domingo, 25 de outubro de 2009

A flor da honestidade

Conta-se que por volta do ano 250 a. C., na China Antiga, um príncipe estava em vésperas de ser coroado imperador mas, de acordo com as leis, deveria casar-se.


Sabendo disso, resolveu abrir um concurso entre as raparigas da corte ou quem quer que fosse considerada digna da sua proposta.

No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, em celebração especial, todas as pretendentes e, entáo, lançaria o desafio.

Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu tristeza, pois sabia que a sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.



Ao chegar a casa e relatar o facto a sua filha, surpreendeu-se ao saber que ela pretendia ir à reunião, e perguntou incrédula:


- Minha filha, que vais lá fazer? Estarão presentes as mais belas e ricas raparigas da corte. Tira essa ideia insensata da cabeça. Sei que deves sofrer, mas não tornes o sentimento em loucura.

A filha, respondeu: - Não, querida mãe, não estou a sofrer e muito menos louca. Sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é a minha oportunidade de ficar, pelo menos alguns momentos, perto do príncipe. Isso já me faz feliz.

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, com efeito, todas as mais belas raparigas, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções.

Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio:

«Darei a cada uma, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses me trouxer a mais bela flor, será escolhida para minha esposa e futura imperatriz da China.»

A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valoriza muito a especialidade de cultivar alguma coisa; sejam costumes, amizades, relacionamentos…




O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade na arte da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura da sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse, na mesma extensão do seu amor, não precisaria de se preocupar com o resultado.


Passaram três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada tinha nascido.

Dia após dia percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas também cada vez mais profundo o seu amor.

Por fim, os seis meses tinham passado e nada tinha brotado da terra do vaso.

Consciente do seu esforço e dedicação, a rapariga disse á mãe que, independentemente das circunstâncias, voltaria ao palácio na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de alguns minutos na companhia do príncipe.

À hora marcada lá estava, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela que a outra, das mais variadas formas e cores.

Estava admirada, pois nunca tinha presenciado tão bela cena.

Finalmente chegou o momento esperado e o príncipe observou cada uma das pretendentes com todo o cuidado. Depois de passar por todas, uma a uma, anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa.

Os presentes tiveram as mais inesperadas reacções. Ninguém compreendeu porque razão ele tinha escolhido precisamente aquela que nada tinha cultivado.

Então, calmamente, o príncipe esclareceu:

«Esta foi a única que cultivou a flor que a torna digna de se tornar uma imperatriz: a flor da honestidade, já que todas as sementes que entreguei eram estéreis.




A honestidade é como uma flor tecida em fios de luz, que ilumina quem a cultiva e espalha claridade á sua volta.

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