sábado, 31 de outubro de 2009

A memória indelével



Imaginemo-nos possuidores duma memória tão apurada que, já em idade avançada conseguimos ainda lembrar-nos claramente do rosto da nossa mãe inclinar-se sobre o nosso berço.

Ou imaginemos que as palavras e números evocam no nosso espírito imagens concretas específicas. Todos ou muitos dirão que sim, que têm uma vaga ideia ou que se recordam perfeitamente disso tudo.


A nossa capacidade de memória pode ser praticamente ilimitada: não só conseguimos memorizar quase tudo, como cada nova recordação é indelével. O que significa que 5 ou 15 anos depois de termos memorizado um discurso, uma promessa, uma conversa em público ou em privado, podemos repeti-la sem erros e descrever em pormenor a sala onde essa conversa teve lugar.




A recordação duma impressão armazenada resulta num estado de cinestesia em que a memória mistura as imagens, os sons, o tacto, o sabor e o cheiro.


Actualmente, alguns pensam que o sistema límbico, que processa as sensações, é tão activo que suplanta a capacidade discriminativa do cérebro em relação às fontes dos sentidos.

Para nós, isto tem um significado muito importante, ao contrário do que possa significar para um político, que se recusa admitir ter dito isto ou aquilo, neste ou naquele dia, dando a entender que quem está errado, ou obnubilado somos nós e não ele.

Enquanto alguns de nós educam a memória para poderem, mais tarde, recordar-se de tudo o que disseram e do local onde o disseram, o político, geralmente, refuta ter dito o que realmente disse ou ter feito realmente o que fez, negando-o claramente e acusando-nos de estarmos a deturpar o que “efectivamente disseram”.




O político não possui uma memória polissensorial, que é a chave para a capacidade de memorizar conversas e factos passados.


Por vezes, causam “inveja” a quem os ouve negar alegremente o que realmente disseram e fizeram, porque considero ser necessária muita “coragem” para o fazer, ao mesmo tempo que fazem dos outros, de nós portanto, uns desmiolados inventores de frases, gestos que nunca pronunciaram e muito menos fizeram, bastando: “Eu não disse isso! Eu não fiz isso!”… o poder a quem o detém.

E nós ficamos encavacados, porque numa mente normal, as impressões começam quase imediatamente a apagar-se, deixando lugar para novas impressões. É verdade, mas cada impressão recebida dura horas e acaba por ser assimilada, levando á acumulação de memórias sobre memórias. E, como elos mais fracos duma sociedade em que sempre sai vencedora a “lei” do mais forte ou poderoso, acabamos por nos calar, porque todas as estratégias para esquecer determinadas afirmações, gestos ou acções, se revelam ineficazes. E vemo-nos obrigados a suprimir grupos inteiros de memórias, ignorando-as sistematicamente. Depois, experimentamos escrever as coisas que queremos esquecer em folhas de papel que de seguida queimamos ou rasgamos, embora as recordações não se esfumem ou desapareçam. E só a muito custo pessoal conseguimos tentar afastar algumas.



domingo, 25 de outubro de 2009

A flor da honestidade

Conta-se que por volta do ano 250 a. C., na China Antiga, um príncipe estava em vésperas de ser coroado imperador mas, de acordo com as leis, deveria casar-se.


Sabendo disso, resolveu abrir um concurso entre as raparigas da corte ou quem quer que fosse considerada digna da sua proposta.

No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, em celebração especial, todas as pretendentes e, entáo, lançaria o desafio.

Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu tristeza, pois sabia que a sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.



Ao chegar a casa e relatar o facto a sua filha, surpreendeu-se ao saber que ela pretendia ir à reunião, e perguntou incrédula:


- Minha filha, que vais lá fazer? Estarão presentes as mais belas e ricas raparigas da corte. Tira essa ideia insensata da cabeça. Sei que deves sofrer, mas não tornes o sentimento em loucura.

A filha, respondeu: - Não, querida mãe, não estou a sofrer e muito menos louca. Sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é a minha oportunidade de ficar, pelo menos alguns momentos, perto do príncipe. Isso já me faz feliz.

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, com efeito, todas as mais belas raparigas, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções.

Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio:

«Darei a cada uma, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses me trouxer a mais bela flor, será escolhida para minha esposa e futura imperatriz da China.»

A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valoriza muito a especialidade de cultivar alguma coisa; sejam costumes, amizades, relacionamentos…




O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade na arte da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura da sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse, na mesma extensão do seu amor, não precisaria de se preocupar com o resultado.


Passaram três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada tinha nascido.

Dia após dia percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas também cada vez mais profundo o seu amor.

Por fim, os seis meses tinham passado e nada tinha brotado da terra do vaso.

Consciente do seu esforço e dedicação, a rapariga disse á mãe que, independentemente das circunstâncias, voltaria ao palácio na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de alguns minutos na companhia do príncipe.

À hora marcada lá estava, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela que a outra, das mais variadas formas e cores.

Estava admirada, pois nunca tinha presenciado tão bela cena.

Finalmente chegou o momento esperado e o príncipe observou cada uma das pretendentes com todo o cuidado. Depois de passar por todas, uma a uma, anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa.

Os presentes tiveram as mais inesperadas reacções. Ninguém compreendeu porque razão ele tinha escolhido precisamente aquela que nada tinha cultivado.

Então, calmamente, o príncipe esclareceu:

«Esta foi a única que cultivou a flor que a torna digna de se tornar uma imperatriz: a flor da honestidade, já que todas as sementes que entreguei eram estéreis.




A honestidade é como uma flor tecida em fios de luz, que ilumina quem a cultiva e espalha claridade á sua volta.

sábado, 24 de outubro de 2009

E… o mundo foi criado!



Então, Deus disse:


«Que cresça a erva, que dê semente e que da semente cresçam árvores que dêem frutos.»

Depois, Deus povoou a Terra com brócolos, couve-flor, espinafres, tomates, milhos.., vegetais de todas as espécies, para que o homem, criado á sua imagem segundo alguns, e a mulher, pudessem viver longas e saudáveis vidas.





Foi então que satanás criou as McDonald’s e a promoção dos Big Macs, a cinco euros (na moeda da época…)





E Satanás perguntou ao homem, criado à imagem de deus: “Queres as batatas fritas com quê?” e o homem respondeu: “Na promoção, com coca-cola, catchup e mostarda:” E engordou cinco quilos.

Depois, para que o homem não se sentisse tão só, Deus criou a mulher e, ao mesmo tempo criou o iogurte saudável (magro e meio-gordo), para que a mulher pudesse manter a forma esbelta de que o homem tanto gostava e ainda gosta, suponho…




Foi aí que Satanás criou o chocolate, e a mulher engordou cinco quilos.

Paciente, Deus disse: «Experimentai as minhas saladas», apresentando uma vasta gama delas.

Mas, Satanás criou pratos de belas feijoadas, bacalhau com todos, marisco de toda a qualidade. E a mulher engordou dez quilos.




Naquele tempo também a vida resumia-se a comer e dormir… e pouco mais, o que de modo algum serve de desculpas.




Já um tanto decepcionado, Deus disse aos homens: «Enviei-vos bons e saudáveis vegetais, o azeite.., para poderdes cozinhar.»






De imediato, satanás inventou as gorduras hidrogenadas, o frango e o peixe frito, os rissóis… E o homem ganhou mais dez quilos e, os níveis de colesterol bateram os recordes, a diabetes surgiu em força, aconteceram acidentes cardiovasculares, tromboses…





Deus, na sua bondade, criou as sapatilhas e o homem perdeu aqueles quilos extra.


Mas, ah o safado do Satanás, criou a televisão por cabo, com comando á distância, para que o homem não tivesse que se levantar para mudar de canal. E, engordou mais vinte quilos.

Uma vez mais não sei se triste se decepcionado, Deus avisou: «Estais a passar os limites!»

E Satanás criou o ataque cardíaco, o enfarte. E Deus criou a intervenção cirúrgica e o implante da Stent. Mas Satanás criou o sistema de saúde português.



Mas Deus deu ao homem as convenções, os acordos e a aposentação para que pudesse descansar, oferecendo-lhe novas hipóteses…


Sem descansar, Satanás criou os partidos políticos que não querem saber se efectivamente os homens e as mulheres existem. Aqueles que nada ou muito pouco fazem e ligam ao bem-estar social.

