ontem… Mas, não sou criança e não tenho medo do escuro, mais não seja porque já lá vivi.
O mundo real é tanto ou mais importante que o virtual e, neste mundo selvagem, consegue sobreviver, apesar de ter de enfrentar feras olhos nos olhos. São dois mundos, não paralelos, mas que fazem gente da mesma sociedade e do meu dia-a-dia.
Fazem-se as escolhas. Por mim, decidi não me esconder e até expor-me às maledicências e más interpretações. Alguns compatibilizam-se comigo, outros não, e assim cultivo indignações, inimigos escondidos nas sombras.
Quanta estupidez, meu Deus. O mundo é mesmo muito difícil. Porquê e para quê torná-lo cada vez pior? Quantos caminhos percorri até aqui… quantos nãos me foram oferecidos e quantos sins foram negados, quanto ódio acumulado consegui extravasar através de palavras á minha frente…
Quantas lágrimas ao reviver situações que em vão tentei enterrar. Mas, quanta alegria, quantas belas amizades descobri neste mundo, que para mim é, ao mesmo tempo velho e tão novo. Gente que sabe do que falo. Gente, simplesmente.
As letras ensinaram-me a compreender e valorizar a vida, a sua qualidade, que já pensava perdida. Procuro a forma certa de me expressar, penso, pondero as frases; omito o que poderá ferir sem querer; uso-as como arma para protestar ou contestar; recorro a elas para aliviar a tristeza que me invade e, brinco: solto uma gargalhada, só na madrugada, viajando enquanto a maioria dorme.
Lá, do outro lado, nalgum momento, alguém se vai rir como uma criança, porque calado, eu soube dizer ao outro o quanto se pode ser alegre vivendo a liberdade.
Um som, uma imagem, a mensagem transmite um conjunto de sentidos, que encontram abrigo no bom pensamento, em contraposição com a pobreza de espírito. Não tão diferente do meu quotidiano, do novo, onde nos deparamos com os olhos do negativismo.
Para quê continuar? Onde viemos parar? Será ainda possível parar?
Não se pára o fluxo dos rios tão facilmente. Constroem-se barreiras para conter as águas, mas elas transbordam. Por mais que digam que não faz sentido, digo que sou único. Todos somos únicos neste mundo. Ninguém pode criticar aquilo que não é capaz de abranger. Talvez a maior razão para escrever estas palavras seja a procura da salvaguarda da minha identidade.
Não se pode..., para isso é preciso unir lados opostos. A gente joga a nossa energia aleatoriamente. Não se contém a repercussão dos nossos actos da mesma forma que não posso conter o meu espírito, e este quer perpetuar a sua existência.
domingo, 20 de setembro de 2009
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