
Presidente do PSD assume-se como líder da oposição e avisa o secretário-geral do PS: os socialistas que se entendam com quem disse pretender "tirar a maioria e influenciar a governação".
A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, afastou quarta-feira qualquer possibilidade de entendimento com José Sócrates e desafiou o primeiro-ministro a dizer com que partido pretende governar depois de o PSD somar mais deputados do que toda a oposição junta.
"Eu não sei se o partido Socialista já leu bem os resultados (das eleições legislativas)", questionou, em Bragança, a líder social-democrata, congratulando-se com a votação conhecida quarta-feira dos círculos da emigração.
O PSD elegeu três dos quatro deputados, o que perfaz um total de 81 lugares na Assembleia da República, mais "do que toda a oposição junta", frisou Manuela Ferreira Leite.
"Vamos ficar à espera de saber qual dos partidos, à direita ou à esquerda, que o PS escolhe para governar o país", desafiou Manuela Ferreira Leite, frisando que o PSD será oposição.
"Nós estamos fora desse jogo, nós somos oposição e o Partido Social Democrata deve trabalhar afincadamente para se manter como alternativa firme a este Governo. É a alternativa que em democracia está destinada a substituir um poder que não serve", afirmou.
Para Manuela Ferreira Leite, o PSD "não deve ser um partido que vá ajudar de forma envergonhada a governar o Partido Socialista", acrescentou.
A presidente do PSD falava num comício, em Bragança, no qual, segundo disse, decidiu participar, para homenagear o presidente da Câmara local, o social-democrata Jorge Nunes, que concorre a um quarto mandato, e foi considerado pela líder como "o exemplo de autarca".
Manuela Ferreira Leite disse que o PSD "precisa de manter um bom resultado nas eleições autárquicas" num discurso marcado ainda pelos resultados das legislativas.
"O povo português não nos deu legitimidade para governar mas não é por causa disso que nos tirou a razão", declarou.
A leitura que a presidente do PSD faz dos resultados finais das legislativas é de que "o povo português entendeu, em primeiro lugar, retirar a maioria absoluta ao Partido Socialista e, em segundo lugar, que o Partido Social Democrata, como partido mais votado na oposição com mais votos, mais deputados do que todo resto da oposição junta, é a alternativa ao poder".
"Sendo (o PSD) alternativa ao poder, o Partido Socialista tem de governar o país com aqueles partidos que se apresentaram às eleições dizendo que não era para ganhar mas para tirar a maioria absoluta e influenciarem a governação socialista. Nós nunca nos apresentámos para influenciar a governação socialista, nós apresentámo-nos com um programa oposto, completamente diferente do PS", afirmou.
(Jornal de Notícias – 8/10/2009)

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