O reino de Deus, da justiça e duma nova ordem económica estava ao alcande da mão.
Uma vez que ascendiam ao poder, repartiam o dinheiro dos prestamistas e viviam felizes uns meses, até à chegada da hora da fogueira.
Os milenaristas deste século, os mileneuristas, não pensaram em reclamar as imensas fortunas que os estados dão aos prestamistas de agora.
Lamentável, porque se esse dinheiro corresse entre tantas mãos como no ano 1000, o comércio prosperaria, vender-se-iam automóveis e os povos trabalhariam de dia e de noite alegremente.
Logo chegariam as gentes da ordem, dirigidas pelos mais inteligentes economistas e recuperariam o capital, que, como um cão fiel, sempre volta ao seio do seu amo.
Mas, durante o tempo em que o dinheiro corresse entre todos, saberíamos, pelo menos, se é verdade que dá a felicidade e se, no paraíso, até o pobre é feliz.
Sabe-se que há quantidades ingentes de comida que vão para o lixo enquanto a afluência aos restaurantes dispara 33%, quando já diziam, há umas semanas atrás, que não chegavam para cobrir as despesas. Ouviram o seu apelo e o resultado está bem à vista.
Sabem o que falta? Ou melhor, o que sobra aos caterings de diversos actos? A comida vai para o lixo!
Explicou-me um amigo que trabalha numa espécie de “a bela e o monstro”, porque só ali conseguiu trabalho, apesar da sua licenciatura.
Como também há bolsas com barras de pão nas montras em frente às padarias quando fecham.
E ninguém recolhe dos restaurantes, por exemplo, a fruta talvez não apresentável para as suas mesas, mas que está rica e, sobretudo, porque há quem dela necessite. Definitivamente, isto não funciona.
Como é possível que haja pessoas, muita gente, a quem não chega o dinheiro para comer, que a comida em determinados locais seja insuficiente e que não exista um serviço de recolha em restaurantes, supermercados, padarias..?além dum pressuposto extraordinário para ajuda social, tão-pouco sera mal que o consistório se organizasse para aproveitar recursos que a própria cidade atira para os contentores do lixo.
Fico estarrecido quando ouço alguém, com responsabilidades governativas, afirmar não existirem crianças a passar fome em Portugal. Se não fossem tão patéticas e dramáticas semelhantes afirmações, seria motivo para que todos respondessemos com sonoras e prolongadas gargalhadas.





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