E, do cimo da Sua bondade, Deus apresentou uma declaração de desistência.

As doenças invisíveis esquecidas



Respeitosamente e com toda a deferência para com as pessoas e instituições, não posso deixar de lavrar uma opinião acerca do que realmente se passa no país.


No dia 29 de Maio teve lugar em Londres a quarta conferência internacional sobre os cuidados, tratamentos e avanços da investigação da encefalomielite miálgica (síndrome da fadiga crónica).

Proporcionaram-se sólidas evidências biomédicas que não podem ser continuamente ignoradas pelas autoridades da saúde.


Em meu entender, Portugal é um desses países que, se bem que não esqueça a doença, não faz o menor esforço para a dar a conhecer, e menos inda para saber a sua origem, o seu tratamento e suas consequências (é incapacitante e pode chegar a ser mortal).


Hoje, por toda a parte se fala da gripe A.
 


Mas hoje também, felizmente, embora sejam pouccos os que investigam (demasiado dinheiro para investir nuns poucos doentes, é mais rentável dedicar fundos a investigar comom paliar os efeitos da cocaína, por exemplo), considera-se uma doença auto-imune e multissistémica.


Encefalomielite miálgica, ou inflamação do cérebro, da medula e dores musculares, é um termo clinicamente muito significativo, e que, além disso, descreve com precisão a natureza da doença.



Sempre houve pacientes, afectados pelas mais diversas doenças e alguns pela encefalomielite miálgica, que sofriam ao extremo, como com pacientes afectados pela demência ou Alzheimer, e indigna-me que estes e outros pacientes estejam desamparados, por vezes maltratados e incompreendidos, tanto médica como socialmente.


Há dias em que essas pessoas não podem levantar-se. Alguns fizeram-no ontem e hoje pela última vez na sua vida. São as consequências do avanço impiedoso da doença. E a estes pacientes, com demência ou Alzheimer, não há quem negue a incapacidade permanente, pelo simples facto de se tratar de doenças irreversíveis.




Encontramo-nos desprotegidos juridica, social e economicamente. E, pergunto-me porque razão haverá tanto interesse em tornar invisíveis estas doenças, quando se dá visibilidade demasiada e até forçada a uma banal gripe sazonal a que, pomposamente designam por A,


psicose actual.




A uma cidade, a um país, chega o vírus da gripe e todos os habitantes transmitiram, em poucos dias, a infecção.


Há que ver como se vive a psicose actual sobre a gripe A.

Mas, só metade deles terá febre.

Quais?

Aqueles que resolveram um pequeno conflito no ano em curso…

Que papel desempenha a gripe?

O vírus da gripe volta a pôr as coisas no seu sítio e previne a formação do cancro dos brônquios. Algo que sucede com os grandes traumas.




Visto desse modo: bendita seja a gripe!


E se o conflito é mais intenso?

Então, aparece em cena uma bronquite ou uma asma.

Então, para que serve a vacina antigripal?

Não serve para os futuros gripados que se encontram com o sistema imunitário debilitado e correm o risco de sofrer de patologias mais graves. Mas há sempre quem saia beneficiado.






Santinha!!!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Ética, estética e impunidade do poder

Cada vez percebo menos o que significa ter poder. Certamente deve ser algo do sistema que muda, se transforma e faz tremer o mundo que até agora davamos por descontado. Ou talvez aconteça que tenham alterado o que mais pesa e os factores que determinam que alguém seja considerado poderoso.


Pergunto-me o que dá mais poder hoje: o apelido? O património? Os votos? A fama? A possibilidade de fazer o bem ou a capacidade de fazer o mal?

É difícil encontrar uma resposta clara: é evidente que os apelidos pesam, e mais fazem falta as “quatrocentas famílias”, mas nem sempre os apelidos são associados ao dinheiro e, às vezes, quando alguém quer saber ou fazer uma coisa à custa da outra, acaba por ficar sem nenhuma das duas.



Quanto ao património, ah, o património municipal do Porto. Um rico património, manchado de partes “cariadas, apodrecidas”, que de vez em quando dão sinal de si como se um terramoto tivesse assolado a cidade naquela zona.


Incúria!, dizem uns. Desleixo!, dizem outros. Indiferença!, gritam ainda outros.




É a mais pura das verdades que existe um pouco de tudo isto, e mais alguma coisa. Há centenas d prédios, património da cidade, que estão devolutos há anos, a apodrecer lentamente, de tal modo que se resistem aos tais terramotos invisíveis, serão necessários milhões para os recuperar. Como aquele magnífico prédio onde em tempos esteve instalada a Reclusão Militar do Porto, na Rua de S. Brás, que poderia servir para instalar várias Associações que esperam há anos por umas instalações. Mas não! Aquele prédio, por onde passei ainda na terça-feira, «merece apodrecer para que depois sejam lá gastos mais milhões do erário público portuense e nacional para o recuperar.



A autarquia portuense tem andado há anos numa espécie de doloroso processo de “desconstrução” predial, o que, queira-se ou não, afecta o nome do que actualmente detém o poder, mesmo não sendo, talvez, o mais culpado.


Mas, o exercício da responsabilidade dum cargo público impllica ter que superar muitos condicionamentos, ter que arrastar muitos processos contra proprietários que nada ligam e pôe em risco a vida de pessoas, de seres humanos. E, sobretudo, ter que dar muitas explicações. Além disso, o poder vem das urnas e após ter ganho umas eleições, todo o mundo treme temendo perder as próximas. Daí as inseguranças e os medos que levam encarregar informações inúteis e contratar espias da série B, que são os que acabam por ser descobertos.

Suponho que o poder real é opaco e nos passa mais despercebido porque não quer ruído e tem pouca presença mediática. O silêncio indispensável com os níveis de imunidade que requer. Mas, de vez em quando, como um relâmpago, é publicada uma notícia relacionada com este mundo que nos surpreende.




Em plena campanha pela autarquia da cidade, ruiu aparatosa e perigosamente um prédio na Rua Formosa. Felizmente não matou ou feriu ninguém.


E se tudo fosse ao contrário? Se tivesse morrido alguém? Eis aqui o que significa ter poder; deve ser aproximadamente isto… meu caro e velho Porto.

O vazio infinito

Aprendemos que dois corpos não ocupam o mesmo espaço e, a partir daí, deduzimos que para haver espaço, teria que haver algo noutro estado que permitiu a criação duma base estável para que, aí sim, tudo pudesse ser criado. Esse estado é o do “vazio”, pois só não havendo nada dentro dele, algo poderia ser criado e concretizado, mas como outro estado.


O mistério, o tabu é em si o “vazio absoluto” existente no interior de quem deles usa e os guarda em si, dando-lhes mais tarde a existência e sustentação para que, a partir desse estado, tudo quanto é criado tenha o seu lugar neste mundo. Possível?

Logo, o mais velho e proeminente, o primeiro na hierarquia do Estado, por ser e trazer em si o vazio absoluto, não devia nunca ter invocado nem oferendado algo que não pode nem deve ser despachado do interior do “templo” de cada um de nós, e firmado no seu interior para que um “culto” possa ter lugar, porque se assim não for feito a sua única presença implica a ausência de todos os outros, já que o seu estado é o do vazio absoluto.



O acto de despachar para fora do seu templo, na noite de terça-feira o algo que tinha dentro de si, fundamenta-se no facto de que, se estivesse presente em si como ele está no vazio absoluto no qual nada mais existe. Então, foi preciso despachá-lo e assentá-lo no exterior do seu próprio templo, para que um outro estado se tivesse estabelecido, permitindo que acontecesse uma tremenda confusão.


Avançando um pouco mais na interpretação das necessidades primordiais para que tudo aquilo pudesse ser exteriorizado por ele, como um vazio absoluto, não havia como sustentar nalguma coisa, eis que, após esse primeiro estado (de ânimo) da sua criação textual, que leu, ele manifestou o seu segundo estado: o do espaço televisivo.



Mas, o vazio absoluto corresponde á ausência de algo e o espaço é a presença dum outro estado. O Sr. presidente preferiu, após mistérios e tabus, manter-se na ausência de algo, no vazio absoluto do espaço infinito.


Na terça a noite, assim se pode dizer face ao seu discurso, entramos na genealogia duma teoria conspirativa a partir de estados da criação da meledicência e malevolência. E aqui abre-se o espaço para o repouso do “guerreiro”, nesse segundo espaço dentro do primeiro, o vazio absoluto, onde foi criada uma base que, a ampliar-se segundo as necessidades do seu criador, que poderia mostrar-nos como estados da criação são verdadeiros vazios absolutos, vazios infinitos.




