Quererão pensar nisto e em muito mais aqueles que vivem, temporariamente, no vértice superior da pirâmide?
Apesar disso, é preciso partir. Mas, nem todos têm a coragem de ir e continuam atracados ao cais, julgando-se incapazes de navegar sozinhos. Algumas pessoas são obrigadas a zarpar, já que os encargos de segurança do porto se tornam pesados demais e, por vezes, perdem um tempo precioso da viagem revoltados e lamentando-se por tudo isso. Mas nem todos são assim…
Alguns, mal o dia amanhece, já partiram. Parecem muito ocupados e logo desaparecem no horizonte. Desde cedo sabem o que querem e têm pressa de viver. Outros navios também saem logo que podem, mas ficam a dar voltas e mais voltas sem chagar a lado algum. Acabam por navegar só para comprar mais combustível todo o dia e o que ganham mal dá para a reforma do casco…
Os que mais desperdiçam os seus próprios recursos são aqueles que não sabem o que querem e, o pior é que, quando não se sabe ao certo o que se espera do rumo que se está a tomar, ou nem sequer se tem um rumo, não se pode corrigir a rota se estiver no caminho errado. Somos os maiores responsáveis pelas tempestades que não conseguimos evitar.
Já outras pessoas deixam de navegar para se conformar porque têm medo de atrair ventos contrários ou então querem agradar ou impressionar alguém. Não devemos nem podemos aceitar isso, já que significa concordar com o que não devemos. Os dias, todos os dias nos trazem evolução e se não tomarmos as devidas precauções, começamos a ser diminuídos.
A primeira coisa a fazer, então, é tornar-se comandante de si róprio, o que equivale a pensar com a própria cabeça, sem timão ou timoneiro, assumindo riscos pelos erros cometidos e só erram aqueles que têm a coragem para ousar. Por vezes caem e tentam levantar-se de novo, não o conseguindo sempre, é verdade. A nossa autonomia no mar, a nossa capacidade de carga ou a velocidade que podemos atingir sobre as águas dos oceanos, sejam azuis ou escuras como breu, só nós as conhecemos. E, pelos vistos, nem sempre.
Ninguém nos conhece melhor que nós próprios. E, por mai que digam o que temos ou não a fazer, ninguém pode viver a vida por nós. Outras pessoas, ainda, vivem frustradas e infelizes porque não conseguem ter as mesmas coisas que viram noutro navio. Algumas também vivem furiosoas quando alguma coisa ou alguém não age como gostariam. O amor próprio e ao próximo é um exercício diário para saber a diferença entre o que prcisa de ser mudado, como deve sê-lo…
Muita gente tem preferio impôr as suas ideias e opiniões em vez de ouvir o outro; ficar revoltado com o mundo, em vez de admirar a vida, já que se refugiam no mais profundo egoísmo. E há viajantes que pensam no amor como algo a obter, como se fosse um objecto e não como uma arte que precisa de ser aprendida. Alguns até acabam por confundir a sã convivência ou a felicidade com o significado das suas rotas e vivem frustrados, navegando atrás do que não conseguem alcançar, desistindo por vezes a meio caminhodesalentados, considerando que já não vale mais a pena…
Não existe navio que não tenha vivido uma tempestade e, muitos não se afundam porque sabem evitá-lo, sabem comunicar e sabem que precisam dos outros. Só somos fortes quando unidos. Juntos, somos tão grandes e poderosos quanto a onda mais forte e ameaçadora. Perdoar as falhas e limitações dos nossos semelhantes é muito mais que uma virtude – é questão de inteligência e sobrevivência – já que a única coisa que possuímos de verdade é a necessidade dos outros.
Mas, não existem tempestades que durem para sempre, assim como os dias de sol não são também permanentes. Dor e frustração, muitas vezes, são resultado de querermos perpetuar momentos de prazer, de bem-estar, alegria quen por si só são tão efémeros; e com que facilidade esquecemos que nada é eterno, a não ser o movimento – e que, momentos de alegria alternam com os de tristeza…




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