Porém, que nos levou á conclusão de que o seu discurso é em si o mistério do espaço infinito?


Tudo nos foi revelado pelo modo como lhe foi confiada a função de sair do seu interior e começar a criar o seu mundo e os seres que, nas suas palavras, o habitam…

Como algo só pode ser criado se houver espaço onde possa ser acomodado, e antes de falar só havia vazio absoluto, como saiu do seu estado, que se expandiu conforme foi falando, ao infinito dentro do vazio. O espaço não é maior ou menor que o próprio vazio, porque são estados, mas ambos bem definidos.

Demonstrou que, afinal, não deveria ter levado tanto dossié para o Algarve.



terça-feira, 20 de outubro de 2009

Liberdade de Imprensa: Portugal cai 14 lugares


Portugal recuou do 16.º para o 30.º posta na lista dos Repórteres Sem Fronteiras. Organziação alerta ainda que a Europa, em conjunto, recuou em termos de liberdade de imprensa.


A organização Repórteres Sem Fronteiras considera que a liberdade de imprensa diminuiu este ano em Portugal, com uma queda do 16º para o 30º lugar na lista dos países que mais respeitam o trabalho dos jornalistas.

Apesar de classificar Portugal como estando "em boa situação" face à liberdade de imprensa, a organização internacional afirma ter-se verificado uma queda de 14 posições na lista dos mais respeitadores da liberdade de imprensa, passando a estar ao mesmo nível da Costa Rica e do Malí.

No ano passado, Portugal estava em 16º lugar, a par da Holanda, Lituânia e República Checa.

A Repórteres Sem Fronteiras alerta ainda que a Europa, em conjunto, recuou em termos de liberdade de imprenssa.

"A Europa, que foi durante muito tempo um exemplo em matéria de respeito pela liberdade de imprensa", recuou na lista, contabilizando apenas 15 países na lista dos 20 primeiros classificados, contra os habituais 18.

(Jornal de Notícias – 20/10/2009)



O social-liberalismo





Conduz a esquerda ao desastre. No passado domingo, dia 11, pôde continuar-se a ver a queda: o social-liberalismo malç disfarçado sob um neoliberalismo vergonhoso, saiu derrotado em Portugal, mas não só, em eleições autárquicas, numa demonstração da via pela qual o social-liberalismo conduz a esquerda nacional e europeia.



Os sociais-liberais portugueses perderam 9,5% para chegarem aos 36,5% dos votos, quando o Bloco de Esquerda, formado por sindicalistas e militantes políticos saídos do PS, do PCP e doutros partidos de menor dimensão, conseguiu 9,85% e a coligação CDU conseguiu 7,88%.




Apesar de tudo, há uma maioria de esquerda, mas as primeiras declarações dos sociais-liberais parecem ir para um governo minoritário do PS face à direita (formada pelos social-democratas, que conseguiram 29,9% e dos conservadores do CDS com 10,4%, que tanto jogam à direita como à esquerda… Um verdadeiro delírio para o CDS, pois uma vez mais roubou votos ao PSD.



O PS, em profundo recuo e recusando a aliança das esquerdas, mantem-se teimosa e talvez orgulhosamente só, embora se preveja que na formação do governo inclua figuras ligadas ao CDS.



Vá-se lá compreender certas ideias ou ideologias, uma vez que é urgente tomar medidas que acelerem a manutenção do mundo e do corpo eleitoral de esquerda.


É preciso retirar ensinamentos quer dos resultados de 27 de Setembro quer de 11 de Outubro.
 


A submissão dos partidos socialistas e sociais-democratas europeus ao neoliberalismo é condenada pelo povo e queima a esquerda. O início do processo de derrocada do social-liberalismo aproveita principalmente à esquerda de transformação social, mas também à extrema-direita e à direita neoliberal. Quanto à esquerda de transformação social, está dividida quando está mais confusa e se confunde mais com a direita, está numa embuscada. Quando está unida, raro em Portugal, faz bons resultados.


A esquerda de transformação social progride quando se apoia em grande parte nas camadas populares – trabalhadores, empregados, operários – que representam em Portugal a maioria. Este ponto é uma advertência para a esquerda de transformação social em Portugal, onde vimos o crescimento do fosso entre as camadas populares e a esquerda de transformação social.

Para todos os que pensem tratar-se duma ligação dialéctica entre as lutas sociais e as eleitorais que podemos construir o caminho do futuro, convém não diabolizar os partidos socialista e social-lberal, uma vez que se não deve regressar ao período “casse contra classe”, dando ordem aos partidos comunistas no mundo de terem como principais adversários os siocial-democratas. Mas, a primeira condição da aliança de todas as esquerdas é a ruptura do partido socialista e social-democrata com as políticas neoliberais e a aliança com os partidos de direita.






A subida eleitoral da esquerda é um elemento determinante para pesar no partido socialista. É, pois, de primeira importância trabalhar na estratégia de união da esquerda, a fim de estar em posição de poder congregar todos os esforços da esquerda. Para o dizer cruamente, não basta que os partidos de transformação social apoiem as lutas das camadas populares: é preciso que essas camadas em luta sejam partes integrantes da esquerda política de trnsformação social.

domingo, 18 de outubro de 2009

Traité de Lisbonne : le soulagement des fulminants



Le biais des médias en faveur de l'Union européenne n'est plus à prouver1. Le
second référendum irlandais sur le traité de Lisbonne nous a donné une
nouvelle occasion de constater l’unanimisme habituel. Les commentateurs
dissimulent à peine le soulagement que leur procure le « oui » irlandais
obtenu de façon on ne peut plus discutable. Deux sujets majeurs –
intimement liés – font consensus dans la quasi-totalité des médias : le
libéralisme et la construction européenne. Ils nous sont toujours présentés
comme allant de soi. Pourquoi sommes-nous ainsi privés d’un débat public
digne de ce nom ? Les taux d’abstention aux élections européennes2 et les
doutes quant aux vertus démocratiques de l’UE n’ont jamais été aussi forts,
au nom de quel intérêt supérieur les médias refusent-ils aux citoyens le
pluralisme dont ils font grand cas lorsque celui-ci ne les engage à rien?

Quel que soit le texte institutionnel du moment, les dirigeants européens sont assurés d'obtenir le concours actif des médias pour en faire la promotion ; ceux-ci sont d'ailleurs les auxiliaires les plus affairés lorsqu'il s'agit de chanter les louanges de « Cette Union européenne qu’a priori tout le monde souhaite3 », selon l'expression de
Sylvie Pierre-Brossolette du Point. L'UE « doit achever son aboutissement4 » d’après
le rédacteur en chef adjoint de France Info, Bernard Thomasson. « On est en manque
d’Europe5 » claironne Christophe Barbier, « L’Europe est notre avenir6 » tranche
Edwy Plenel. Bref, les médias pratiquent le principe tautologique selon lequel « il
faut plus d’Europe parce qu’il faut plus d’Europe » et nous sommes priés de ne pas
en douter.

Faire revoter les Irlandais ? » - Aucune objection.

Chacun put vérifier de nouveau la parfaite harmonie médiatique à l'occasion de ce
que Laurent Delahousse a appelé un « référendum de rattrapage7 ». Le 2 octobre, le
traité de Lisbonne – reformulation délibérément confuse8 du traité constitutionnel
européen rejeté par les Français et les Néerlandais en 2005 – a été adopté en Irlande
par 67,1 % des voix. Le peuple irlandais avait été contraint de se prononcer une
seconde fois sur le même texte bien qu'il l'eût rejeté le 12 juin 2008 (53,4 %), cette
première réponse n'étant manifestement pas la bonne. Si dans les autres pays les
gouvernements ont contourné leur peuple en ratifiant le traité par voie
parlementaire, un tel stratagème n’était pas légalement possible en Irlande. Au
Figaro, on s'était réjoui de cette limitation de la souveraineté des peuples :
« Heureusement, l'Irlande est le seul pays dont la Constitution l’oblige à soumettre
tout traité au vote populaire9. » L'organisation d'un second référendum ne posa
aucun problème aux commentateurs pourtant habituellement pressés de se
scandaliser avec force grandiloquence dès que la « démocratie » est menacée
quelque part dans le monde. Mais après tout pourquoi contester ce qui allait être,
cette fois-ci, c'était sûr, « L'ultime vote des Irlandais sur le traité de Lisbonne10 » ?
Dès l'annonce du « non » irlandais en 2008, les journalistes relativisèrent en choeur la
portée de ce verdict populaire. Puisque « Le scénario du pire [était] arrivé en
Irlande » (Le Figaro, le 14 juin) et que « 862 415 personnes [avaient] scellé le sort
d’un projet conçu pour près de 500 millions d’Européens » (Libération, le 14 juin),
« Il [allait] falloir dédramatiser le non irlandais » (Le Figaro, le 14 juin). Avec une
logique toute personnelle, Dominique Reynié affirma alors : « Quiconque tient au
respect des souverainetés nationales doit souhaiter que le processus de ratification
aille jusqu’à son terme pour ne pas léser les États qui n’ont pas encore décidé11. »
Aucun de nos éditorialistes d'élite ne propose de revoter lorsque le résultat lui
convient. Sur la base de quel raisonnement ne pourrions-nous pas revoter sur le
traité de Maastricht, par exemple ? Et pourquoi ne pas organiser une « belle » en
Irlande ? Non, nous ne sommes autorisés à changer d’avis que dans un seul sens,
celui que les médias dominants approuvent.

Après le « désastre » de juin 2008, certains commentateurs finirent même par oublier
que les Irlandais avaient déjà voté. Ainsi, Jean-Claude Casanova, le co-animateur de
l'émission « La rumeur du Monde » sur France Culture déclara lors d'un « débat »
(les présents étaient d’accord sur tout) précédant les élections européennes : « le
projet européen n'est pas clair, aujourd'hui on ne sait pas sur quelles institutions
européennes nous allons nous trouver puisque les Irlandais ne se sont pas encore
prononcés [sur le Traité de Lisbonne]12 ». Personne ne le reprit dans le studio, ni
Jean-Marie Colombani, ni les deux invités, Brice Teinturier (directeur de l’unité
Stratégie d’Opinion, TNS Sofres) et Gérard Courtois (directeur éditorial au Monde),
tous partisans du « oui », bien sûr.
La minimisation systématique de la valeur du « non » irlandais instaura un climat
médiatique favorable à la tenue d'un nouveau référendum. Lorsque celui-ci arriva, les
vieux réflexes revinrent aisément et l’on s’assit une fois encore sur le pluralisme.

Les médias révisent leurs classiques

À chaque étape de la construction européenne les médias déploient leur dispositif
d'approbation béate des « avancées » institutionnelles. Ainsi, avant l'annonce du
résultat du re-référendum irlandais, la machine se mit en branle, assez tardivement
cette fois-ci13 (le 2 octobre, le jour même du scrutin), comme s'il convenait de ne pas
trop prendre le temps de rappeler l'épisode de 2008. Alors les journalistes se mirent
à radoter leurs vieux standards. Le sort du traité de Lisbonne, ce petit texte anodin
« destiné à améliorer le fonctionnement de l'Union européenne14 », était une nouvelle
fois suspendu au bon vouloir de ces « ingrats d'Irlandais15 ». Le 2 octobre, La Croix
attendait « pour savoir si 0,9 % de la population de l'UE enterrera[it], à elle seule, le
traité de Lisbonne » ; Le Monde regrettait comme en 2008 que « la petite Irlande, 4,4
millions d'habitants, tien[ne] dans ses mains, pour une bonne part, le destin
institutionnel de 500 millions d'Européens. » Pour les prescripteurs d'opinion, l'Union
européenne est d'ores et déjà souveraine et le « petit poisson irlandais » (Libération,
le 2 octobre) ne devrait pas avoir voix au chapitre sur un projet aussi impérieux. C'est
ainsi qu'ils piétinent sans aucun scrupule la souveraineté populaire et le droit des
peuples à disposer d'eux-mêmes.
Le zèle oui-ouiste des médias se remarque aisément au vocabulaire employé, à la
tournure des phrases, au ton. Lorsque l'on affirme que « Dublin bloque un traité
censé mieux faire fonctionner l'Europe » (France Info, le 2 octobre), que l'Irlande est
« responsable de la paralysie » (lemonde.fr, le 3 octobre) ou que « Demain soir, la
porte irlandaise pourrait bien s'ouvrir » (La Croix, le 2 octobre), on sous-entend que
le traité de Lisbonne est une bonne chose, que l'UE l'est aussi et qu'aucune personne
raisonnable ne saurait s'y opposer. De même, en mettant en « une » des titres comme
« L'Europe attend l'Irlande » (Libération, le 2 octobre) ou « L'Europe attend le "oui"
irlandais » (La Croix le 2 octobre), les rédactions semblent exprimer leur propre
impatience et utilisent le terme « Europe » d'une façon ambiguë16. En effet, que
désigne-t-il ici sinon les partisans du traité de Lisbonne et plus largement ceux de
l'Union européenne ?
Les mots choisis pour parler des défenseurs du « oui » possèdent toujours une
connotation positive17 alors que les nonistes, quels qu’ils soient, se retrouvent
rapidement affublés des habituels anathèmes : « nationalistes », « populistes »,
« égoïstes », adeptes du « repli sur soi », etc. Ces méthodes grossières de
dénigrement se pratiquent aussi par l’image. Le reportage que TF1 a consacré au
référendum irlandais dans son journal de 20H du 2 octobre est « exemplaire » à cet
égard. Le bref sujet arrivant en quatorzième position nous montre deux jolies jeunes
filles distribuant des tracts en guise de partisans du « oui » alors que le visage du
« non » est celui d’une dame moins avenante, à moitié hystérique, éructant contre
l'avortement. Et quand les journalistes envisagent une deuxième victoire du « non »,
c'est toujours pour nous prédire un malheur : cela « discréditerait l'UE sur la scène
internationale » (La Croix, le 2 octobre), cela « plongerait l'Europe dans une grande
incertitude » (France Info, le 2 octobre), « l'UE resterait figée dans le traité de Nice »
(Le Figaro, le 2 octobre), ce qui « empêche[rait] d’avoir une vraie impulsion
politique » et provoquerait « une difficulté à avancer » (Le Parisien, le 2 octobre). Et
comme « une gouvernance de l’Union plus efficace serait nécessaire » (La Croix, le 2
octobre), « Si le "oui" l'emporte [...], tous les espoirs sont permis » (Le Figaro, le 2
octobre). Dans l’esprit des partisans du « oui », c’est assez simple : le traité de
Lisbonne et plus largement la construction européenne sont né-ce-ssai-res, ils ne sont
donc pas négociables. Tout discours alternatif est censuré ou discrédité. Les médias
cherchent sans cesse à donner l’impression que l’UE fait consensus tout en oubliant
de préciser que s’il y a consensus, c’est entre les gouvernements des pays européens
et pas entre les peuples et leur gouvernement respectif.

Le service après-vente du traité de Lisbonne continue

On distingue plusieurs constantes dans le traitement médiatique des aventures
rocambolesques du traité de Lisbonne. L'une des plus évidentes est la façon dont les
journalistes n'ont cessé de minorer la portée constitutionnelle du texte. Le 17 juin
2008, Le Monde nous avait invités – apparemment sans ironie – à considérer que « La
modestie du traité correspond[ait] à l’état d’esprit des élites européennes ». Les
expressions « mini-traité » et « traité simplifié » furent largement utilisées sans que
la pertinence de telles appellations ait été examinée. Valéry Giscard d’Estaing,
l’architecte en chef du traité constitutionnel, n’a-t-il pas répété une nouvelle fois que
« Les changements apportés par le traité de Lisbonne sont mot à mot ceux
qu’apportait la constitution européenne19 » ? Le 2 octobre on se plut à rappeler qu'il
s'agissait simplement d'un « traité censé mieux faire fonctionner l'Europe à vingtsept
» (France Info) ; dans Le Monde, il était tout aussi modestement « destiné à
améliorer le fonctionnement de l'Union européenne » ; pour Libération, il « vise à
rationaliser le fonctionnement de l'UE ». Bref, il est bien inoffensif, ce « mini-traité »,
qui pourrait en vouloir à un texte aussi humble ? Parfois les journalistes donnent
quelques précisions sur les changements qu'il apporterait (un président du Conseil
européen, un haut représentant des Affaires étrangères de l'UE, le passage au vote à
la majorité qualifiée pour certains domaines) mais ils occultent systématiquement sa
portée constitutionnelle – pourtant indéniable – et l'ampleur des transferts de
souveraineté qu’il instaurerait. Pourquoi les médias ne font-ils pas plus d'efforts pour
nous expliquer tout ce que le traité de Lisbonne implique ? Craindraient-ils que leur
fameuse « pédagogie » ne soit pas toujours opportune ? À vrai dire il est très
probable que la plupart des journalistes ne se soient guère renseignés sur ce traité
« extrêmement technique et totalement illisible pour le commun des mortels » (Le
Monde, le 6 octobre 2009) ou sur sa version antérieure ; ils répètent grosso modo ce
qu'en disent ses partisans et endossent ainsi le rôle d'attachés de presse permanents
de la construction européenne.
À lire le Monde, on a l’impression d’avoir affaire à un porte-parole de la Commission
européenne : « Depuis le premier vote, les Irlandais ont obtenu du Conseil européen
des "garanties" sur les sujets qui avaient le plus alimenté leurs inquiétudes ». Ou à un
tract en faveur du « oui » : « Comme en 2008, [les] adversaires [du traité de
Lisbonne] sont insaisissables, éclatés en une myriade de groupes aux revendications
idéologiques parfois contradictoires20. » À La Croix (le 2 octobre), on y va franco dans
le parti-pris : « Cette fois, les partisans du "oui" ont réfuté inlassablement les faux
arguments des nonistes .» Dans Le Parisien (le 2 octobre), un court article intitulé
« Oui ou non, ce qui change » liste les avantages et inconvénients des deux issues
possibles au second vote irlandais : en cas de « non », aucun avantage, que des
inconvénients ; en cas de « oui », c’est l’inverse21 ! Toutefois, la palme de la
sophistication revient haut la main à Sébastien Maillard de La Croix : « bien qu’ils le
taisent davantage, l’échec du traité de Lisbonne ne déplairait pas aux plus
fédéralistes, pour qui ce texte affaiblit les rouages communautaires originaux au
profit des gouvernements nationaux » (le 2 octobre). Avec ce raisonnement tortueux –
et absolument pas étayé –, le journaliste nous invite à imaginer que même parmi les
européistes les plus passionnés certains voudraient du mal au pauvre petit traité de
Lisbonne, ce texte à qui décidément « Rien n’aura été épargné » (lemonde.fr, le 3
octobre).

La « saine peur » de la crise

Les sondages annonçaient une très probable victoire du « oui ». Alors comment
expliquer le revirement du peuple irlandais ? Le 2 octobre, les analyses des
commentateurs convergeaient franchement : « La crise, meilleure alliée du traité de
Lisbonne en Irlande » (Le Monde) ; « La crise pousse les Irlandais à soutenir le traité
de Lisbonne » (La Tribune) ; « Pour les Irlandais, touchés de plein fouet par la crise,
l'UE est désormais un secours » (Libération) ; « La crise, c'est sans doute la vraie clef
de ce scrutin » (France Info), etc. Bref, « La crise économique a changé la donne »
(La Tribune). Les Irlandais allaient donc voter « oui » par peur de la crise, craignant
de se retrouver isolés et vulnérables, mis au ban de l'UE. On ne s’interrogea surtout
pas sur la façon dont cette peur avait été alimentée par les partisans du traité de
Lisbonne, médias en tête. En 2008, les commentateurs autorisés avaient fulminé22
contre ce que Alain Duhamel avait appelé avec mesure le « despotisme irlandais ». Le
même éditorialiste s’était emporté avec d’autres contre « la mécanique infernale des
référendums, ces machines à faire répondre non aux questions qui ne sont pas
posées23 ». Comme lors du référendum français de 2005 où les fulminants avaient
accusé les Français d'avoir voté « non » seulement pour sanctionner le gouvernement
et le président Chirac, ils affirmèrent que les Irlandais avaient sombré dans
« l’irrationnel absolu, l’obscurantisme populiste24 » (Franz-Olivier Giesbert) et que
« Les partisans du "non" [avaient] menti de manière éhontée et [avaient] manié les
peurs25 » (Christophe Barbier). Bref, les Irlandais avaient été aveuglés par la peur et
s’étaient prononcés eux aussi contre leur gouvernement et pas sur le texte. Ce
postulat gratuit relève de la méthode désormais bien rodée qui permet de relativiser
le poids d'une sanction populaire quand celle-ci ne convient pas aux puissants. Le
Monde du 2 octobre avait son analyse toute prête en cas de deuxième « non ». Sa
secrète crainte ? Que « le référendum ne serve de défouloir contre ces
" élites" soupçonnées de connivence. »
En 2009, tous les commentateurs se sont donc retrouvés pour dire que les électeurs
allaient probablement voter « oui » par peur des conséquences de la crise, une raison
qui a certes compté mais qui, chacun en conviendra, n'a aucun rapport avec le traité
de Lisbonne. Ainsi, lorsque la réponse est « oui », les journalistes ne déplorent pas
que les électeurs ne se soient pas prononcés directement sur le texte. Il s’agit là d’un
cas patent de malhonnêteté intellectuelle. Cette absence de cohérence dans
l'argumentation est un symptôme de la nonchalance intellectuelle qui règne dans le
milieu journalistique. Les médias dominants se prennent un peu plus les pieds dans
leurs contradictions lorsqu’ils accordent implicitement aux partisans du « oui » le
droit d’utiliser la peur de la crise pour parvenir à leurs fins. La peur est une aubaine
lorsqu’elle avantage le camp qui a leur préférence. Certains journalistes se sont
même laissés aller à se réjouir à demi-mot de la déchéance du « tigre celtique » dont
ils célébraient la réussite économique quelques années avant : « La récession […] est
venue rappeler aux Irlandais les avantages de faire partie de l’Europe » (La Tribune,
le 2 octobre) ; « En 2008, [l’Irlande] se glorifiait encore de son surnom de "tigre
celtique" » (Libération, le 2 octobre) ; « En 2008, le Tigre celtique montrait les crocs
après une croissance effrénée […] et s’est offert un baroud d’honneur face à un traité
européen mal compris, parce que mal expliqué [et encore un appel à la
« pédagogie »…] » (La Croix, le 2 octobre) ; « En 2008, les Irlandais se croyaient
invulnérables. Aujourd'hui, ils font profil bas. Et ils voient dans l'Union, à qui ils ont
dû leur décollage, une bouée de sauvetage » (Le Monde, le 2 octobre). Eric Albert de
La Tribune pense pour sa part que « La crise économique a fait réfléchir les
Irlandais », autre façon de dire que ces derniers n’avaient pas réfléchi en 2008.
Heureusement que la crise leur a mis du plomb dans la tête ! Dans la catégorie
« jubilation revancharde », le premier prix revient à Dominique Quinio de La Croix ;
dans son éditorial en « une » de l’édition du 2 octobre, on pouvait lire : « la crise
financière a frappé de plein fouet une Irlande triomphante, oublieuse de ce qu’elle
devait à l’Europe » et « L’adage selon lequel l’Union fait la force fonctionne mieux
dans les moments de désarroi que lorsque le succès vous grise et vous pousse à
l’égoïsme. » La peur serait donc bonne conseillère…
Dans les médias dominants, aucun commentateur n’envisagea une possible
responsabilité de l’Union européenne dans la crise. La dérégulation de la finance et
la suppression de toute restriction aux mouvements de capitaux, prônées ardemment
à Bruxelles, ont pourtant favorisé l’extension de la crise en Europe. Quel économiste
en disconviendrait26 ? Mais les journalistes, droits dans leurs bottes en caoutchouc,
préfèrent dire que « Les Irlandais comptent désormais sur l’Europe pour les sortir de
la récession » (Le Parisien, le 2 octobre) ou que « L’Europe semble redevenue ce
symbole de solidarité qu’elle était dans les années 70-80 » (France Info, le 2 octobre).
Quoi qu’elle fasse, l’Union européenne trouvera l’absolution auprès des médias.

Et le soulagement vint…

Lors de l’annonce du résultat définitif, dans l’après-midi du 3 octobre, les médias
peinèrent à dissimuler le soulagement qu’ils partageaient avec les dirigeants
européens. Pour eux aussi c’était la fin d’un « calvaire » (La Tribune, le 5 octobre), ils
n’auraient plus à revenir sur ce qui dans leur esprit n’avait jamais réellement fait
débat. Le dimanche 4 octobre, les titres des articles consacrés au « oui » irlandais
étaient sans ambiguïté quant à « l’engagement européen » des journalistes :
« L’Europe de nouveau sur les rails » (Le Journal du dimanche), « Le oui irlandais
soulage l’Europe [encore une fois, ce sont les partisans du traité de Lisbonne qui sont
soulagés et pas « l’Europe »] » (Le Parisien). Le Journal du Dimanche fourmillait
d’expressions enthousiastes : « UN OUI franc et massif. Un an et demi après avoir
rejeté le traité de Lisbonne, les Irlandais l’ont finalement plébiscité ce week-end. Les
résultats du référendum organisé vendredi et publiés hier – plus de 67 % de oui ! –
dépassent les prévisions les plus optimistes [optimistes pour qui ?] » ; « avec ce oui
irlandais, c’est toute l’Europe qui a poussé un ouf de soulagement » ; « le train
européen est de nouveau sur les rails ». Le 5 octobre, Jean Quatremer, débordant de
joie, se surpassa dans les colonnes de Libération : « Ce n’est pas une approbation,
c’est un plébiscite » ; « Il faut remonter au référendum sur Maastricht, en juin 1992,
pour retrouver une telle mobilisation et un tel enthousiasme proeuropéen » ; « En
comparaison, le scrutin du 12 juin 2008 fait pâle figure ». Deux jours plus tôt (le 3
octobre) il s’était déjà étendu dans son blog27 sur sa conception toute particulière de
la souveraineté populaire et de la démocratie : « Ce résultat positif souligne à quel
point le référendum est un instrument inadapté pour adopter un traité européen,
fruit d’un complexe compromis entre 27 Etats membres, forcément insatisfaisant et
incompréhensible pour les non-initiés. D’où la tentation naturelle pour les citoyens de
ne pas répondre à la question posée. L’Irlande ne fait pas exception : on peut douter
que la connaissance du traité de Lisbonne ait fait un bond dans la population. En
revanche, grâce à la crise économique, si l’on ose dire, les Irlandais qui l’avaient
oublié durant les années d’expansion économique, ont pu apprécier le bouclier
qu’offrait l’Union ».
Avant l’annonce du résultat, un article sur le site Internet du Monde avait été titré
« La presse européenne croit dans la victoire du "oui" en Irlande » (lemonde.fr, le 2
octobre). Il n’était pas évident d’interpréter le sens du verbe « croire » ici.
L’utilisation d’une citation pour un titre permet aux journalistes de s’associer
discrètement à la célébration : « "C’est un grand jour pour l’Europe" » (lemonde.fr, le
3 octobre). L’euphorie fut bien évidemment partagée par La Tribune, on put lire en
« une » : « un pas décisif vient d’être franchi » (le 5 octobre). Mais le plus savoureux
résidait dans l’article de Florence Autret. Elle affirma sans trace apparente d’ironie
qu’ « Après le « oui » massif des Irlandais, tous les citoyens européens [avaient],
directement ou non, approuvé le traité de Lisbonne. » Une phrase si outrée et à vrai
dire si fausse qu’il convient de la relire plusieurs fois pour s’assurer qu’on l’a bien
comprise. Un tel degré de rouerie intellectuelle dépasse l’entendement. Ce numéro
de La Tribune réservait encore quelques pépites. Dans son édito, après un « ouf »
d’usage (« En tant qu’Européen, on peut éprouver du soulagement après la
ratification du traité de Lisbonne par les Irlandais »), Sophie Gherardi déclara que
« l’Europe [était un] vaste projet historique incapable de s’imposer comme une
évidence auprès de ses peuples. » Par ces propos elle résumait parfaitement la tâche
que se sont assignés les médias dominants : imposer l’Union européenne comme une
évidence.
Dans son édition du 5 octobre, Le Figaro sut lui aussi cacher sa joie. Après un titre
quelque peu convenu en « une » (« Le oui irlandais relance l’Europe »), on pouvait
lire « Cette fois, c’est oui ! Et un oui fulgurant ». La victoire du « oui » était analysée
ainsi : « Mieux renseignés, les Irlandais ont été beaucoup moins sensibles aux
slogans chocs du camp du non. » Le Monde, clément, pardonnait les errements
passés des Irlandais : « Comme le dit le dicton, il n’y a que les gens d’esprit qui
savent changer d’avis » (le 6 octobre). Mais ce concert de soulagements était déjà
obscurci par l’émergence d’un nouvel « obstacle » à la ratification du traité de
Lisbonne : le président de la République tchèque, « l’europhobe » Vaclav Klaus.

« Vaclav Klaus, seul contre l’Europe »

Les festivités du « oui » irlandais n’ont pas duré longtemps. Les médias dominants
lancèrent immédiatement une campagne de dénigrement en bonne et due forme sur
le président tchèque, « dernier obstacle à la ratification [du traité de Lisbonne] » (La
Tribune, le 5 octobre), et sur le président polonais Lech Kaczynski dans une moindre
mesure. Les « présidents europhobes », comme les a appelés Jean Quatremer
(Libération, le 5 octobre) ; une expression conçue pour attirer la sympathie,
assurément. Le Parisien regretta que « [L]a République tchèque et la Pologne
freinent encore » et que « Ces deux pays traînent des pieds » (le 4 octobre). Le
Journal du Dimanche, craignant « Les Tchèques en embuscade », constatait qu’il
« [restait] tout de même à passer l’obstacle tchèque » et à se défendre contre une
« entreprise de "sabordage" » ; conclusion de l’état des lieux : « L’affaire pourrait
même tourner au cauchemar pour l’Union européenne » (le 4 octobre). Jean
Quatremer, dans un article titré sobrement « Dublin, obstacle en moins », essaya de
nous rassurer en disant : « A Prague, on ne veut pas croire à ce scénario
catastrophe » (le 5 octobre). Dans La Tribune on s’efforça de faire passer un message
clair. En « une » : « Le président tchèque, seul contre le traité de Lisbonne », puis
dans un édito : « Vaclav Klaus, seul contre l’Europe » (le 5 octobre). Avant l’annonce
du résultat du référendum, La Croix avait déjà donné le ton : « Les dirigeants
européens ont ménagé la souveraineté irlandaise [sic], mais ils devraient traiter
autrement avec leur imprévisible homologue tchèque » (le 2 octobre).
Au Figaro, comme « l’Europe ne peut plus se permettre de couper les cheveux en
quatre », on s’indigna avec grandiloquence : « le président tchèque […] voudrait
prendre en otage le traité », « De telles manoeuvres sont indignes [aussi indignes que
l’annulation du résultat de trois référendums ?] », « La vigueur du oui irlandais
devrait, logiquement, balayer les derniers obstacles à l’entrée en application du
traité de Lisbonne. La résistance d’un homme, aussi déterminé soit-il, ne peut faire
obstacle à la volonté maintenant exprimée de 500 millions d’Européens [oui, vous
avez bien lu : « la volonté maintenant exprimée de 500 millions d’Européens] » (le 5
octobre). Le même jour, dans La Tribune, on brossa un portait assez peu flatteur du
président tchèque : « viscéralement eurosceptique », Vaclav Klaus « semble plus
isolé que jamais » ; il fallait donc attendre qu’il « tranche le dilemme de son suicide
politique » ; méfiance, son « parcours […] est un concentré de contradictions et de
revirement aussi étrange que le personnage » ; s’il n’obtempérait pas, « Ses amitiés
russes, son passé trouble sous l’ère communiste et sa volonté d’isoler son pays
deviendraient trop voyants » et « Son refus de signer serait une nouvelle étape dans
le délitement de la vie politique d’un pays [la République tchèque] ». Dans son édito,
Sophie Gherardi mit les bouchées doubles : « L’avenir institutionnel de l’UE est
suspendu à ce presque septuagénaire, économiste de profession et provocateur par
goût. L’Europe, il n’y croit pas et il n’aime pas. Et quand Vaclav Klaus n’aime pas, il
est capable d’aller très loin. Jusqu’à détruire son propre pays, par exemple [ne voyez
là aucune exagération]. » Et elle concluait en pronostiquant : « Une pression
phénoménale va s’exercer sur lui. » Pression à laquelle elle participait déjà
volontiers, rejoignant en cela la cohorte fanfaronnante des oui-ouistes.

Les médias et l’Union européenne

Il faudra bien un jour s’interroger sérieusement sur le soutien indéfectible que la
plupart des médias accordent à l’Union européenne. Les textes dont ils assurent
inlassablement la promotion sont presque secondaires, c’est plutôt le processus de
construction européenne lui-même qu’ils excluent du débat public. Les médias
devraient favoriser le contrôle démocratique des institutions politiques et non pas
leur servir de verrou. Pourquoi recourent-ils à une rhétorique indigente dès qu’il
s’agit de promouvoir « l’idée européenne » ? Est-on encore en droit de douter que
l’UE n’est pas un éden démocratique28 ? Comme sur bien d’autres sujets, les médias
ne cessent de faillir à leur devoir de pluralisme dans l’information. La
condescendance des propos que Sylvie Pierre-Brossolette impose aux auditeurs du
service public de l’information n’est pas défendable : « Cette Union Européenne qu’a
priori tout le monde souhaite, c’est bien et puis il faut faire un contrepoids aux États-
Unis, construire un monde multipolaire, puis quand il s’agit de se mettre dans des
règlements, des contraintes et tout ça, et puis les gens sont moins chauds, et puis il y
a un petit réflexe identitaire, crise mondiale, on reste chez soi ; bon, le grand large,
c’est dangereux. C’est absurde car l’Europe pourrait être là pour nous protéger29. »
Cette sentence méprisante de Christophe Barbier ne l’est pas davantage : « La
Constitution était trop ambitieuse pour le niveau de maturité des peuples30. »
Le modèle économique des médias dominants les assujettit aux priorités de grandes
puissances privées qui les possèdent ou les influencent fortement. Et si les
propriétaires des médias ont un intérêt économique à ce que la construction
européenne se poursuive, via l’adoption du traité de Lisbonne, par exemple, comment
pourraient-ils permettre à des journalistes – leurs employés – de la critiquer ? Les
voix dissidentes sont mécaniquement écartées et ne peuvent s’exprimer qu’à la
marge. Ainsi, cogestionnaires du pouvoir, ces médias contribuent à la corruption de
la démocratie.

Laurent Dauré

sábado, 17 de outubro de 2009

Fim de milénio e da comida

                            

Durante os séculos obscuros – os da peste, os reinos múltiplos e a igreja omnipresente – apareciam movimentos milenaristas formados por gentes convencidas de que tudo devia mudar.


O reino de Deus, da justiça e duma nova ordem económica estava ao alcande da mão.

Uma vez que ascendiam ao poder, repartiam o dinheiro dos prestamistas e viviam felizes uns meses, até à chegada da hora da fogueira.



Os milenaristas deste século, os mileneuristas, não pensaram em reclamar as imensas fortunas que os estados dão aos prestamistas de agora.


Lamentável, porque se esse dinheiro corresse entre tantas mãos como no ano 1000, o comércio prosperaria, vender-se-iam automóveis e os povos trabalhariam de dia e de noite alegremente.

Logo chegariam as gentes da ordem, dirigidas pelos mais inteligentes economistas e recuperariam o capital, que, como um cão fiel, sempre volta ao seio do seu amo.




Mas, durante o tempo em que o dinheiro corresse entre todos, saberíamos, pelo menos, se é verdade que dá a felicidade e se, no paraíso, até o pobre é feliz.


Sabe-se que há quantidades ingentes de comida que vão para o lixo enquanto a afluência aos restaurantes dispara 33%, quando já diziam, há umas semanas atrás, que não chegavam para cobrir as despesas. Ouviram o seu apelo e o resultado está bem à vista.

Sabem o que falta? Ou melhor, o que sobra aos caterings de diversos actos? A comida vai para o lixo!

Explicou-me um amigo que trabalha numa espécie de “a bela e o monstro”, porque só ali conseguiu trabalho, apesar da sua licenciatura.

Como também há bolsas com barras de pão nas montras em frente às padarias quando fecham.

E ninguém recolhe dos restaurantes, por exemplo, a fruta talvez não apresentável para as suas mesas, mas que está rica e, sobretudo, porque há quem dela necessite. Definitivamente, isto não funciona.

Como é possível que haja pessoas, muita gente, a quem não chega o dinheiro para comer, que a comida em determinados locais seja insuficiente e que não exista um serviço de recolha em restaurantes, supermercados, padarias..?além dum pressuposto extraordinário para ajuda social, tão-pouco sera mal que o consistório se organizasse para aproveitar recursos que a própria cidade atira para os contentores do lixo.




Fico estarrecido quando ouço alguém, com responsabilidades governativas, afirmar não existirem crianças a passar fome em Portugal. Se não fossem tão patéticas e dramáticas semelhantes afirmações, seria motivo para que todos respondessemos com sonoras e prolongadas gargalhadas.



CorruptionLe dessous du prix Nobel de la paix 2009

Si l’attribution du prix Nobel de la paix a donné lieu à un concert de louanges parmi les dirigeants de l’alliance atlantique, elle a aussi suscité le scepticisme dans le monde. Plutôt que de débattre des bonnes raisons qui pourraient a posteriori justifier ce choix étonnant, Thierry Meyssan expose la corruption du Comité Nobel et les liens unissant son président, Thorbjørn Jagland, aux collaborateurs d’Obama.


Madeleine Albright et Thorbjørn Jagland, lors d’une réunion au siège de l’OTAN

« Ce matin, en écoutant les nouvelles, ma fille est entrée et m’a dit : “Papa, tu es Prix Nobel de la paix” » [1]. Telle est la touchante histoire que le président des États-Unis a raconté à des journalistes complaisants pour attester qu’il n’avait jamais souhaité cette distinction et en était le premier surpris. Sans chercher plus loin, ceux-ci ont immédiatement titré leurs journaux sur « l’humilité » de l’homme le plus puissant du monde.


À vrai dire, on ne sait ce qui doit le plus surprendre : l’attribution d’une si prestigieuse distinction à Barack Obama, la mise en scène grotesque qui l’accompagne, ou encore la méthode utilisée pour corrompre le jury et détourner ce prix de sa vocation initiale.

En premier lieu, rappelons que, selon le règlement du Comité Nobel, les candidatures sont présentées par des institutions (des parlements nationaux et des académies politiques) et par des personnalités qualifiées, principalement des magistrats et les anciens récipiendaires. En théorie, une candidature peut-être présentée sans que le candidat en ait été averti. Cependant, lorsque le jury prend sa décision, il établit un lien direct avec l’impétrant de sorte qu’il en soit informé une heure avant la conférence de presse. Pour la première fois de son histoire, le Comité Nobel aurait omis cette courtoisie. C’est, nous assure son porte-parole, qu’il n’osait réveiller le président des États-unis en pleine nuit. Peut-être ignorait-il que des conseillers se relayent à la Maison-Blanche pour recevoir les appels d’urgence et réveiller le président si nécessaire. Au demeurant, le comité Nobel avait au moins informé le journaliste Gerhard Helsok qui avait annoncé la nouvelle la veille sur la chaîne norvégienne TV2.

La gentille saynète de la petite fille annonçant le Prix Nobel à son papa ne suffit pas à dissiper le malaise provoqué par cette distinction. Selon le vœux d’Alfred Nobel, le prix récompense « la personnalité ayant [au cours de l’année précédente] le plus ou le mieux contribué au rapprochement des peuples, à la suppression ou à la réduction des armées permanentes, à la réunion et à la propagation des progrès pour la paix ». Dans l’esprit du fondateur, il s’agissait de soutenir une action militante et non de décerner un brevet de bonnes intentions à un chef d’État. Les lauréats ayant parfois bafoué le droit international postérieurement à la réception de leur prix, le Comité Nobel a décidé, il y a quatre ans, de ne plus récompenser un acte particulier, mais de n’honorer que des personnalités ayant consacré leur vie à la paix. Ainsi, Barack Obama aurait été le plus méritant des militants de la paix en 2008 et n’aurait commis aucune atteinte majeure au droit international en 2009. Sans parler des personnes toujours détenues à Guantanamo et Bagram, ni des Afghans et des Irakiens confrontés à une occupation étrangère, qu’en pensent les Honduriens écrasés par une dictature militaire ou les Pakistanais dont le pays est devenu la nouvelle cible de l’Empire ?

Venons-en au cœur du propos, à ce que la « communication » de la Maison-Blanche et les médias anglo-saxons veulent cacher au public : les liens sordides entre Barack Obama et le Comité Nobel.

En 2006, l’European Command (c’est-à-dire le commandement régional des troupes US dont l’autorité couvrait alors à la fois l’Europe et l’essentiel de l’Afrique) sollicita le sénateur d’origine kenyane Barack Obama pour participer à une opération secrète inter-agences (CIA-NED-USAID-NSA). Il s’agissait d’utiliser son statut de parlementaire pour mener une tournée en Afrique qui permettrait à la fois d’y défendre les intérêts des groupes pharmaceutiques (face aux productions hors brevets) et de repousser l’influence chinoise au Kenya et au Soudan [2]. Seul l’épisode kenyan nous intéresse ici.

La déstabilisation du Kenya

Barack Obama et sa famille, accompagnés d’un attaché de presse (Robert Gibbs) et d’un conseiller politico-militaire (Mark Lippert), arrivent à Nairobi dans un avion spécial affrété par le Congrès. Leur appareil est suivi d’un second avion, celui-ci affrété par l’US Army, et transportant une équipe de spécialistes en guerre psychologique commandée par le général prétendument à la retraite J. Scott Gration.

Le Kenya est alors un plein boom économique. Depuis le début de la présidence de Mwai Kibaki, la croissance est passée de 3,9 à 7,1 % du PIB et la pauvreté a reculé de 56 à 46 %. Ces résultats exceptionnels ont été obtenus en réduisant les liens économiques post-coloniaux avec les Anglo-Saxons et en leur substituant des accords plus équitables avec la Chine. Pour casser, le miracle kenyan, Washington et Londres ont décidé de renverser le président Kibaki et d’imposer un opportuniste dévoué, Raila Odinga [3]. Dans cette perspective, la National Endowment for Democracy a suscité la création d’une nouvelle formation politique, le Mouvement orange, et complote une « révolution colorée » à l’occasion des prochaines élections législatives de décembre 2007.


Le sénateur Barack Obama faisant campagne pour son « cousin » Raila Odinga.

Le sénateur Obama est accueilli comme un enfant du pays et son voyage est hyper-médiatisé. Il s’ingère dans la vie politique locale et participe aux meetings de Raila Odinga. Il appelle à une « révolution démocratique », tandis que son « accompagnateur », le général Gration, remet à Odinga 1 million de dollars en liquide. Ces interventions déstabilisent le pays et suscitent les protestations officielles de Nairobi auprès de Washington.


À l’issue de cette tournée, Obama et le général Gration vont au rapport chez le général James Jones (alors patron de l’European Command et suprême commandeur de l’OTAN) à Stuttgart, avant de retourner aux États-unis.

L’opération continue. Madeleine Albright, en qualité de présidente du NDI (la branche de la National Endowmement for Democracy [4] spécialisée dans le traitement des partis de gauche) fait le voyage de Nairobi où elle supervise l’organisation du Mouvement orange. Puis John McCain, en qualité de président de l’IRI (la branche de la National Endowmement for Democracy spécialisée dans le traitement des partis de droite) vient compléter la coalition d’opposition en traitant de petites formations de droite [5].

Lors des élections législatives de décembre 2007, un sondage financé par l’USAID annonce la victoire d’Odinga. Le jour du vote, John McCain déclare que le président Kibaki a truqué le scrutin en faveur de son parti et qu’en réalité, c’est l’opposition conduite par Odinga qui a gagné. La NSA, de concert avec des opérateurs locaux de téléphonie, adresse des SMS anonymes à la population. Dans les zones peuplées par des Luos (l’ethnies d’Odinga), ils disent « Chers Kenyans, les Kikuyus ont volé l’avenir de nos enfants… Nous devons les traiter de la seule manière qu’ils comprennent… la violence ». Tandis que dans les zones peuplées par des Kikuyus, ils sont rédigés ainsi : « Le sang d’aucun Kikuyu innocent ne sera versé. Nous les massacrerons jusqu’au cœur de la capitale. Pour la Justice, établissez une liste de Luos que vous connaissez. Nous vous enverrons les numéros de téléphone où transmettre ces informations ». En quelques jours, ce pays paisible sombre dans les violences communautaires. Les émeutes font plus de 1 000 morts et 300 000 déplacés. 500 000 emplois sont détruits.

Madeleine Albright est de retour. Elle propose sa médiation entre le président Kibaki et l’opposition qui tente de le renverser. Avec finesse, elle s’écarte et place sur le devant de la scène l’Oslo Center for Peace and Human Rights. Le directoire de cette ONG respectée est nouvellement présidé par l’ex-Premier ministre de Norvège, Thorbjørn Jagland. Rompant avec la tradition d’impartialité du Centre, il dépêche deux médiateurs sur place, dont tous les frais sont pris en charge par le NDI de Madeleine Albright (c’est-à-dire in fine sur le budget du département d’État des États-Unis) : un autre ancien Premier ministre norvégien, Kjell Magne Bondevik, et l’ancien secrétaire général de l’ONU, Kofi Annan (le Ghanéen est très présent dans les États scandinaves depuis qu’il a épousé la petite nièce de Raoul Wallenberg).

Obligé pour rétablir la paix civile d’accepter le compromis qu’on lui impose, le président Kibaki accepte de créer un poste de Premier ministre et de le confier à Raila Odinga. Celui-ci entreprend immédiatement de réduire les échanges avec la Chine.

Petits cadeaux entre amis

Si l’opération kenyane s’arrête là, la vie des protagonistes continue. Thorbjørn Jagland négocie un accord entre la national Endowment for Democracy et l’Oslo Center, qui est formalisé en septembre 2008. Une fondation jointe est créée à Minneapolis qui permet à la CIA de subventionner indirectement l’ONG norvégienne. Celle-ci intervient pour le compte de Washington au Maroc et surtout en Somalie [6].

Obama est élu président des États-Unis. Odinga proclame plusieurs jours de fête nationale au Kenya pour célébrer le résultat de l’élection aux États-Unis. Le général Jones devient conseiller de sécurité nationale. Il prend Mark Lippert comme chef de cabinet et le général Gration comme adjoint.

Durant la transition présidentielle aux USA, le président de l’Oslo Center, Thorbjørn Jagland, est élu président du Comité Nobel, malgré le risque que représente pour l’institution un politicien aussi retors [7]. La candidature de Barack Obama au Prix Nobel de la paix est déposée au plus tard le 31 janvier 2009 (date limite réglementaire [8]), soit douze jours après sa prise de fonction à la Maison-Blanche. De vifs débats animent le Comité qui ne parvient toujours pas à s’accorder sur un nom début septembre, comme le prévoir le calendrier habituel [9]. Le 29 septembre, Thorbjørn Jagland est élu secrétaire général du Conseil de l’Europe à la suite d’un accord en sous-main entre Washington et Moscou [10]. Ce bon procédé en appelait un autre en échange. Bien que la qualité de membre du Comité Nobel soit incompatible avec une fonction politique exécutive majeure, Jagland ne démissionne pas. Il argue du fait que la lettre du règlement interdit le cumul avec une fonction ministérielle et ne dit rien du Conseil de l’Europe. Il rentre donc à Oslo le 2 octobre. Le jour-même, le Comité désigne le président Obama, Prix de la paix 2009.


Dans son communiqué officiel, le Comité déclare sans rire : « Il est très rare qu’une personne, à l’instar d’Obama, ait réussi à captiver l’attention de tous et leur donner l’espoir d’un monde meilleur. Sa diplomatie est basée sur le concept que ceux qui dirigent le monde doivent le faire sur un socle de valeurs et de comportements partagés par la majorité des habitants de la planète. Pendant 108 ans, le comité du prix Nobel a cherché à stimuler ce type de politique internationale et ces démarches dont Obama est le principal porte-parole » [11].

De son côté, l’heureux lauréat a déclaré : « Je prends la décision du comité Nobel avec surprise et une profonde humilité (…) J’accepterai cette récompense comme un appel à l’action, un appel lancé à tous les pays pour qu’ils se dressent face aux défis communs du XXIe siècle ». Ainsi donc, cet homme « humble » estime incarner « tous les pays ». Voilà qui n’augure rien de pacifique.

Thierry Meyssan


Analyste politique français, président-fondateur du Réseau Voltaire et de la conférence Axis for Peace. Il publie chaque semaine des chroniques de politique étrangère dans la presse arabe et russe. Dernier ouvrage publié : L’Effroyable imposture 2